PRIMEIRAS IMPRESSÕES #07: Temporada de Inverno (2018)

Senhoras e senhores, a temporada de inverno chegou com tudo! O ano começou com as ótimas estreias de IDOLiSH7 e Sora yori mo Tooi Basho, ambas muito bem recebidas pelos críticos, seguiu com o bombástico Devilman Crybaby, dirigido por ninguém mais, ninguém menos do que Masaaki Yuasa (Ping Pong The Animation, Yojouhan Shinwa Taikei), tido como um dos maiores diretores de todos os tempos, e, logo depois, o retorno de Cardcaptor Sakura após vinte longos anos gerou tanta comoção que os fãs até derrubaram o Crunchyroll devido ao imenso número de acessos simultâneos à plataforma! Embora nem tudo sejam flores, é inegável que 2018 marcou o início mais forte que tivemos nos últimos anos no que diz respeito ao mundo dos animes. 

Com isso, a equipe do Rukh no Teikoku decidiu escrever suas primeiras impressões de dez títulos da temporada. Dois deles já estão fora da lista que inicialmente iríamos acompanhar, mas já que nos demos ao trabalho de assistir às estreias, escreveremos sobre elas de qualquer forma. Os títulos escolhidos foram: Citrus, Darling in the FranXX, Gakuen Babysitters, Grancrest Senki, Hakata Tonkotsu Ramens, Koi wa Ameagari no You ni, Kokkoku, Sora yori mo Tooi Basho, Violet Evergarden e Yowamushi Pedal: Glory Line.

Citrus [Mari]


Citrus sempre foi uma obra problemática. Desde o primeiro capítulo do mangá existiu romantização de abuso (beijo forçado que a Mei dá na Yuzu) e pedofilia (o professor que supostamente é o noivo da Mei e também a beija à força), mas eu ainda tinha um pinguinho de esperança que o anime pudesse consertar algumas coisas, mas pelo contrário... A adaptação apenas piorou. No primeiro caso, o que ocorre no mangá é um beijo surpresa, que embora não fosse consentido, pelo menos não envolvia a protagonista se debatendo pra escapar dele nem a outra a prendendo pelos braços contra o futon, além de ter sido uma cena muito mais rápida que foi desnecessariamente estendida no anime o que já era problemático ficou dez vezes pior, e eu tenho certeza que se a Mei fosse um homem estaria todo mundo chocado e acusando o cara de tentar um estupro, mas já que são duas meninas, não importa, certo? (Errado. Abuso sexual entre pessoas do mesmo gênero ainda é abuso sexual. Vale sempre lembrar). No segundo caso, fica bastante explícito no mangá que a Mei não gosta do que o professor faz com ela, enquanto no anime a reação dela após o ato foi suavizada. Fora isso, aquela apalpada que a Mei dá na Yuzu pra confiscar o celular dela não ocorre daquela forma no mangá e também se tornou desnecessariamente longa no anime.

De qualquer forma, argumenta-se que a Mei força um beijo na Yuzu (que está curiosa sobre como beijos são) porque a experiência dela envolve apenas beijos forçados, mas, independentemente da justificativa, abuso sexual ainda é abuso sexual. Não me parece certo nem interessante fazer a protagonista (que até aquele momento não havia apresentado nenhuma inclinação homossexual) se apaixonar pela outra por causa de um beijo forçado. Essa não é uma boa forma de se explorar a própria sexualidade nem de iniciar um relacionamento saudável e, mesmo que futuramente o sentimento vire mútuo, isso não tira a gravidade da situação. É realmente uma pena que o yuri mais famoso do momento seja baseado em algo tão ruim, além de ser incrivelmente mal escrito. A autora não consegue tocar o enredo pra frente sem introduzir uma nova antagonista (que vai ser esquecida ou se tornar irrelevante no arco seguinte) pra gerar o conflito necessário para desenvolver as personagens (o que nem ocorre de fato).

Tecnicamente falando, a animação é o que você esperaria de um estúdio pequeno como o Passione. Eu odiei o trabalho que eles fizeram com Rokka no Yuusha, então não estava esperando muita coisa pra início de conversa. De qualquer forma, ela é mediana, com algumas cenas específicas que apresentam melhor fluidez. Odiei também a escolha das seiyuus (só a voz da Harumi prestou). Particularmente, Ueda Kana (Ume) e Maeno Tomoaki (Shou) são os únicos nomes que realmente gosto, mas não vou continuar assistindo pra vê-los interagir. ¯\_(ツ)_/¯

Enfim, é uma perda de tempo. O mangá é um pouco menos pior do que o anime, então caso ainda tenham interesse na história, leiam em vez de assistir a obra. 


