PRIMEIRAS IMPRESSÕES #06: Temporada de Outono (2017)

A chegada do outono lá no hemisfério norte é um sinal de que mais um ano está prestes a terminar. Logicamente, seguindo a divisão por estações, a temporada de animes que acaba de começar será a última de 2017. Eu sinto que tenho ficado repetitiva ao longo dos anos quando esta época se aproxima – possivelmente devido ao fato de eu ter entrado de cabeça no mundo das animações japonesas somente por volta de 2012, um ano excepcionalmente incrível para os fãs da mídia –, mas 2017, apesar das centenas de títulos que com ele vieram, não foi um ano capaz de oferecer muitas obras que sejam dignas de destaque.

Assim como 2016, o ano foi segurado na maior parte do tempo por continuações bastante esperadas pelos fãs Ao no Exorcist: Kyoto Fujouou-hen, Gintama, Kono Subarashii Sekai ni Shukufuku wo! 2, Boku no Hero Academia 2nd Season e Shingeki no Kyojin Season 2 são alguns exemplos de obras extremamente populares que receberam novas temporadas em 2017. É claro que em meio a centenas de títulos vamos encontrar coisas novas que sejam boas também; entretanto, temo que talvez elas não sejam suficientes para formar um top 10. De qualquer forma, vou deixar que vocês decidam se a qualidade das escolhas para novas adaptações realmente vem decaindo com o tempo ou se sou apenas eu que tenho ficado mais chata conforme envelheço. 

Em relação à temporada de outubro em si, temos algumas propostas interessantes. A equipe do Rukh no Teikoku vai tratar de acompanhar (ou pelo menos tentar uma chance aos primeiros episódios) as seguintes obras: 3-gatsu no Lion 2nd Season, Black Clover, Inuyashiki, Just Because!, Kino no Tabi: The Beautiful World, Konohana Kitan, Kujira no Kora wa Sajou ni Utau, Mahoutsukai no Yome e Net-juu no Susume.

3-gatsu no Lion 2nd Season [Mari]


Depois de alguns longos meses de espera, 3-gatsu no Lion está de volta. Levando em consideração que a obra ficou em segundo lugar na minha lista de animes preferidos do ano passado, não é nenhuma surpresa que eu esteja extremamente curiosa para descobrir que rumo a história de Kiriyama Rei tomará.

A Umino Chika, autora da obra original, é uma mangaká incrivelmente talentosa e, entre as coisas que ela sabe fazer, eu diria que desenvolver os seus personagens ao mesmo tempo em que ela aprofunda a relação entre eles é a melhor delas. O crescimento do Rei como personagem é algo maravilhoso de se acompanhar; é profundamente satisfatório ver como ele, aos poucos, vai superando as suas dificuldades, se abrindo um pouco mais e, acima de tudo, começa a se sentir querido e amado pelos outros. 

Neste primeiro episódio, dirigiu-se o foco para as atividades do Clube de Ciências e Shogi, do qual o Rei faz parte. Ele nunca havia participado de um clube antes, então vê-lo curtir esse momento, tendo a oportunidade de ensinar e aprender algo em troca, é de aquecer o coração. Em termos técnicos, a adaptação cumpre o que você esperaria de um estúdio como o SHAFT: a animação é bonita (especialmente da abertura!), a trilha sonora é ótima (embora eu particularmente não seja muito fã da YUKI) e os dubladores seguem fazendo um belo trabalho. Se os roteiristas não perderem a mão no meio do caminho, a segunda temporada de 3-gatsu no Lion definitivamente será uma das melhores coisas que 2017 terá a oferecer.

★★★★

Black Clover [Mari]


Eu ponderei muito até que resolvi escrever sobre Black Clover. Apesar de se tratar de uma obra popular da Shounen Jump, assim que a equipe que ficaria responsável pelo projeto foi anunciada, eu já sabia que não seria uma boa esperar grandes coisas da adaptação, pois: 1) o estúdio é ruim (Pierrot); 2) o diretor é novato na posição (ainda que tenha bastante experiência em key animation); e 3) o roteirista coleciona trabalhos terríveis. Por outro lado, eu não esperava que Black Clover se tornasse uma das piores estreias que eu vi em anos.

