Especial | Os melhores animes de 15 estúdios diferentes - Parte 1

Conversando com o Gapso, redator do HGS Anime, sobre a inconsistência do estúdio A-1 Pictures, me veio a ideia de escrever esta postagem. Assim como vocês devem saber, a indústria dos animes é um ramo de negócios que possui décadas de história para contar. Devido a todo esse tempo no mercado, inúmeros estúdios já abriram - alguns permanecem fortes até hoje, outros perderam a credibilidade que um dia tiveram, há quem já tenha fechado as portas ou decretado falência, e dentre eles temos também os novatos e o surgimento de novos talentos. 

Seria impossível fazer uma lista com todos os estúdios que existem ou já existiram. Por esse motivo, selecionei quinze deles que possuam uma quantidade considerável de trabalhos feitos ou que já tenham contribuído com pelo menos três títulos suficientemente bons para figurarem aqui. São eles: A-1 Pictures, Bones, Brain's Base, J.C. Staff, Kyoto Animation, LIDENFILMS, Madhouse, P.A. Works, Production I.G, Satelight, Silver Link., Studio Pierrot, TMS Entertainment, ufotable e White Fox.

Vale lembrar que só fui capaz de incluir animes que eu já tenha assistido até o fim. Antes de me perguntarem "mas Mari, por que tal anime não consta na lista?", confiram meu MyAnimeList (cliquem aqui) para verificar se tal obra está lá. Tenho noção de que meu conhecimento de obras pré-2000 é escasso (até por isso estúdios mais antigos como Sunrise e Toei Animation não estão aqui), então peço que levem esse critério em consideração ao julgar o conteúdo da postagem.

Fora esse critério óbvio, vale ressaltar que meu gosto pessoal tem uma parte importante aqui. Apesar disso, procurei considerar obras que tenham apresentado um certo diferencial estético ou feito uma adaptação de excelência do material original, além de possíveis premiações e grandes sucessos de venda. Procurei, também, acrescentar um breve background de cada estúdio, junto de informações que considero relevantes. Espero que gostem!

Fundado em 2005 por Mikihiro Iwata (ex-produtor do Sunrise) como uma subsidiária da Aniplex, o estúdio A-1 Pictures foi responsável pela adaptação de grandes sucessos de venda recentes, como Sword Art Online (vendendo incríveis 36 mil cópias, em média, por volume só na primeira temporada), Ao no Exorcst e Shigatsu wa Kimi no Uso

Em entrevista ao AnimeNewsNetwork, o presidente do estúdio, Masuo Ueda fala, entre outras coisas, sobre o impacto do final de Gundam (que é um dos melhores na opinião dele, com todo aquele negócio do quão importante é ter amigos ao seu redor), e afirma que a política estabelecida dentro do A-1 Pictures ao fazer um novo anime é "aceitar novos desafios em termos de produção". O objetivo do estúdio, portanto, é conseguir se diferenciar em meio a tantos outros, trazendo ideias inovadoras e mensagens de encorajamento ao público consumidor.

Leituras complementares:


O A-1 Pictures, por ter surgido nos anos 2000, é possivelmente um dos estúdios com o maior número de obras que eu já vi. Entretanto, há três títulos que eu acredito que merecem destaque: 1) Ao no Exorcist; 2) Ookiku Furikabutte; e 3) Shigatsu wa Kimi no Uso.

1) Ao no Exorcist

Vamos ignorar o fato de que a primeira temporada do anime teve final original (provavelmente por falta de material suficiente para dois cours em 2011), cuja correção foi feita na segunda temporada, que estreou em janeiro desse ano.  

Ao no Exorcist é um dos meus shounens preferidos, pois além de misturar elementos de ação, sobrenatural e fantasia, conta com uma trilha sonora fantástica e um elenco de dubladores talentosos. Acredito que se encaixa na proposta do presidente do estúdio, inclusive, quando se diz respeito à importância da amizade e de laços familiares. Ainda que não seja esteticamente inovadora, é uma obra pela qual possuo carinho e que vai ter sempre um lugar especial no meu coração por ter sido um dos primeiros animes que assisti (desconsiderando obras de quando eu era criança).