Darling in the FranXX [Ana]


Mesmo após assistir ao episódio de estreia, eu ainda estou com medo do que Darling in the Franxx pode resultar. A história se passa em um futuro distante em que a humanidade é ameaçada por criaturas chamadas klaxosaurs e crianças são selecionadas para se tornar "Parasites", situação onde um menino e uma menina em conjunto pilotam um mecha chamado Franxx.

Meu medo é devido a algumas coisas que me incomodaram um pouco, a começar pelos nomes que pilotos do mecha recebem: estame e pistilo. Eles fazem alusão aos órgãos reprodutores das plantas, o que me soou meio bizarro já que um menino precisa necessariamente de uma parceira para pode pilotar e vice-versa. Outra coisa foram as cenas em que tentaram fazer algum humor em cima de fanservice, como o Dr. Franxx apertando a bunda de uma das mulheres do nada, alguns ângulos e piadas com calcinhas (que não chegam a ser tão ofensivos como o primeiro caso, mas que nessa altura eu realmente não tenho mais paciência). Espero que isso não seja algo comum no decorrer dos episódios.

Eu, como alguém que não é muito fã do gênero, não tenho arcabouço o suficiente para fazer comparações em relação à história, mas não achei nada extraordinário. A personagem mais interessante e com alguma personalidade aparenta ser a Zero Two, uma parasite que foge e é encontrada por Hiro, o típico protagonista mais ou menos, nadando pelada. Hiro havia perdido sua parceira anterior e por isso não podia mais pilotar, no entanto, no fim do episódio, ele acaba fazendo dupla com a Zero Two. Por outro lado, a garota é conhecida como "Partner-Killer", e esse foi um dos pontos que me fizeram ficar curiosa para saber o motivo, e como será sua relação com Hiro.

Acredito que o estúdio Trigger em parceria com o A-1 Pictures fará um trabalho legal e temos também alguns nomes interessantes no cast, que são um motivo a mais para eu continuar assistindo. 


Gakuen Babysitters [Mari]


Estive de olho em Gakuen Babysitters desde que a equipe que trabalharia na adaptação foi anunciada – não tanto pelo diretor Morishita Shusei, estreante na posição, mas sim por causa da pessoa responsável pela composição da série, Kakihara Yuuko. Embora ela não tenha participado de muitas produções grandes, Yuuko já demonstrou excelência tanto em adaptar um material preconcebido (Chihayafuru 2, por exemplo) quanto seguir uma rota original, com o aclamado Tsuki ga Kirei, que foi ao ar no ano passado. Além disso, o estúdio é parte da indústria há bastante tempo e é conhecido principalmente pelas adaptações de Durarara!! e Mawaru Penguindrum, mas eles também entregaram ótimos slices of life ao longo dos anos: Natsume Yuujinchou, Isshukan Friends, Tonari no Kaibutsu-kun, entre outros. Resumindo, então, Gakuen Babysitters tinha tudo pra dar certo.

Ainda que eu não seja muito fã de crianças na vida real, não tenho como não cair de amores por elas no 2D. Gakuen Babysitters pretende contar o dia a dia de Kashima Ryuuichi, primeiro membro do Clube de Babás do colégio para o qual ele acabou de se transferir após a morte de seus pais em um acidente de avião, e que foi adotado junto de seu irmão mais novo pela diretora de lá, que também perdeu seus familiares naquele acidente. É uma história de aquecer o coração e derramar algumas lágrimas aqui e ali com a coragem e as dificuldades enfrentadas por Ryuuichi. Os personagens em geral são bastante carismáticos, a parte técnica é bem feita e eu diria que definitivamente vale a pena dar uma olhada na obra se você for um fã de slices of life.


★★★★

Grancrest Senki [Mari]


Eu honestamente não sei por que ainda tento dar uma chance às adaptações de Light Novel do A-1 Pictures. Grancrest Senki, já confirmado com 24 episódios, teve uma estreia incrivelmente sem graça. O protagonista não tem um pingo de carisma e os outros personagens também são bastante genéricos; o ritmo do episódio foi uma bagunça, com vários termos sendo jogados pra lá e pra cá em meio a uma sequência de cenas incoerentes de ação, além de não ter havido particularmente nada que me chamasse a atenção na parte técnica. Embora eu goste de obras que girem em torno da temática da guerra, não tenho interesse em acompanhar trabalhos mal escritos e/ou mal executados. Passo.


