Especial | Os melhores animes de 15 estúdios diferentes - Parte 2

Depois de muitas lágrimas, sangue e suor, finalmente a segunda parte do especial sobre os melhores animes de 15 estúdios diferentes saiu! Para conferir a primeira, clique aqui. Na postagem de hoje, abordaremos os estúdios LIDENFILMS, Madhouse, P.A. Works, Production I.G e Satelight.

Fundado em 2012, o estúdio LIDENFILMS é novo e não possui muitas obras realizadas na íntegra, embora tenham participado como mão de obra terceirizada em várias produções. Por outro lado, devido ao fato de eles terem adaptado pelo menos três obras decentes e portanto cumprido o requisito para estar aqui, decidi falar um pouco sobre eles.

Apesar de várias pessoas falarem mal do estúdio, na minha opinião, vejo que eles conseguem entregar pelo menos uma animação mediana. Por se tratar fundamentalmente de uma empresa que trabalha com terceirização, acredito que não haja muita verba para que possam produzir animações acima da média. De qualquer forma, eles foram responsáveis por dois dos meus animes preferidos, por isso acho justo que estejam aqui. Minhas escolhas para o LIDENFILMS são: Arslan Senki, Udon no Kuni no Kiniro Kemari e Yamada-kun to 7-nin no Majo.

1) Arslan Senki

É verdade que Arslan Senki volta e meia apresenta um CG horroroso (principalmente nas cenas com soldados/cavalos, mas acho que isso é mais culpa do SANZIGEN). Contudo, vejo que no geral existe uma ambientação histórica bem feita., e é interessante destacar que a adaptação de Arslan Senki possui uma ótima equipe por trás: Abe Noriyuki (Great Teacher Onizuka, Kuroshitsuji: Book of Circus) na direção; Uezu Makoto (Ansatsu Kyoushitsu, Katanagatari) na composição da série; uma trilha sonora fantástica, incluindo nomes como Aoi Eir, Kalafina, NICO Touches the Walls e UVERworld; e um character design de ninguém menos do que Arakawa Hiromu (criadora de Fullmetal Alchemist, Gin no Saji). Vamos combinar que se o estúdio tivesse feito um trabalho porco, o anime não teria vendido razoavelmente bem nem ganhado uma segunda temporada, certo?

Quanto à história, já comentei aqui no blog em outras oportunidades. Vocês podem conferir clicando aqui.

2) Udon no Kuni no Kiniro Kemari

Udon no Kuni foi definitivamente um dos meus xodós de 2016. Não tenho como não gostar de um anime focado majoritariamente em personagens mais velhos e nas dificuldades da vida adulta, somado à inserção de um personagem que é a coisinha mais fofa do mundo (sério, eu queria um Poco pra mim, e olha que nem gosto de lidar com crianças).

Em relação à parte técnica do negócio, Takuno Seiki me parece ser o diretor chefe do LIDENFILMS e ele de fato fez um ótimo trabalho aqui - possivelmente o melhor dele até o momento. Aliás, a Takahashi Natsuko, pessoa responsável pela composição da série, também me surpreendeu porque eu já estava esperando o pior quando vi que ela tinha trabalhado com Brothers Conflict, Divine Gate e outras tranqueiras. Esta me parece ser uma daquelas pessoas que fazem um monte de produções medíocres e no meio delas encontramos umas hidden gems (que foi o caso de Udon no Kuni). Se você gosta de obras no estilo Barakamon e Usagi Drop (somente o anime), recomendo que assista.

3) Yamada-kun to 7-nin no Majo

Nunca imaginei na minha vida que recomendaria um harém, mas aqui estou. Bem, temos que considerar que o que me convenceu a assistir Yamada-kun to 7-nin no Majo não foi o aspecto romântico, mas sim do mistério e do sobrenatural. Além disso, eu sou seiyuu trash e o elenco está cheio de dubladores que eu gosto (Hayami Saori, Osaka Ryota, Uchida Maaya, Sawashiro Miyuki, entre outros).

Na minha opinião, a obra tem elementos atrativos e consegue fazer um trabalho relativamente bom adaptando o material original. Sim, a sensação que dá é que o anime foi rushado, mas vocês viram a quantidade de material que tinha para adaptar? Nesse sentido, a única coisa melhor que consigo pensar é ReLIFE (que a título de curiosidade, foi feito posteriormente pela mesma roteirista).