2) Ookiku Furikabutte

O grande primeiro trabalho do A-1 Pictures. Embora Ookiku Furikabutte não tenha pegado a época de ouro dos animes de esporte, a adaptação vendeu surpreendentemente bem - cerca de 19 mil cópias, em média, por volume, que rendeu uma segunda temporada em 2010. Acredito que essa obra possua vários pontos excelentes: 

a) O time principal é treinado por uma mulher, apelidada de Momokan, que logo no episódio de estreia esmaga (quase literalmente) qualquer visão machista que os meninos possam ter quanto à competência de uma treinadora de baseball (um esporte que infelizmente tem um histórico de machismo, considerado ~violento demais para garotas~, e inclusive levou à criação do softball). 

b) O desenvolvimento dos personagens - sobretudo dos protagonistas. Mihashi é um garoto introvertido que, aos poucos, passa a construir uma relação de confiança com seu parceiro de bateria, Abe (o que obviamente alegrou muito as fujoshis e rendeu várias fanarts e fanfics, mas não estou reclamando :P). 

c) O character design de Yoshida Takahiko (NHK ni Youkoso!, Yowamushi Pedal) foi capaz de melhorar o traço da autora, que me dói dizer, mas é muito feio (ela compensa com a história). 

Por ter ido ao ar 10 anos atrás, não se fala muito sobre esse anime hoje, mas acredito que ele tenha envelhecido bem. Recomendo que todos os fãs de animes de esporte o assistam, pois vale a pena. Apenas peço que tenham um pouco de paciência com meu filho, Mihashi, obrigada!

3) Shigatsu wa Kimi no Uso

Shigatsu wa Kimi no Uso é definitivamente um dos melhores (se não o melhor) shounens em que o drama exerce um papel essencial na obra que eu já vi. Ainda que a trama possua problemas (sobretudo em relação ao desenvolvimento da Kaori, conforme discutimos em outra postagem do blog), a qualidade da adaptação é inquestionável. 

Vencedor do Sugoi Japan® Awards em 2016, Shigatsu wa Kimi no Uso conta a história de superação de um garoto que havia perdido a única coisa que dava sentido a sua vida: a habilidade de tocar o piano. Mesclada com romance, a obra mostra o quão importante a música pode ser na vida das pessoas. 

Como uma grande apreciadora de música, podemos dizer que Shigatsu wa Kimi no Uso, mesmo com seus problemas, me atingiu right in the feels.

Menções honrosas:


Boku dake ga Inai Machi: uma das melhores coisas que tivemos em 2016, embora a reta final tenha decepcionado. Falei mais sobre ele aqui.

Doukyuusei (Movie): um BL que presta e não é cheio de relacionamentos abusivos! Eu ouvi um amém?

Shinsekai Yori: esse é para você que gosta de animes diferentões com elementos de horror, mistério, ficção científica e sobrenatural.


Fundado em 1998 pelo produtor Masahiko Minami, o character designer Toshihiro Kawamoto e o falecido diretor de animação Hiroshi Osaka (todos ex-funcionários do estúdio Sunrise, que trabalharam com Shinichiro Watanabe em Cowboy Bebop), o estúdio Bones é conhecido principalmente por sua consistência, além de ter animado as melhores cenas de ação que esta jovem mortal que vos escreve já viu (sério, assistam ao filme Stranger: Mukou Hadan). Sucessos recentes do Bones incluem Boku no Hero Academia, Mob Psycho 100 e Kekkai Sensen.

Escolher apenas três obras deste estúdio excelente foi uma tarefa difícil pra mim. Apesar disso, como este foi o critério estabelecido para o especial, não posso quebrá-lo. Portanto, os títulos escolhidos foram: 1) Darker than Black; 2) Fullmetal Alchemist: Brotherhood; e 3) Tokyo Magnitude 8.0. 

Sobre os dois primeiros títulos escolhidos eu já discorri na postagem dos 30 melhores animes dos anos 2000, por isso peço que os interessados confiram a postagem clicando aqui. Quanto ao terceiro, devo dizer que a obra exerceu um grande impacto sobre mim.

Tokyo Magnitude 8.0 é um anime de 11 episódios produzido em parceria com o estúdio Kinema Citrus (Black Bullet, Barakamon), que relata o desespero das pessoas no aftermath de um terremoto de magnitude 8.0. 

Esta obra nos faz refletir sobre muitas coisas. Por exemplo: a protagonista, Mirai Onozawa, uma estudante do ensino fundamental, não está feliz com as circunstâncias familiares dela. Em um momento de frustração, antes do terremoto ocorrer, ela deseja que tudo se destrua e desapareça. Este é um desejo que se torna realidade com o terremoto, mas obviamente ela aprende do jeito difícil que não era isso que realmente queria.

Tokyo Magnitude 8.0 me fez pensar sobre como fazemos muito caso de pouca coisa, como tendemos a não valorizar nossos familiares da forma que eles merecem e como pensamentos destrutivos são assustadores.