Hakata Tonkotsu Ramens [Mari]


Hakata Tonkotsu Ramens me chamou a atenção em um primeiro momento pela proposta. Em uma cidade onde 3% da população é formada por assassinos de aluguel, briga e morte por dinheiro e poder é algo que não vai faltar. Fui assistir à estreia sem expectativas, pois conheço pouco do trabalho da equipe envolvida na produção, mas acabei positivamente surpresa.

O primeiro episódio trata de introduzir o elenco diverso em torno do qual a história girará: Ling Xianming, um cross-dresser de temperamento forte; Saitou, um jovem assalariado que acaba de deixar Tóquio para trabalhar na perigosa cidade de Hakata; e Reiko, Ivanov e Munakata, três contratados do prefeito de Hakata, que luta pela reeleição. Todos eles são assassinos profissionais. Também conhecemos Banba Zenji, um detetive que anda investigando as atividades suspeitas do então prefeito, e alguns outros personagens secundários. Embora a proposta não seja nada de muito original, com o elenco diverso e a competência mostrada pela equipe em termos de escrita e execução até aqui, Hakata Tonkotsu Ramens tem potencial para ser algo bom.

Visualmente falando, o anime não tem nada de muito especial. Os cenários são típicos de uma cidade metropolitana, com muitas luzes e tudo mais, e o character design é bonito, mas não chama muita atenção. Por outro lado, o elenco de dubladores traz muitas vozes conhecidas, e pra mim é sempre um prazer acompanhar o trabalho conjunto de tantos artistas talentosos. Por fim, a trilha sonora se destaca em alguns momentos, o que já poderíamos esperar do responsável pela função (Nakagawa Kotaro, compositor das trilhas de Code Geass, Gosick, entre outros). Eu não colocaria minhas expectativas lá em cima, mas acho que a ride será divertida.

★★★★

Koi wa Ameagari no You ni [Emy]


Em breve.

Kokkoku [Ana]


Seja bem-vindo a mais um daqueles animes que você não sabe o que diabos está acontecendo. Juri, nossa protagonista, vive com sua família – nem um pouco estruturada, diga-se de passagem. – e está quase formada na faculdade. Seu pai e seu irmão estão desempregados (e aparentemente não se importam com isso, já que o primeiro passa o dia bebendo e o outro jogando videogame), sua irmã trabalha feito doida pra sustentar o filho cujo pai ela nem sabe quem é e que também mora com eles, seu avô é aposentado e sua mãe é a única adulta funcional da família.

No mesmo dia em que Juri passa por uma entrevista de emprego desastrosa, seu sobrinho e seu irmão são raptados. Os sequestradores entram em contato pedindo o resgate em 30 minutos e ela se desespera, pois não há tempo para chegar ao local. Sob essas circunstâncias, o avô mostra a ela e ao seu pai uma espécie de poder sobrenatural que é capaz de parar o tempo, e assim eles vão atrás dos familiares sequestrados. Ao tentarem fugir levando o sobrinho e o irmão, surgem outras pessoas que por algum motivo não foram afetadas pela parada no tempo e, além disso, algo que se assemelha a fantasmas também aparece. Esses últimos acontecimentos foram intrigantes já que não houve uma explicação em um primeiro momento.

Achei o episódio um pouco parado em alguns momentos (sem trocadilhos), mas nem foi de todo ruim meu maior receio é que a história se torne muito “viajada” e que as coisas não façam sentido. Fora isso, até que foi uma boa estreia. Por outro lado, não posso deixar de comentar que todos os homens do anime (talvez tirando o avô) parecem uns babacas, e a cidade tem todo um ar suspeito de que alguma coisa aconteceria a qualquer momento já que era sempre mostrado homens que aparentavam não ser de boa índole.

Em termos técnicos não tenho muito a dizer. Mesmo sendo produzido por um estúdio que foi criado com o único objetivo de finalizar um filme que o Manglobe não conseguiu devido à falência (Genocidal Organ), a animação no geral foi bem mediana. Os temas de abertura e encerramento chamaram bastante a atenção e eu particularmente gostei muito.

