IMPRESSÕES FINAIS #06: Temporada de Outono (2017)

Mais uma vez a temporada de outono veio para salvar o ano dos animes. Assim como em 2016, continuações bastante esperadas e alguns títulos novos que surpreenderam positivamente o público foram ao ar no último trimestre deste ano. Nossas impressões finais cobrirão dois títulos que começaram a ser transmitidos na temporada anterior (Ballroom e Youkoso e Shoukoku no Altair) e terminaram agora, assim como os escolhidos no início do trimestre (com exceção daqueles que terão dois cours). São eles: Just Because!, Kino no Tabi: The Beautiful World, Konohana Kitan, Kujira no Kora wa Sajou no Utau e Net-juu no Susume. Tanto Black Clover quanto Inuyashiki foram droppados.

Ballroom e Youkoso [Mari]


Falar sobre Ballroom e Youkoso é complicado. Apesar de ser uma das melhores obras do ano, na minha opinião, em termos de enredo e desenvolvimento de personagens, a adaptação sofreu muito. Eu penso o seguinte: a partir do momento em que se decide transformar um mangá em anime, a adaptação deveria oferecer algo que a obra original não consegue para que assim se expanda o universo daquela mídia – no caso de Ballroom e Youkoso, o que instigaria alguém a assistir ao anime? Respondo: a possibilidade de ouvir as músicas e de ver as danças animadas, já que normalmente esse formato oferece um dinamismo maior do que o papel.

Por outro lado, a visão que eu tenho é idealista e não considera que muitas vezes as adaptações são feitas com o único objetivo de aumentar as vendas do mangá. Nesse sentido, não sei se obtiveram sucesso, mas posso afirmar que Ballroom e Youkoso se encaixa no segundo propósito. O número de cenas recicladas, de danças não animadas e as prévias dos próximos episódios caindo aos pedaços me fazem pensar que a produção estava caótica e que o orçamento era baixo. Por isso não acho que o anime conseguiu dar o dinamismo que poderia ter dado às competições, que seria um dos motivos para vê-lo. Apesar disso, a trilha sonora de Hayashi Yuuki (Death Parade, Haikyuu!!) é realmente fantástica e dá gosto de ouvir.

Agora, deixando essas questões técnicas de lado, vamos falar da obra propriamente dita. Ballroom e Youkoso se destaca, como mencionei anteriormente, pelos personagens. Principais ou secundários, todos eles possuem uma função na história e são devidamente desenvolvidos para cumpri-la. Explora-se backstories, motivações, perspectivas para o futuro, entre outros aspectos enriquecedores para se construir as relações entre os personagens. Acompanhar o crescimento de Tatara e seus amigos é de uma imensa satisfação. Além disso, a comédia de Ballroom e Youkoso funciona muito bem (até hoje não superei aquela cena que a Chinatsu se joga nos braços da Hongo-san, que aliás é a minha personagem preferida da obra :P). No fim das contas, eu diria que vale a pena dar uma olhada, mas se você gostar mais de ler do que assistir... Vá direto para o mangá. Prometo que não vai se arrepender! :)

8.0/10



Just Because! [Ana]


Desde o primeiro episódio eu percebi que Just Because! seria mais ou menos como foi (narrativa lenta, bastante diálogo)... Mas se tratando de uma história original vinda de um estúdio pequeno com bastante gente novata, até que se saíram bem.

Just Because! foca principalmente no desenvolvimento das relações entre os estudantes do ensino médio, ao mesmo tempo em que cada um deles tem suas próprias ambições a serem exploradas. Como exemplo tivemos Komiya, do segundo ano, membro do clube de fotografia, que luta para que o mesmo não seja fechado, e nesse meio tempo acaba desenvolvendo sentimentos pelo protagonista Eita. Assim, formou-se um triângulo amoroso entre Komiya, Eita e Mio, em que tivemos que esperar até o último episódio para descobrir como seria o seu desenrolar. Poliamor parece não ser uma opção para esses personagens, e com isso foi doloroso ver Komiya não ser correspondida. Tivemos também o desenvolvimento dos personagens coadjuvantes Haruto e Hazuki, que apesar de lento, não houve grandes conflitos e se desenrolou antes do protagonista.