Menções honrosas:

Akagami no Shirayuki-hime: um shoujo que merece mais amor, principalmente por ter uma protagonista que se recusa a ser resumida ao papel de "donzela em perigo".

No. 6: um anime de ação e ficção científica que consegue apresentar uma boa representação de casal homoafetivo.


Fundado em 1996 por Kazumitsu Ozawa (ex-funcionário do estúdio TMS Entertainment), o Brain's Base é mais um estúdio conhecido pela qualidade técnica e principalmente pela sua diversidade de títulos. Suas obras de maior sucesso incluem Durarara!! (vendendo, em média, 18 mil cópias por volume), Yahari Ore no Seishun Love Comedy wa Machigatteiru. (apenas a primeira temporada) e Baccano!. Em 2016, o terceiro departamento do Brain's Base se tornou independente, dando origem a um novo estúdio, o Shuka, responsável por continuar títulos como Durarara!! e Natsume Yuujinchou, além de produzir 91 Days, um ótimo anime original.

Leitura complementar: 


Quando se diz respeito ao grande sucesso do Brain's Base, Durarara!!, eu sou uma das pessoas do contra. Juro pra vocês que eu tentei gostar do anime, de verdade, mas assisti à primeira temporada me arrastando e fui obrigada a droppar a segunda no 6º episódio. Embora DRRR!! seja popular tanto no Japão quanto no Ocidente, eu realmente não consegui ser conquistada pela obra. Apesar disso, devo concordar que Yahari Ore no Seishun Love Comedy wa Machigatteiru. é de fato excelente (embora eu ache a segunda temporada melhor, produzida pelo feel.), assim como Natsume Yuujinchou (que inclusive já resenhei aqui).

Bem, tirando os grandes sucessos mencionados, o Brain's Base já produziu alguns animes levemente hipsters, que na minha opinião merecem mais amor. Digo "levemente" porque na verdade um número razoável de pessoas assistiu tais obras, mas pouquíssimas comentam sobre. Portanto, minhas escolhas para este estúdio são: 1) Natsume Yuujinchou (que vocês podem conferir minha resenha clicando aqui); 2) Bokura wa Minna Kawaisou; e 3) Isshuukan Friends.

2) Bokura wa Minna Kawaisou

Eu honestamente não sei se tenho um senso de humor distorcido, mas para um anime de comédia me fazer rir, ele tem que ser diferente de alguma forma. Aquele tipo de humor que só funciona com otaku não dá certo comigo (por exemplo, assisti ao primeiro episódio de KonoSuba e não esbocei nem um sorrisinho). Nesse sentido, Bokura wa Minna Kawaisou me pegou de jeito. 

Com personagens excêntricos que vão de um masoquista pervertido, uma funcionária de escritório que beira o alcoolismo e odeia casais porque tem péssima sorte com homens a uma universitária fofinha que secretamente gosta de fazer os machos correrem atrás dela, esse anime conseguiu fazer minha barriga doer de tanto rir. 

No meio desse povo todo (que não bate muito bem da cabeça, diga-se de passagem) está nosso protagonista Usa e a outra moradora do Complexo Kawai, a introvertida Ritsu. Da mesma forma que o humor de KonoSuba não funcionou comigo, é possível que o humor de Bokura wa Minna Kawaisou não funcione com todo mundo. Entretanto, quando se fala de comédia, é nele que eu penso. É claro que alguns estereótipos usados pelo criador da obra merecem ser criticados, mas apesar disso, não me lembro de ter encontrado algo de fato ofensivo enquanto assistia. (Se minha memória estiver falhando, por favor, me avisem).

3) Isshuukan Friends.

A história de Isshuukan Friends. (One Week Friends) gira em torno de Yuuki Hase, um garoto que quer se tornar amigo de sua colega de classe, Kaori Fujimiya. No entanto, ela rejeita sua amizade, pois depois de uma semana, todas as suas memórias desaparecerão. Mesmo assim, Yuuki continua querendo se tornar seu amigo e, dessa forma, os dois viram "novos" amigos a cada semana que se passa.

Sabe aquelas histórias que são feitas para aquecer o seu coração ao mesmo tempo em que você sofre um pouquinho? Então, Isshuukan Friends. é uma delas. Embora eu tenha achado o character design meio estranho em um primeiro momento (especialmente por causa dos olhos que fogem do padrão), logo deixei isso pra lá assim que comecei a acompanhar a obra. 