Fundado em 1972 por Maruyama Masao, Dezaki Osamu, Rintarou e Kawajiri Yoshiaki (todos ex-funcionários da Mushi Production), o estúdio Madhouse é um dos mais antigos da indústria ainda em atuação, sem ter perdido a força ou credibilidade, sendo responsável por dezenas de adaptações famosas (tanto no Japão quanto no Ocidente). Os títulos vão de clássicos como Ace o Nerae! (1973), Trigun (1998) e Card Captor Sakura (1998) a sucessos recentes, como No Game No Life, One Punch Man, Hunter x Hunter (2011). Além disso, eles também foram os responsáveis pela adaptação de Death Note, o maior sucesso do estúdio (com mais de 1 milhão de membros só no MyAnimeList).

O Madhouse possui mais de 300 títulos em seu repertório, passando pela maior variedade de demografias e gêneros possível. Apesar disso, eu acredito que eles se dão melhor com os seinens (Kiseijuu, Black Lagoon, Monster) e obras que envolvam bastante ação. Eu realmente gosto de muita coisa que esses caras produziram e tenho mais de 15 animes deles me esperando na lista de plan to watch - é quase um crime me fazer escolher só três. De qualquer forma, embora Death Note seja definitivamente um marco dos animes, por ser um assunto extremamente batido, decidi deixá-lo de fora. Minhas escolhas são: 1) Black Lagoon; 2) NANA; e 3) Chihayafuru. 

Infelizmente, no entanto, eu amo tanto esses três títulos que já falei deles aqui e não gostaria de ser repetitiva. Portanto, quem tiver interesse, pode conferir clicando aqui. O Shiki também fez uma resenha de Chihayafuru no ano passado que pode ser conferida clicando aqui. 

Menções honrosas:

• ACCA: 13-ku Kansatsu-ka: uma das melhores coisas que a gente teve em 2017 até o momento, com uma estética diferenciada e personagens maravilhosos.

• Death Parade: querido por muitos, trata-se de uma ótima obra que mexe com o psicológico humano.

• One Outs: um ótimo anime de esporte, diferenciado sobretudo pelos elementos de psicologia humana presentes nele.

• Rainbow: Nisha Rokubou no Shinchinin: um dos meus animes preferidos. A discussão sobre ele vai longe, por isso fiz uma resenha (confira clicando aqui).



Fundado em 2000 por Horikawa Kenji (ex-funcionário dos estúdios Tatsunoko Production e Production I.G e co-fundador do falecido Bee Train ao lado de seu amigo Mashimo Kouichi), o estúdio P.A. Works é conhecido principalmente pela qualidade técnica de seus trabalhos, além de supostamente (há controvérsias) ser um dos poucos a oferecer melhores condições de trabalho para os animadores em uma indústria que beira à escravidão em alguns casos.

Muitos de seus títulos apresentam uma proposta de valorizar a vida no interior, e especialmente os cenários são fantásticos. Os maiores sucessos do estúdio incluem Angel Beats (vendendo em torno de 34 mil cópias por volume) e Shirobako (vendendo em torno de 16 mil cópias por volume). Os outros títulos costumam ser do tipo hit or miss, podendo beirar os 10 mil ou flopar lindamente.

Leituras complementares:


Honestamente, o P.A. Works tem uns animes tão bons, mas outros tão ruins, que eu não sei como eles dão conta - é verdadeiramente a personificação da inconstância. Quero dizer, como o mesmo estúdio de Shirobako, Hanasaku Iroha e Nagi no Asukara conseguiu produzir insultos à inteligência humana como Charlotte e Glasslip? E o pior é que são todos animes originais do estúdio, não dá nem para culpar a fonte. (Não assisti Nagi no Asukara nem Glasslip, mas para redigir este pequeno parágrafo estou contando com o senso crítico de outra redatora do blog, a Gab).

Bem, de qualquer forma, meus escolhidos do P.A. Works são: 1) Shirobako; 2) Tari Tari; e 3) Uchouten Kazoku. Acredito que já falei o suficiente sobre Shirobako em outras oportunidades (vocês podem conferir clicando aqui e aqui), mas os outros dois precisam que eu distribua mais amor.

2) Tari Tari

Sim, Tari Tari é mais um anime que tem a música como elemento principal. Eu não sei por que a obra é tão flopada, já que na minha opinião existe um desenvolvimento decente de personagens, junto de protagonismo feminino e um elenco de dubladores com várias pessoas talentosas. O Hashimoto Masakazu não me parece ter muita experiência como diretor, mas aqui eu vejo que ele fez um bom trabalho (dizem que é um talento em ascensão). A melhor sinopse que encontrei do anime foi a seguinte (infelizmente não sei de quem é a autoria já que um monte de site colocou igual, por isso se alguém souber, me avise nos comentários): 