Fora os conflitos ligados a relacionamentos, os personagens enfrentaram o término do terceiro ano do ensino médio, que traz bastante ansiedade devido às incertezas do futuro, e acredito que Just Because! soube explorar bem esse lado, sem deixar também muito dramático.

Algumas inconsistências na animação ocorreram no decorrer do anime, o que já era um pouco esperado, mas mesmo assim isso não trouxe grandes prejuízos ao aproveitamento da obra. No geral considero que o anime foi mediano, nada muito diferente ou grandioso, mas também legalzinho de assistir e descobrir que fim levaria o desenvolvimento dos personagens.

7.0/10



Kino no Tabi: The Beautiful World [Ana]


Kino no Tabi me passou uma sensação que eu não sei bem descrever. Às vezes transmitia uma atmosfera mais leve e, em outros momentos, mais pesada. Kino é uma garota que viaja com sua motocicleta falante Hermes por diversos países e assim acaba se deparando com as mais diferentes situações.

Acompanhamos a jornada de Kino e vemos como ela lida com essas situações, que às vezes conflitam com questões morais, ou então simplesmente permitem que ela conheça diferentes culturas e pessoas. Por se tratar de um anime episódico, a história se desenvolve separadamente a cada semana, assim alguns acabam não explorando tanto outros personagens ou suas backstories, e obviamente alguns têm tramas mais ou menos interessantes que outros. Em particular gostei bastante do episódio sobre o passado da Kino, em contrapartida não gostei tanto do último episódio, por exemplo.

Apesar de tudo, Kino no Tabi foi uma obra bastante interessante de se acompanhar. O estúdio Lerche fez um bom trabalho (especialmente os cenários ficaram muito bonitos), ainda que o uso do CG tenha sido estranho em algumas cenas. Mesmo não tendo visto a primeira versão de 2003, sei que o audiovisual foi uma das grandes melhorias para essa de 2017, mas aparentemente há coisas que foram melhores exploradas na versão anterior. De qualquer forma, isso não diminui o mérito do anime, e Kino e Hermes são adoráveis e me deixarão saudades.


7.5/10


Konohana Kitan [Ana]


Acredito que eu não sou a única que não é muito fã de moe, principalmente porque a maioria dos animes desse estilo não traz nada além de garotas fofinhas. Entretanto, o caso de Konohana Kitan foi diferente. Embora tenhamos raposas fofinhas e a história não seja nada de muito extraordinário, a experiência de acompanhá-la acabou sendo agradável.

Por se tratar de um shoujo-ai, tivemos leves insinuações amorosas entre as personagens, em particular Yuzu e Satsuki, assim como Ren e Natsume. Outras personagens e tramas ganhavam destaque no desenrolar das interações entre as personagens principais, que trabalhavam mantendo uma pousada e recebiam os hóspedes.

No fim, o character design não foi algo que incomodou, pelo contrário – apenas tornou as personagens mais adoráveis, todas elas com suas distintas personalidades, mas que no fim se completavam. A animação também permaneceu bonita e a trilha sonora contribuiu para a vibe healing do anime. Recomendo Konohana Kitan pra quem procura algo leve para sentir um calorzinho no coração e acha interessante uma história sobre raposinhas fofinhas e lésbicas. hahaha

7.5/10


Kujira no Kora wa Sajou no Utau [Gabriel]


Kujira no Kora wa Sajou ni Utau foi um anime mediano: a animação e os cenários são realmente muito lindos, porém, após alguns episódios, a história não me deixou mais empolgado e a achei um pouco previsível. Vários personagens foram apresentados e poucos episódios depois morreram; alguns ainda tiveram mortes dramáticas, mas que não funcionaram bem; não houve tempo para nos apegarmos a esses personagens.