Há várias coisas que eu gosto nela, mas a principal é provavelmente Kiryuu Shougo (dublado pelo Hosoya Yoshimasa, um dos meus seiyuus preferidos), o amigo do protagonista. Na minha opinião, ele comanda os melhores diálogos do anime (talvez o fato do Suga Shoutarou ser o responsável pela composição da série tenha algo a ver com isso), além de ser uma peça fundamental para o desenvolvimento da relação entre Kaori e Yuuki. Tenho sentido um amor crescente por slices of life em anos recentes, por isso recomendaria essa obra para quem gosta do gênero atrelado a elementos de romance e um pouco de drama (sim, estou aqui para sofrer).



Fundado em 1986 por Tomoyuki Miyata (ex-funcionário do estúdio Tatsunoko Production), o J.C.Staff, cuja abreviação significa "Japan's Creative Staff" (Equipe Criativa do Japão), é o segundo estúdio mais antigo da primeira parte desta lista. Conhecido principalmente por sucessos como Toradora! e Nodame Cantabile, além do clássico Shoujo Kakumei Utena e o primeiro anime a ir ao ar no bloco noitaminA, Hachimitsu to Clover, o J.C.Staff coleciona centenas de obras em seu repertório. Em anos recentes o estúdio tem se focado mais em slices of life (Flying Witch, Kimi to Boku., Amanchu), que é o que eles fazem de melhor, na minha opinião, e ecchis (Shokugeki no Souma, Dungeon ni Deai wo Motomeru no wa Machigatteiru Darou ka, Prison School).

Amado por uns e odiado por outros, mas que continua a produzir em média 8 animes por ano sem deixar a qualidade cair, alguma coisa o estúdio vem fazendo certo para ainda estar de pé depois de 30 anos de estrada, certo? Bem, entre as coisas que eles fizeram certo, eu diria que Amanchu!, Flying Witch e Hachimitsu to Clover estão entre elas. Todas as três são excelentes obras de slice of life (inclusive já comentei sobre a primeira e a terceira aqui).

Quanto a Flying Witch, não constou na minha lista de melhores animes de 2016 porque eu ainda não tinha assistido quando escrevi a postagem, mas se pudesse fazer de novo, definitivamente colocaria lá. O J.C.Staff conseguiu inserir os elementos de magia de uma forma tão natural, que é quase como se fosse "normal".

Flying Witch é tudo que eles fazem de melhor - dirigido por Sakurabi Katsushi (Alice to Zouroku, Kamisama no Memochou) e tendo a excelente Mieno Hitomi (Amanchu!, Arakawa Under the Bridge) como responsável pela composição da série, a obra conta as aventuras de Makoto Kowata, uma bruxa aprendiz que deixa a casa de seus pais em Yokohama em busca do conhecimento, e parte para a região de Aomori, um lugar favorável às bruxas pela sua abundância de natureza e afinidade com magia.

Fora os citados, Bakuman. é outro anime que merece um certo destaque, apesar de ter seus problemas, pois é uma das obras que nos mostram como a indústria dos animes e mangás funciona; Sakurasou no Pet na Kanojo é mais uma obra muito amada pelos fãs aqui no Ocidente e vários aguardam uma nova temporada, embora não seja provável que ela aconteça já que as vendas não foram muito boas e faz 5 anos que o anime foi ao ar. 

Leitura complementar: 



Fundado em 1981 e de fato estabelecido em 1985, o estúdio Kyoto Animation (KyoAni) é o mais antigo da primeira parte desta lista. Em seu site oficial, a KyoAni define a filosofia de sua empresa através dos seguintes princípios: "Crie um desafio", "Faça o melhor", "Produza trabalhos requisitados" e "Mantenha nossa empresa como humanitária". Eles valorizam as pessoas, pois promover o crescimento delas é o mesmo que criar o brilhantismo do trabalho deles. 

Assim como qualquer pessoa pode perceber, a qualidade de animação da KyoAni é algo absurdo! Para que vocês entendam, eles têm uma escola própria para treinar animadores e somente os melhores estudantes são contratados para trabalhar no estúdio, além de produzirem praticamente tudo "in-house", ou seja, sem terceirização (como a maioria esmagadora dos estúdios faz). Praticamente tudo que eles produzem é um sucesso de vendas: Clannad (24 mil cópias, em média, por volume), Suzumiya Haruhi no Yuuutsu (42 mil cópias, em média, por volume), K-ON! (43 mil cópias, em média, por volume), Free! (29 mil cópias, em média, por volume). Até quando a adaptação que eles fazem "flopa" (para padrões de KyoAni), ela vende bem (Amagi Brilliant Park, 6 mil cópias, em média, por volume). Com uma centena de animes produzidos, uma infraestrutura em expansão e nadando em rios de dinheiro, a KyoAni é possivelmente o melhor estúdio do Japão.