Para que vocês tenham uma ideia, passados oito minutos do início do episódio e eu já estava com o cursor na tela, conferindo a barra de reprodução e vendo se faltava muito para aquela tortura acabar. Ainda que eu não seja fã de hate-watching, resolvi fazer um esforço colossal para chegar até o fim do episódio. Constatei o seguinte:

Black Clover é uma cópia mal feita de vários shounens juntos. Por exemplo, os protagonistas são irmãos (não sei se com laço sanguíneo, mas isso não interessa) que cresceram como rivais um do outro e foram criados por um padre. Onde vocês já viram isso antes? Sim, em Ao no Exorcist. Um dos protagonistas, Asta, é o típico personagem cabeça-dura, barulhento e que não desiste nunca (Eren, Natsu, Naruto, Rin...). E como se não bastasse a personalidade clichê, ele ainda sofria bullying por ser o único cujo poder não havia se manifestado (Deku, é você?) até que PÁ, de repente descobrimos que ele na verdade é dono de uma quantia imensa de magia e, em dado momento do episódio, ele tira um poder demoníaco da bunda (com certeza o autor fez aula com o Hiro Mashima nesse aspecto). O outro personagem principal é o famoso calculista, inexpressivo e, ao contrário do Asta, não é incrivelmente irritante, mas é vazio. Quanto ao resto do elenco, não passa de um monte de figurantes em um primeiro momento.

• A equipe não tem a menor ideia do que está fazendo. Estou até agora me perguntando quem achou que seria uma boa ideia fazer com que o dublador do Asta, cuja voz já não é das melhores, ficasse gritando durante o episódio inteiro. Mais do que isso – gostaria de saber quem foi que APROVOU essa desgraça! A obra em si já não é aquela Brastemp, mas a voz insuportável do protagonista consegue piorar ainda mais a situação! Fiquei até com pena do dublador que está sendo xingado até a morte pelas redes sociais e fóruns da vida porque simplesmente ninguém aguenta ouvir o personagem falar sem ficar irritado.

 • O uso do CG é mal feito demais. O vilão que aparece no episódio (e que também é a coisa mais clichê do mundo) usa umas correntes como forma de ataque, mas é muito nítido que aquela coisa não foi feita em 2D e a sensação é de que o negócio nem faz parte da cena, de tão ruim e feio que ficou. Tirando isso, a animação em geral é decente, mas àquela altura do episódio eu já estava chorando lágrimas de sangue rosa e torcendo para que parassem de me torturar logo.

• Não há absolutamente nada que se destaque na adaptação. A trilha sonora é praticamente inexistente (não se destaca em cena alguma), os personagens não têm carisma nenhum, a dublagem do protagonista não funciona (se tentaram fazer algo parecido com Rin ou Bakugou, falharam miseravelmente), enfim... A experiência foi péssima.

Há boatos de que a história melhora no decorrer dos capítulos, mas eu definitivamente não vou pagar pra ver (a menos que algum dia eu crie coragem pra dar uma lida no mangá) porque eu simplesmente não suporto ver mais cinco minutos do Asta com a boca aberta.


Inuyashiki [Ana]


Que p**** eu acabei de ver? Para alguém que tem pouquíssimo conhecimento da obra original, eu estou bastante confusa.

A história de Inuyashiki gira em torno de um senhor de idade cuja família mal se importa com ele e que acaba descobrindo que tem câncer (de uma maneira que eu não recomendaria a ninguém). O senhor, ao saber que lhe restam apenas três meses de vida e já não vendo mais nenhuma perspectiva de conforto, sai para dar uma volta com o seu cachorro recém adotado para o meio do nada. Eis que ele vê um rapaz misterioso e uma luz, fazendo com que ele perdesse a consciência e, assim que abre os olhos novamente, percebe que VIROU UMA FUCKING MÁQUINA (mesmo por fora tendo a mesma aparência).

No primeiro episódio vemos ESSA CENA BIZARRA e como o senhor passa a agir, notando que já não tem mais nenhum dos problemas decorrentes da idade. Quando ele se depara com um morador de rua sendo atacado por um bando de crianças babacas, ele age feito um super-herói e ajuda o pobre homem. Temos também uma noção de como sua família o negligencia, os filhos não estão nem aí, o tratam mal e só sabem reclamar (até do cachorro que foi adotado!!!).

Eu realmente não sei o que esperar de Inuyashiki. Fico aguardando que de alguma forma as coisas relacionadas a esse acontecimento com o protagonista fiquem mais claras e o que possamos descobrir o que ele vai ser capaz de fazer agora que não é mais um humano (???).

Espero que não tenhamos inconsistências em relação à animação, pois sempre fico meio com o pé atrás em relação ao estúdio MAPPA. De qualquer forma, nesse primeiro episódio até que as coisas foram OK e vou torcer para que não desandem.

★★★


Just Because! [Ana]


Sinceramente, não sei bem o que achei dessa estreia. O primeiro episódio foi bastante introdutório, tratando de nos apresentar os principais personagens. Por um momento, cheguei a achá-lo um pouco arrastado, mas no final até que gostei.