★★★

Sora yori mo Tooi Basho [Mari]


Posso afirmar, sem sombra de dúvidas, que Sora yori mo Tooi Basho teve a estreia mais forte da primeira semana desta temporada de inverno. Com os visuais explosivos de Ishizuka Atsuko, diretora de Sakurasou no Pet na Kanojo e No Game No Life, somados à incrível habilidade de escrita de Hanada Jukki (Steins;Gate, Hibike! Euphonium) no que diz respeito à construção e interação dos personagens, YORIMOI já é material para AOTY (Anime of the Year).

Poucos minutos de episódio são suficientes para fazer com que você se importe com as personagens. Tamaki Mari, do segundo ano do colegial, é uma garota que deseja aproveitar sua adolescência ao máximo, o que inclui fazer coisas diferentes e participar de aventuras, mas ela sempre acaba desistindo no último momento porque não tem coragem de seguir em frente sozinha; Kobuchizawa Shirase, por outro lado, é como se fosse a antítese de Tamaki – ela perdeu a mãe em uma viagem à Antártica e agora trabalha duro todos os dias para juntar dinheiro suficiente com o objetivo de partir em busca dela. 

Todos dizem a Shirase que isso é impossível para uma colegial, que ela não vai conseguir continuar com sua aventura, tentam fazer com que ela desista de seu sonho, mas nada disso é capaz de tirar a coragem ou desanimá-la. Juntas, as personagens desenvolvem uma química perfeita que te faz torcer por elas. Estou ansiosa para descobrir até onde essas meninas irão nos levar!


★★★★★

Violet Evergarden [Ana]


Eu estou até sem palavras diante dessa estreia. Sem sombra de dúvidas, Violet Evergarden era o anime mais aguardado dessa temporada inclusive por mim e devo dizer que não deixou a desejar, pois com certeza foi uma das melhores estreias que tivemos.

Primeiramente, não tenho como não comentar a beleza do anime. Os cenários, os detalhes, o character design, a trilha sonora... A única coisa que me incomodou um pouco foi que em algumas cenas, os personagens, quando um pouco distantes, aparecem sem rosto, mas claro que apenas esse detalhe não tira todo o brilho do restante, e não poderíamos esperar menos da KyoAni.

Acredito que Violet Evergarden seja uma história diferenciada daquelas que o estúdio costuma adaptar tem uma atmosfera mais densa. Violet é uma jovem que cresceu no exército e passou a vida obedecendo ordens. Sobrevivente de uma guerra, precisa se adaptar a viver com suas próteses das mãos e sua nova vida. Entretanto, as mãos não foram as únicas coisas perdidas na guerra. Gilbert, o major com o qual Violet tinha uma intensa relação também foi uma delas. Agora ela busca entender o significado das palavras proferidas por ele em seus últimos momentos: "Eu te amo."

Eu sinceramente não sei muito o que esperar em relação à história, mas estou curiosa em relação ao desenvolvimento da Violet e acredito que teremos imagens de dor e sofrimento pelo caminho devido ao desfecho desse primeiro episódio. Estejamos preparados. 


Yowamushi Pedal: Glory Line [Ana]


Um dos animes mais aguardados por mim dessa temporada, a continuação de YowaPeda já começou muito bem com o primeiro episódio que trouxe à tona a emoção de ver os personagens que tanto gosto novamente.

A primeira cena foi relembrando o final da terceira temporada, onde Manami vence a escalada e Onoda aparece para dar suporte ao Teshima, que havia utilizado todas as suas forças. No decorrer do episódio é mostrado quem será o assistente do ace (tanto da Hakone como da Sohoku), o que gera certa surpresa dos espectadores da corrida que provavelmente não esperavam que seria o Kuroda e o Naruko, respectivamente. Dando-nos uma ideia de que mais uma vez será uma disputa acirrada, e pra deixar as coisas ainda piores, teremos também Midousuji (espero que morra) e seu assistente, que não estarão para brincadeiras. Acredito que será a vez de Naruko e Imaizumi mostrarem sua evolução durante o ano.

Acho que essa temporada tem tudo para ser muito boa. Aparentemente a anterior não agradou muito o público (o que não foi o meu caso, embora houvesse uma pequena queda de qualidade em relação às antecessoras), mas esse primeiro episódio já está sendo bem aprovado, então espero que essa temporada nos traga ainda mais emoção. Por fim, os temas de abertura e encerramento estão bem legais também.

★★★★