O último ano do colegial é sempre o momento de olhar tanto para o passado quanto para o futuro. Antes de você viver o futuro, alternadamente brilhante e assustador, atrás de você existem memórias tristes e felizes, e, de alguma forma, no decorrer de um único ano, você tem que conciliar esses dois tipos e decidir para onde a sua vida vai parar. Para Wakana Sakai, que tinha começado a estudar música, é hora de enfrentar a tragédia que a fez abandonar este caminho. Para Sawa Okita, tudo se trata de seu sonho de ser uma equitadora profissional. E Konatsu Miyamoto só quer reunir seus amigos através da magia da música. Algo tão simples como a formação de um clube de coral pode realmente ajudar a resolver as mágoas e dores que nos acompanham durante o crescimento? A música pode reunir as pessoas apesar de suas diferenças? 

O Erick do nosso parceiro AnimeCote postou uma review muito legal de Tari Tari escrita pelo xbobx um tempo atrás. Quem tiver interesse, recomendo que leia! A postagem pode ser conferida clicando aqui.

3) Uchouten Kazoku

Embora o P.A. Works tenha produzido animes de dois cours antes, Uchouten Kazoku foi a primeira adaptação a efetivamente receber uma segunda temporada. Muita gente pode ficar com o pé atrás por causa da proposta inicialmente louca do anime, porém eu recomendo dar uma chance a ele, principalmente pela ênfase em uma estética diferenciada (a Gab poderia falar sobre isso melhor do que eu). O visual de Uchouten Kazoku é possivelmente a melhor coisa da obra, e eu aprendi a gostar dos personagens e passei a compreender melhor o enredo no decorrer dos episódios.

Em resumo, existem três tipos de moradores em Kyoto: seres humanos, tanukis e tengus. Yasaburou, um tanuki especialista em se transformar e protagonista do anime, cuida de um velho tengu (pois estes são seres sagrados para os tanukis), ao mesmo tempo em que briga com outros tanukis (seus parentes chatos) e se apaixona por uma garota meio humana e meio tengu, ficando cada vez mais próximo de descobrir a verdade sobre a morte de seu pai. 

Sim, o barato é louco, mas vai por mim que o negócio vale a pena.



Fundado em 1987 como uma colaboração entre o produtor visionário Mitsuhisa Ishikawa e o famoso character designer Takayuki Goto, inicialmente nomeado "I.G Tatsunoko" (carregando as iniciais dos fundadores junto do estúdio renomado do qual eles vieram), o Production I.G, assim estabelecido a partir de 1993, rapidamente atingiu sucesso em termos de vendas e passou a se expandir em tamanho e influência (tanto no Japão como internacionalmente).

Subdividido em departamentos que incluem os estúdios Xebec e Mag Garden (mais o falecido Bee Train), de acordo com seu site oficial, o Production I.G possui um capital de 10 milhões de ienes (R$ 295.900,00) e mais de 120 funcionários (2007). Premiado em países como França, Itália, Canadá e República Checa, além do próprio Japão, o estúdio foi responsável por animações originais como Psycho-Pass (primeira temporada somente) e Guilty Crown, grandes adaptações de sucesso como Kuroko no Basket, Haikyuu!! e Ghost in the Shell, além de outras centenas de títulos. 

Eu sinceramente acredito que o Production I.G é capaz de produzir qualquer tipo de obra com qualidade. Entretanto, penso ser interessante destacar as produções de animes de esporte que o estúdio faz (Diamond no Ace, além dos outros dois citados acima), pois na minha opinião, são os melhores em termos de animação. 


Com tantas obras de qualidade, é difícil escolher somente três. No entanto, ficarei com os seguintes títulos: 1) Haikyuu!!; 2) Psycho-Pass; e 3) Seirei no Moribito. Acredito já ter falado suficientemente bem dos dois primeiros aqui, mas o terceiro é um daqueles animes hipsters que merecem mais reconhecimento.


Seirei no Moribito (2007) é um anime histórico de ação, aventura e fantasia relativamente antigo, mas que eu julgo ter envelhecido bem. Baseado no livro de Uehashi Nahoko, escritora premiada e professora universitária com um PhD em etnologia, Seirei no Moribito conta a história de Balsa, uma lanceira a quem é dado o dever de salvar vidas em compensação a um passado cheio de pecados e erros.

Durante sua jornada, Balsa acaba por ter de salvar um príncipe, e lhe é ordenado que se torne seu guarda-costas. O príncipe, Chagum, é perseguido pelo próprio pai, o Imperador, que o quer morto, pois acredita que seu filho está possuído por um espírito maligno.