Por outro lado, gostei bastante do Suou, que é um personagem maravilhoso e, por causa de alguns acontecimentos no início do anime, se tornou o chefe e precisou tomar decisões difíceis, mas não deixou de ser quem realmente é: carismático, atencioso, e que faz de tudo para ajudar os marcados a viverem mais.

Fora isso, vale pontuar que a trilha sonora de Kujira no Kora wa Sajou ni Utau é ótima. Gostei especialmente da abertura e da música inserida no episódio 7.

7.0/10



Net-juu no Susume [Mari]


Se eu contar pra vocês que até em treta com gringa eu me enfiei por causa de Net-juu no Susume vocês acreditam? Pois é. Assim, eu entendo que a obra tem alguns problemas (geralmente relacionados ao Koiwai, que é o tipo de babaca que tira foto de uma mulher inconsciente e faz piada de estupro), mas eles podem ser deixados de lado simplesmente porque não são relevantes. Eu vou revirar meus olhos quando ouvir piadas machistas, mas isso não necessariamente arruinará todos os aspectos positivos da obra, que são vários, mas principalmente:

• A protagonista é uma mulher de trinta anos que sofre com as condições e o ambiente de trabalho, tem dificuldade em lidar com pessoas e busca uma espécie de refúgio no mundo virtual. Em outras palavras, Morioka Moriko é uma personagem na qual é incrivelmente fácil de se enxergar! Muitas pessoas conseguem se identificar com as enrascadas que a Morimori-chan se enfia e, além disso, a atuação de Noto Mamiko é simplesmente fenomenal.

• A comédia funciona! Por mais que o Koiwai seja um babaca e quase tudo em relação a ele me faça revirar os olhos, as cenas entre a Morioka e o Sakurai são engraçadas demais. Eles não sabem como interagir um com o outro e as situações que surgem a partir daí são ótimas, além de estupidamente fofas.

Apesar de seus tropeços, Net-juu no Susume é uma comédia romântica que entrega aquilo que promete. Devemos apontar seus problemas, mas não precisamos massacrá-la por causa deles. Para quem curte esse tipo de obra, recomendo muito que assista!

8.5/10


Shoukoku no Altair [Mari]

Sabe aquelas obras que foram esquecidas no churrasco? Então, Shoukoku no Altair é uma delas. Geralmente o estúdio MAPPA entrega boas adaptações (Shingeki no Bahamut, Sakamichi no Apollon), mas dessa vez eles deixaram muito a desejar – a começar pelo ritmo.

Shoukoku no Altair é um anime histórico com bases políticas muito fortes. Tudo que os personagens fazem é cuidadosamente pensado de antemão. Aquilo que Mahmut almeja – acabar com a guerra – é de uma ambição enorme. Estuda-se muito nas relações internacionais o porquê da guerra e o que é preciso fazer para se alcançar a paz, mas as respostas costumam ser inconclusivas. Por esse motivo, eu estava ansiosa para ver que rumo a jornada de Mahmut iria tomar... Mas acabei frustrada e decepcionada.  

• O ritmo não funciona porque é corrido demais. O cenário construído pelo autor é complexo, há inúmeros países envolvidos na guerra, cada um com características próprias e objetivos diferentes, e existe um choque civilizacional muito forte em jogo – mas nada disso é explorado do jeito que deveria no anime. Todo episódio eles despejam personagens novos com os quais deveríamos nos importar, mas sequer temos tempo de fazer isso; as coisas se resolvem rápido demais e os timeskips não fazem sentido.

• A animação piora a cada episódio. A única coisa que ficava mais ou menos consistente era o character design, mas o resto... Uma tristeza.

• Trilha sonora? Que trilha sonora? É praticamente inexistente. Salvam-se só os temas de abertura e encerramento.

Enfim, Shoukoku no Altair é mais um caso de adaptação ruim. Planejo ler o mangá eventualmente porque tenho certeza que a obra tem mais do que isso a oferecer.

7.0/10