O episódio teve como foco principal a transferência de Izumi Eita ao colégio no qual ele havia estudado há quatro anos e sua interação com Haruto. Achei particularmente engraçada a cena em que os personagens estão treinando beisebol e conseguem um home run. Em contrapartida, a nossa protagonista, Natsume Mio, foi muito pouco explorada nessa estreia. Além disso, tivemos também uma visão geral das atividades dos outros personagens, alunos do terceiro ano. No geral, percebi que Just Because! provavelmente será um anime com bastante diálogo, o que pode se torná-lo cansativo caso não seja bem executado.

Em termos técnicos, acho que o estúdio mostrou uma animação OK, simples, mas que cumpre o proposto. A adaptação traz muita gente estreante ou com pouca experiência tanto na equipe quanto no cast, então acredito que precisaremos acompanhar mais episódios para tirar melhores conclusões.

★★★


Kino no Tabi: The Beautiful World [Gabriel]


Kino no Tabi: The Beautiful World teve uma estreia muito boa. Eu não conhecia as versões anteriores, então não sabia bem o que esperar, mas a história parece interessante e estou curioso para saber como ela vai se desenrolar.

O anime conta a história de Kino, uma viajante que passa apenas três dias em cada local que visita e sua moto falante, Hermes. Neste primeiro episódio, ela viaja para um país onde o assassinato não é crime. Antes de chegar ao seu destino, ela encontra um viajante pelo caminho que deseja morar nesse país, afinal, lá é permitido matar quem quiser sem ser punido.

Eu fiquei um pouco surpreso com o fato da moto falar, mas logo você se acostuma com isso. Em relação ao primeiro episódio, a história se desenvolveu de uma forma inesperada, mas não foi ruim. A animação é bonita e o CG não é estranho, pois não exageram no seu uso. Já a trilha sonora não teve muito destaque durante o episódio, mas o tema de encerramento da Nagi Yanagi é ótimo.

 

Konohana Kitan [Ana]


Eu estava meio relutante em relação a assistir esse anime devido ao seu estilo moe, mas resolvi dar uma chance para o primeiro episódio e felizmente não me arrependi. Konohana Kitan passa uma vibe healing e agradável, as personagens são muito fofinhas e eu já estou amando todo mundo.

Em um vilarejo habitado por youkais, Yuzu uma garotinha que costumava morar nas montanhas é a nova funcionária de uma pousada, e que agora precisa se ajustar a nova vida. As outras personagens que trabalham no local são todas garotas e podemos sentir diversas yuri vibes no decorrer do episódio – o anime também é classificado como shoujo ai, então mesmo que nada seja muito explícito, sabemos que pelo menos não está apenas na nossa imaginação. De qualquer forma, acredito que Konohana Kitan será um slice of life leve e divertido de acompanhar.

Relevando o moe, já que não sou muito fã, a animação é bem bonita. As músicas de abertura e encerramento não chamam muita atenção, mas acredito que combinaram com o anime. O cast conta com a participação da Sayaka Ohara, uma dubladora que eu gosto muito. Por essas e outras, se o anime conseguir manter o mesmo nível de qualidade da estreia, acredito que teremos algo muito bacana no final das contas.


Kujira no Kora wa Sajou ni Utau [Gabriel]


Kujira no Kora wa Sajou ni Utau foi uma estreia que me agradou muito, tanto no visual quanto na história. Apesar de introdutório, o primeiro episódio teve um ritmo legal, permitindo que conhecêssemos um pouco sobre a população da Mud Whale e alguns de seus costumes. 

Em seus primeiros minutos, a série nos apresenta ao jovem Chakuro, um habitante da ilha onde 90% de seus moradores possuem o poder de usar samia, uma habilidade que faz com que eles morram muito novos. Outra ilha é avistada no mar de areia que cerca a Mud Whale e o garoto é um dos escolhidos para ir até lá. A ilha parece abandonada, mas o rapaz acaba por encontrar uma garota que tenta matá-lo, porém enfraquecida, desmaia e é levada para a ilha principal.

O anime tem um visual muito bonito, com cenários maravilhosos e personagens carismáticos. A trilha sonora não se destacou durante o episódio, mas o tema de encerramento me agradou bastante. Enfim, é uma obra cheia de mistérios sobre o mundo em que se passa e com certeza vou querer acompanhá-la até o final para saber como a trama irá se desenrolar.