Leituras complementares: 


Honestamente, em todos esses anos assistindo animes, eu vi somente um produzido pela KyoAni que era de fato ruim, mas isso na verdade era culpa do material original (Musaigen no Phantom World). Com exceção dele, os outros títulos variam de medianos e bons a muito bons ou excelentes. Já que tenho que escolher três, ficarei com 1) Amagi Brilliant Park; 2) Hibike! Euphonium; e 3) Kyoukai no Kanata. Sei que vão querer me matar por não ter colocado Clannad aqui, mas bem... a vida tem dessas coisas, né?  ¯\_(ツ)_/¯

1) Amagi Brilliant Park

Amagi Brilliant Park (Amaburi) é simplesmente uma das coisas mais divertidas que eu já assisti (ainda que aquele último episódio não tenha feito muito sentido...). Dirigido por Takemoto Yasuhiro (Hyouka) e tendo a composição da série feita por Shimo Fumihiko (Air, Kokoro Connect), Amaburi consegue equilibrar perfeitamente os elementos de comédia e drama no desenrolar da corrida contra o tempo de Kanie Seiya em sua missão para evitar o fechamento do Amagi Brilliant Park, um parque temático cujos funcionários são seres mágicos misteriosos que dependem da energia gerada pelas pessoas ao se divertirem para sobreviver. A animação dispensa comentários e o elenco de dubladores está cheio de pessoas talentosas. Talvez não pareça atrativo para quem não gosta de fantasia, mas é algo que eu recomendaria para qualquer um que queira se divertir um pouquinho.

2) Hibike! Euphonium

Continuo brava com a KyoAni e o famigerado queerbaiting que está presente em várias de suas obras, mas, apesar disso, a qualidade de Hibike! Euphonium é inegável. A primeira temporada, sobretudo, possui um investimento nos personagens (tanto na construção de cada um quanto no desenvolvimento das relações entre eles), executado de uma forma que eu não via em tempos. Eles são tão humanos, tão fáceis de nos identificarmos... Me faltam palavras para descrever o que eu sinto adequadamente. Além disso, a música também tem um papel importante nesse anime, e como já falei aqui, isso só me faz apreciar a obra ainda mais. Os cenários são maravilhosos - uma verdadeira obra de arte.

A segunda temporada se perdeu um pouco no roteiro (como já discutimos aqui) e não foi tão boa quanto poderia ter sido, mas ainda assim é algo que vale a pena dar uma olhada (principalmente por causa do desenvolvimento da Asuka).

Leitura complementar: 


3) Kyoukai no Kanata

Esse anime é um caso sério. Muita gente ama, muita gente odeia. A primeira review do MyAnimeList começa dizendo mais ou menos o seguinte: "assistir a Kyoukai no Kanata é como andar de trem, mas conforme ele se move, ele cai numa espiral, se joga no abismo e finalmente vira um monte de destroços no fundo de um poço". Eu honestamente ri muito dessa descrição e obviamente achei um tanto exagerada, já que fico num meio termo entre os dois. Não nego que o roteiro tenha problemas, mas acho a tentativa da KyoAni de fazer algo no qual não tinha se aventurado antes, válida.

Conforme diz a sinopse traduzida pelo ChuNan!, Kyoukai no Kanata conta a história de um garoto chamado Akihito Kanbara, que na verdade é meio humano e meio “Youmu”, uma criatura que consegue se curar rapidamente de feridas e machucados. Em um novo ano letivo, Akihito conhece Mirai Kuriyama, uma garota que tenta se suicidar pulando do telhado do colégio. Akihito salva a garota da morte, mas mal sabe que ele está se envolvendo com a única pessoa do mundo, até mesmo espiritual, a conseguir controlar sangue. A partir daí surge uma história de suspense e de extrema tensão que te prende a cada instante que passa.

A premissa, na minha opinião, é interessante. A adaptação teve problemas de execução? Teve. Isso transforma a obra num lixo? Não. Para quem tiver se interessado pela proposta, eu realmente recomendo dar uma olhadinha pelo menos nos primeiros episódios.

Menções honrosas:

• Koe no Katachi: muitas imagens de dor e sofrimento, porém um lindo filme.

• Tamako Love Story: o filme é bem melhor do que a série de TV na minha opinião e eu gosto da construção do relacionamento dos protagonistas, apesar de ficar tristona com o fato da sapatão do anime nunca ter se declarado à menina que ela gosta.