PRIMEIRAS IMPRESSÕES #10: Temporada de Outono - Outubro (2018)

Estamos levemente atrasadas com as primeiras impressões da temporada de outono dessa vez, porém considerando que nem todas as obras tinham estreado ainda, vocês nos dão um desconto, né? Haha. O que inicialmente parecia um trimestre fraco na verdade não se mostrou tão ruim assim – embora tenhamos escolhido poucos títulos, a maioria tem potencial para se tornar algo bacana.

Nesta postagem falaremos sobre Hinomaruzumou, Irozuku Sekai no Ashita kara, Kaze ga Tsuyoku Fuiteiru, Radiant, Sword Art Online: Alicization, Tsurune: Kazemai Koukou Kyuudoubu e Yagate Kimi ni Naru.

Hinomaruzumou [Mari]


Hinomaruzumou é um anime de esporte estruturalmente genérico que funciona graças ao carisma de seus personagens. Temos um protagonista tido como prodígio do sumô quando criança que simplesmente desapareceu dos torneios em algum momento (e ainda não sabemos o motivo), porém nunca desistiu de seu sonho – tornar-se o yokozuna. O principal desafio de Ushio Hinomaru para atingir seu objetivo é sua estatura, que lhe impede de sequer competir pelo título. Grande parte dos esportes não possui uma restrição específica nesse sentido, mas na prática sabemos que pessoas baixas ficam em desvantagem de maneira geral, e será interessante ver como Ushio conseguirá superar isso.

Diferentemente de outras artes marciais, o sumô não é categorizado por peso, o que abre espaço para uma enorme variedade de corpos (embora a imagem mais comum que tenhamos em mente seja de uma pessoa bastante pesada). Só no pôster do anime já se nota algumas diferenças: há um personagem baixinho (Ushio), um gordo (Ozeki), um magrelo (Mitsuhashi) e dois altos e bombados (Chihiro e Yuuma). A história girará em torno desses cinco rapazes, com personalidades e metas próprias, que juntos se jogarão de cabeça no mundo do sumô.

Eu não me lembro de nenhum outro anime de esporte que o Gonzo tenha animado, mas de qualquer forma, não tenho do que reclamar nesses primeiros três episódios, exceto algumas lutas que dependeram demais de still frames. Por outro lado, Hinomaruzumou já foi confirmado com dois cours, então nos resta esperar pra ver se eles conseguirão manter essa qualidade até o final. Gostei bastante da trilha sonora inclusive e a abertura é uma das minhas preferidas da temporada.

★★★★★

Irozuku Sekai no Ashita kara [Ana]


Devo dizer que esse era um dos títulos que mais me chamara a atenção antes do início da temporada. Embora Irozuku Sekai no Ashita Kara traga elementos já não inéditos como viagem no tempo, a obra tem também suas particularidades, o que a torna minimamente interessante.

Hitomi Tsukishiro é uma adolescente que descende de uma família de bruxas, residente em um mundo em que uma pouca quantidade de magia ainda é existente. Apesar disso, a garota desenvolvera muito pouco suas habilidades mágicas, e ainda possui uma característica peculiar, não é capaz de enxergar cores. Sua avó acaba enviando Hitomi em uma viagem para o passado, em que a garota acaba caindo no quarto de Yuito Aoi, um garoto de sua idade, que possui grandes habilidades artísticas.

Aos poucos, Hitomi, vai se adaptando a sua nova realidade, tentando se inserir entre os outros adolescentes. Na escola em que passa a estudar há o clube de fotografia e artes em que Yuito e seus colegas fazem parte. Eles descobrem que a garota é capaz de realizar magia, no entanto não sabem que ela domina pouco suas habilidades, e nem que ela não capaz de enxergar cores, o que gera certos momentos não tão agradáveis, mas que no fim começam a levar a um desenvolvimento pessoal da personagem e também de suas relações interpessoais, juntamente com seu ingresso no clube.

O anime mescla diversos aspectos: magia, momentos cômicos, amizade e até a possível inserção de um romance. O estúdio tem se esforçado em manter a beleza das cenas, embora ainda a história não esteja totalmente esclarecida. O primeiro episódio em si foi daqueles que encantam os olhos, mas dá uma sensação de “não sei se eu entendi”, no entanto, isso vem melhorando nos episódios seguintes. Assim, embora a estreia não tenha sido tudo aquilo que esperava, acredito que obra tem seu potencial.