Falamos muito de protagonismo feminino aqui no Rukh no Teikoku, e Seirei no Moribito é um exemplo perfeito de como mulheres podem sim protagonizar ótimas obras sem haver a necessidade de se limitar a uma única demografia (shoujo). Para quem tem interesse em obras que retratrm períodos históricos e gosta de ver uma mulher badass chutando a bunda de caras que tentam diminui-la pelo seu gênero, Seirei no Moribito está recomendadíssimo.

Menções honrosas:

Higashi no Eden: uma ótima obra original de ficção científica que venceu a categoria de televisão no Animation Kobe Award em 2009, assim como o prêmio de melhor anime do ano na 9ª edição do Tokyo International Anime Fair.

Usagi Drop: quero agradecer aos deuses dos animes pelo Production I.G nunca ter feito uma segunda temporada de Usagi Drop. O anime é excelente e deve permanecer assim. Como já disse anteriormente, vamos fingir que o mangá não existe e que a história não foi ladeira abaixo depois disso.



Fundado em 1995, o nome do estúdio Satelight consiste em "S" de Sapporo, onde fica localizado; "A" de Animate (animar); "T" de Technology (tecnologia) e "E" de Entertainment (entretenimento). Eles são conhecidos principalmente pela adaptação de Fairy Tail (primeira temporada), que faz parte do quarteto shounenzões de porrada mainstream (ao lado de Bleach, Naruto e One Piece), assim como de Macross Frontier, tido por unanimidade como o melhor anime da franquia.

Nesses 22 anos de estrada, o Satelight produziu um pouco mais de 80 títulos com pouquíssimos destaques. Particularmente não tenho muito carinho por nenhum deles (embora já tenha tido por Fairy Tail um dia), mas pela quantidade considerável de títulos e o tempo de existência do estúdio, decidi mencioná-lo. Minhas escolhas são: 1) Log Horizon; 2) Nanbaka; e 3) White Album 2.

1) Log Horizon

Eu sinceramente nunca fui muito chegada em jogos de RPG (quem dirá de MMORPG), mas desde o sucesso estrondoso de Sword Art Online em 2012, o número de adaptações de obras envolvendo essa modalidade de jogo aumentou.

Log Horizon é definitivamente uma versão melhorada de SAO (ou seria SAO uma versão piorada de Log Horizon? Fica aí o questionamento), pois além de se livrar das tropes de harém presentes no seu antecessor, o anime conta uma história muito mais inteligente, com elementos de fantasia, aventura e política, através dos olhos de um mestre estrategista.

De pontos positivos, penso que poderia citar o elenco de personagens extenso e diversificado, contando com a participação de inúmeros dubladores talentosos. Além disso, a trilha sonora de Takanashi Yasuharu (All Out!!, Fairy Tail) é algo a se destacar.


2) Nanbaka

Escolhi Nanbaka com base no mesmo critério de Amagi Brilliant Park na postagem anterior: diversão. A obra obviamente não tem a mesma qualidade técnica que a de um anime da Kyoto Animation, mas eu gosto bastante do character design e das cores vivas utilizadas na adaptação em geral.

Em resumo, Nanbaka segue o dia a dia de quatro prisioneiros que habitam a prisão mais formidável do mundo. É uma comédia de ação com o único objetivo de divertir os espectadores. Humor é subjetivo, é claro - no entanto, a adaptação foi dirigida por Takamatsu Shinji (Danshi Koukousei no Nichijou, Gintama), um cara que costuma ser elogiado pela sua habilidade de produzir boas obras de comédia.

É o caso de dar uma olhada nos primeiros episódios e ver se o anime te agrada.



3) White Album 2

Possivelmente um dos melhores animes de romance que eu já assisti, embora seja acompanhado por muitas imagens de dor e sofrimento. White Album 2 se inicia com o conflito do protagonista Kitahara Haruki, cujo clube de música do colégio está à beira do colapso. Se nada for feito, o sonho dos terceiranistas de se apresentarem no festival da escola nunca se realizará.

Entretanto, num belo dia em que Haruki está treinando "White Album" na sala do clube, a primeira música que ele aprendeu a tocar, uma voz angelical e sons de um piano misterioso passam a entrar em sintonia com seus acordes solitários. É uma performance momentânea que marca o início de tudo para Haruki. A partir daí, seguimos o último semestre do protagonista no colegial, que inclui um romance complexo e músicas de tirar o fôlego.

Embora tenha uma certa conexão com White Album, uma adaptação de Visual Novel mais antiga feita pelo estúdio Seven Arcs, o anime de White Album 2 pode (e deve) ser visto sem a necessidade de assistir ao seu antecessor, pois isso não interfere na compreensão da obra. Em um primeiro momento, pode parecer se tratar de um triângulo amoroso clichezão, mas não é.