Mahoutsukai no Yome [Mari]


Mahoutsukai no Yome, excetuando continuações, era possivelmente o anime mais esperado da temporada. Nesse sentido, devo dizer que a estreia não decepcionou: o Wit Studio (Shingeki no Kyojin, Koutetsujou no Kabaneri) caprichou na adaptação, trazendo uma animação acima da média, belos cenários e uma trilha sonora gostosa de ouvir. Para quem assistiu aos OVAs, no entanto, a qualidade da adaptação não é uma novidade (afinal, o estúdio vem trabalhando com ela há consideravelmente bastante tempo). Quem ainda não assistiu, recomendo que dê uma olhada para entender melhor o universo de Mahoutsukai no Yome.

A história gira em torno de Chise, uma garota de quinze anos que não possuía família alguma e, depois de anos sendo repassada de mão em mão entre seus parentes, eventualmente foi comprada por Elias, um mago não-humano que pretende transformá-la em sua aprendiz e futura esposa. Chise foi abusada durante toda sua vida por ser capaz de enxergar seres não-humanos que outras pessoas não conseguiam ver, o que fazia com que ela fosse taxada de estranha e as pessoas tivessem medo dela. Chise pretendia se matar antes de ser ofertada a possibilidade de "ser entregue a alguém que lhe desejasse" e, para a pobre garota, nada poderia ser pior do que a situação em que ela já se encontrava, o que a levou a aceitar a proposta. Foi assim que Chise conheceu Elias, que felizmente não permitirá que o destino dessa garota tome o rumo cruel que outrora imaginamos.

O passado de Chise é bastante semelhante ao de Natsume, de Natsume Yuujinchou, que também consegue ver criaturas estranhas, é órfão e sofreu abusos quando criança. No entanto, eu diria que a atmosfera de Mahoutsukai no Yome é mais pesada do que a de Natsume Yuujinchou e, apesar das semelhanças, as premissas são fundamentalmente diferentes. Estou ansiosa para ver como a Chise se desenvolverá como personagem e que rumo tomará a relação entre ela e o Elias.



Net-juu no Susume [Mari]


Assim que bati o olho em Net-juu no Susume, eu automaticamente senti umas ReLIFE vibes emanando da obra. Considerando que ReLIFE foi um dos meus animes preferidos do ano passado, isso com certeza era um bom sinal. Felizmente, meu sexto sentido não me enganou desta vez: Net-juu no Susume teve uma estreia sólida e, ainda que eu não possa dizer que foi uma "surpresa" agradável como vários críticos disseram por aí, acredito que podemos esperar boas coisas da adaptação.

A história gira em torno de Morioka Moriko, uma mulher de trinta anos que, cansada da vida adulta, escolheu se tornar uma NEET. Muitas das dificuldades enfrentadas pela protagonista são extremamente comuns e elas fazem com que nos identifiquemos com a personagem – desde o alívio de acordar às 7h da manhã no susto e descobrir que não precisa ir trabalhar até a aventura que é ir a uma loja de conveniências quando você não é exatamente o tipo sociável de pessoa. É claro que isolamento social não é um mecanismo de enfrentamento muito saudável, mas gostaria de encarar a escolha da Moriko como uma "pausa", um momento de "desacelerar", e não necessariamente um isolamento permanente. Acompanhá-la em suas aventuras online é incrivelmente divertido – as expressões que ela faz enquanto joga, as incertezas ao interagir com uma garota (ainda que ela também seja uma!), os desafios e fracassos que todo iniciante precisa encarar, entre outras coisas.

O outro personagem principal, Sakurai Yuuta, embora aparentemente seja um funcionário importante de uma grande empresa, me parece ser um rapaz tímido e com dificuldades de engajamento social. Ainda que eu tenha um pezinho atrás com esse negócio de "a mulher mudou depois de encontrar o homem certo" ou vice-versa, creio que Net-juu no Susume tem tudo para desenvolver um relacionamento bacana entre esses dois personagens (seja ele romântico ou não). Míseros 20 minutos foram suficientes para que eu me importasse com Moriko e Yuuta, o que significa que os roteiristas tiveram, pelo menos, um começo acertado (e assim espero que continuem).

Em termos técnicos, eu diria que Net-juu no Susume está um pouquinho acima da média. A animação é OK e funciona principalmente porque o estúdio não está tentando retratar um jogo online de forma realista, afinal, este não é o foco da obra; a dublagem é ótima (e eu não esperaria menos do que isso com Noto Mamiko e Sakurai Takahiro nos papéis principais); e, por fim, a trilha sonora combina com a atmosfera da obra.

Resumidamente, eu gostei da estreia e acho que tem tudo para ser um bom anime, desde que a equipe não perca a mão no decorrer dos episódios. Não é nada de excepcional, mas pra quem gosta de um anime divertido centrado em adultos, acredito que vale a pena dar uma olhada.