 ★★★★

Kaze ga Tsuyoku Fuiteiru [Mari]


Eu poderia resumir Kaze ga Tsuyoku Fuiteiru inicialmente como uma caixinha de surpresas pra mim. Eu pretendia assistir à adaptação desde o primeiro anúncio que fizeram, porém acabei descobrindo só depois que a autoria da obra original é de Miura Shion (a mesma de Fune wo Amu, um dos meus animes preferidos) e que a pessoa responsável pela composição da série é o Kiyasu Kouhei (seiyuu do protagonista de Hajime no Ippo). Além disso, o estúdio responsável pela animação é o Production I.G que, na minha opinião, é o melhor de todos com obras de esporte (e é o mesmo de Haikyuu!!, por isso algumas pessoas passaram a chamar Kaze ga de "Haikyuu de corrida" de brincadeira, haha).

Conhecendo a autora, eu acredito que aqui teremos um character drama bem desenvolvido – é possível inclusive que o foco maior seja na relação dos personagens do que no esporte em si. Os primeiros episódios apontaram para um desenrolar lento, então fico feliz que tenham confirmado dois cours (evitando assim um final rushado). Sabemos pouco sobre os personagens até o momento, mas está claro que eles são bem diferentes uns dos outros e que isso nos renderá muitas risadas. Por enquanto Haiji ainda está tentando convencer seus colegas de apartamento a correr na Ekiden, que é o seu sonho, o qual ele não pode realizar a menos que tenha uma equipe de 10 pessoas.

Os personagens de Kaze ga Tsuyoku Fuiteiru estão vivos. Eles realmente se parecem com universitários de verdade, com atitudes e interações críveis – é, de fato, uma brisa de ar fresco em meio a tantas obras focadas em colegiais. Não sei dizer como o enredo progredirá daqui em diante, mas devo admitir que estou ansiosa pra ver o resultado dos esforços de Haiji ao final de sua jornada.

★★★★

Radiant [Mari]


A adaptação de Radiant já começa meio inusitada considerando que a obra original é um mangá francês e que a primeira parte do anime na verdade será uma reescrita do volume 1 com o objetivo de atrair um público mais jovem. Muitos fãs do mangá não parecem ter gostado nem um pouco das mudanças que o anime fez, mas já que eu não o li, não tenho como compará-los. De qualquer forma, com foco em uma audiência mais jovem ou não, Radiant segue um mistério pra mim, pois não passa de um battle shounen genérico que por algum motivo me faz querer assistir mais.

A gente já viu essa história trezentas vezes antes: o protagonista, "infectado" de alguma forma (é, total ou em partes, aquilo que ele quer eliminar), parte em uma jornada para livrar o mundo do mal (Ajin, Ao no Exorcist, Shingeki no Kyojin etc). A ideia não é original, o universo não é particularmente interessante e mesmo assim eu me sinto instigada a continuá-lo. Seria a nostalgia falando mais alto que eu? Não sei. Devo assistir mais alguns episódios pra ver se vou mesmo querer embarcar nessa aventura até o final.

★★★

Sword Art Online: Alicization [Ana]

Será que somos muito masoquistas por dar mais uma chance pra SAO? Ouvi muita gente dizendo que essa é a melhor parte da light novel, mas eu ainda estou esperando a melhora. Quando se tem um problema com o próprio protagonista fica meio difícil, já que dos personagens antigos parece que o Kirito é o que terá uma participação majoritária.

Eu, por exemplo gostei bastante do arco final da segunda temporada, em que a Asuna teve uma participação maior. O próprio arco de GGO, em que tinha uma grande participação da Sinon, estava bom até chegar no final. E o primeiro arco da primeira temporada também não considero ruim. No entanto, o maior problema com o Kirito é transformá-lo no salvador da pátria e das garotas, o centro de um harém que não acrescenta nada à história.

Sei que esses momentos talvez não estejam presentes nessa nova temporada, que traz uma história diferente, em que Kirito vai parar em um mundo desconhecido. Nele, ele conhece Eugeo, um personagem do próprio jogo, mas que traz personalidade e emoções como se fosse um ser humano. Além disso, Kirito tem uma “memória” de Eugeo, e de uma garota chamada Alice, quando crianças. Essa memória move as ações de Kirito, ao mesmo tempo que busca como sair daquele mundo.

Não há do que eu reclamar dos cenários e da animação até o momento, no entanto estou achando a história bem mais ou menos. Os dois primeiros episódios, por exemplo, forem bem arrastados, bastante diálogo e pouca ação, pra não dizer chatos, mas ainda estou esperando o que de fato essa temporada tem a nos mostrar, a história ainda precisa me cativar, a ausência de harém e fanservice não sustenta a qualidade.

★★★

Tsurune: Kazemai Koukou Kyuudoubu [Mari]


A KyoAni definitivamente sabe como captar o meu interesse. Esporte? Check. Character Drama? Check. Personagens únicos? Check. É, não tinha como dar errado. A proposta de Tsurune: Kazemai Koukou Kyuudoubu não é nem um pouco inovadora, porém é o tipo de obra que, se bem executada, pode ser ótima: nosso protagonista, Narumiya Minato, era uma estrela do kyuudou, até que desenvolveu o que chamam de "target panic" e não conseguiu mais atirar suas flechas com precisão, fazendo com que ele desistisse temporariamente do esporte que tanto ama.

Tsurune: Kazemai Koukou Kyuudoubu se destaca nas pequenas coisas. Gostei muito quando as personagens femininas do clube falaram que não estavam lá para agradar os meninos quando um deles disse que esse era um dos pontos positivos do clube. Gostei mais ainda quando as meninas disseram que a Seo era mais atraente do que muito menino por aí. Embora sejam secundárias, as personagens têm seus momentos de brilhar. Em relação aos meninos, eu gosto bastante de como a KyoAni explora os sentimentos conflituosos de cada um. De maneira geral, é nisso que o estúdio costuma ser bom  – representar emoções – e a belíssima animação apenas contribui com isso.

O começo da obra me lembrou um pouco Ookiku Furikabutte, onde os personagens tiveram que criar um clube de beisebol do zero, enfrentando todas as dificuldades que vêm com o fato de não possuírem tradição no esporte. No caso de Tsurune, o clube já existia, mas estava inativo e por isso os membros terão de enfrentar problemas semelhantes. Apesar disso, os protagonistas parecem prontos para lidar com qualquer desafio. Nas palavras de Onogi, "quem não gostaria de ser a escola qualquer que venceu a escola conhecida pela tradição no esporte?" (ou algo do tipo, haha). Essa frase não só definiu perfeitamente o Onogi, mas também explicou o porquê de eu estar tão animada para acompanhar a jornada dessas meninas e meninos. 

Se você curte esporte com uma boa dose de drama entre os personagens, Tsurune: Kazemai Koukou Kyuudoubu está recomendadíssimo.

★★★★


Yagate Kimi ni Naru [Ana]


Yagate Kimi no Naru, ou Bloom Into You, como também é conhecido, tem sido um suspiro de alívio. Mesmo sabendo que é uma adaptação de um mangá do gênero que recebeu vários elogios, como eu não cheguei a lê-lo, tem sido uma surpresa positiva. Logo no início do blog, escrevemos uma postagem sobre os problemas das adaptações que envolvem relacionamentos entre mulheres, obras dotadas de hipersexualização e estereótipos. E podemos dizer que Bloom Into You não tem nada que possa se remeter a isso, não se passa em uma escola só para garotas, não tem assédio, papéis estereotipados etc.

É claro que apenas a ausência desses elementos não faz com que a obra seja boa, e é aí que entram as particularidades da obra. Nanami Touko é aquela típica personagens incrível, bonita, presidente do conselho estudantil e que do nada se vê apaixonada pela Koito Yuu, protagonista da história. Mesmo sendo duas garotas, o fato é tratado com naturalidade. Yuu, que estava com problemas para rejeitar um garoto que havia se declarado a ela, mais uma vez se vê confusa ao perceber que não consegue retribuir àqueles sentimentos, no entanto encara a situação de maneira diferente, não afasta Nanami de si, tenta compreender os sentimentos da garota e ainda a apoia em sua candidatura à presidência. Até o momento não dá pra saber se Yuu não é capaz de retribuir os sentimentos de Nanami exclusivamente, ou se ela realmente não se sente atraída por ninguém. Mas ainda assim, a relação se desenvolve de maneira saudável.

Esse é um anime bem diferente dos outros que o estúdio TROYCA foi responsável, como Aldnoah. Zero e Re:Creators, mas até então acredito que está fazendo um bom trabalho. Ainda, vale lembrar que o responsável pelo roteiro e composição da série é Hanada Jukki, o mesmo de Hibike! Euphonium, Kuragehime, Kyoukai no Kanata, Love Live!, Steins;Gate, entre outros, assim acredito que o anime terá um bom desenvolvimento, sem contar as seiyuus que estão fazendo um ótimo trabalho. Dá pra se dizer que ele no geral é meio morno, mas isso não o torna ruim, e estou bem ansiosa pra ver como será daqui pra frente.

★★★★★