PRIMEIRAS IMPRESSÕES #04: Temporada de Primavera (2017)

Este mês o Rukh no Teikoku completa um ano de existência, o que também significa que nesta spring season o blog está fechando um ciclo, já que a cada três meses há uma nova temporada de animes. O ano começou fraco, conforme discutimos em outras postagens, e tínhamos esperança de que o negócio engrenaria de vez depois, mas... Não parece que esse será o caso.

Nossas escolhas para a temporada de primavera foram: Fukumenkei Noise, Granblue Fantasy The Animation, Kabukibu!, Re:Creators, Sakura Quest, Shingeki no Kyojin 2 e Zero kara Hajimeru Mahou no Sho.

Fukumenkei Noise [Gab]


Uma das coisas que eu gostava no mangá de Fukumenkei Noise é a protagonista sem noção. O mangá não é incrível e em vários momentos parece um shoujo comum, mas a parte da música e a protagonista que não liga para o que os outros pensam e faz o que tem vontade é bem renovador. Entretanto, com o diretor de Keijo!!!!!!!! trabalhando no anime, não penso que é um acaso o apagamento da personalidade afirmativa da Nino.

Além disso, a adaptação do roteiro ficou confusa, a direção é extremamente preguiçosa, sem sentido e convencional e até as cenas dos shows ficaram sem impacto, deslocadas e mal dirigidas. O excesso do uso de CGI sem fluidez também comprometeu a maioria das cenas. É uma adaptação bastante ruim que ainda excluiu a parte mais interessante da obra original. Não recomendo.


Granblue Fantasy The Animation [Mari]


Depois de ter me enfiado em vários buracos por causa de seiyuus, eu prometi a mim mesma que não escolheria mais animes para assistir somente com base nesse critério, mas... Aqui estou novamente, porque eu sou trouxa (o que eu posso fazer se a minha dose de Sawashiro Miyuki está em baixa, né?). Bem, deixando isso de lado, vamos ao que interessa: a adaptação de Granblue Fantasy The Animation. Os dois primeiros episódios foram ao ar em janeiro, mas a transmissão oficial teve início no dia 01 de abril, por isso comentarei apenas a estreia aqui. 

Granblue Fantasy The Animation, como o próprio nome sugere, é uma história de fantasia que gira em torno do nosso protagonista Gran, um jovem rapaz que se depara com uma menina desmaiada no meio de uma floresta, a qual ele inspecionava, após ter visto uma grande explosão perto de seu vilarejo. Junto dele está seu amigo Vyrn, um lagarto voador, quando eles descobrem quem é a menina Lyria. O primeiro episódio trata de nos apresentar aos protagonistas da história e estabelecer o conflito inicial do enredo: a fuga de Lyria do Império. Não acontece muita coisa além disso, intercalando o encontro dos três com algumas batalhas. 

Pelo que a obra apresentou até então, não me parece nada de especial. É uma adaptação genérica do gênero de fantasia com um estilo de arte diferenciado, nada mais. Apesar disso, eu gostei dos personagens (especialmente a Katalina, afinal... Sawashiro Miyuki, né?) e gostaria de saber como eles vão desenvolver essa questão dos experimentos que eram feitos com a Lyria, por isso vou continuar assistindo. Não espero dar mais do que um 7 no final da temporada, mas também não acho que será uma perda de tempo.

★★★

Kabukibu! [Mari]


Ainda que esse anime possa ter passado umas vibes de Rakugo por se tratar de uma arte japonesa antiga, definitivamente não assistam a isso com as expectativas lá em cima porque ele não será nenhum masterpiece como Rakugo. Por outro lado, o primeiro episódio foi divertido, introduzindo-nos aos protagonistas e ao objetivo principal da trama: a criação de um clube de kabuki e as dificuldades encontradas para fazê-lo.

Os personagens em si são carismáticos e, ao que parece, teremos uma menina participando das peças também (segundo Kuro, nosso protagonista, já que eles formarão apenas um clube de kabuki do ensino médio, não precisariam seguir à risca as regras do mundo lá fora para mostrarem como essa arte pode ser divertida - para quem não sabe, todos os atores de kabuki são homens). Certamente poderemos aprender muito sobre kabuki no decorrer desses 12 episódios.

Em termos técnicos, a mistura de CGI com a clássica animação manual ficou meio estranha em algumas cenas, mas fora isso, não tenho do que reclamar. O character design da CLAMP ficou bonito e tanto o tema de abertura quanto o de encerramento ficaram legais. Não tenho grandes expectativas em relação a essa obra, mas devo continuar assistindo.

★★★

Re:Creators [Ana]


E se os personagens dos animes se tornassem reais? Em Re:Creators é exatamente isso que acontece. Enquanto Souta assistia ao "melhor anime da temporada", ele simplesmente é teletransportado para a história, em meio a uma luta entre Celestia e Himegimi. Logo depois, os três são transportados novamente - mas dessa vez para o mundo real. Souta e Celestia passam a fugir de Himegimi, e Celestia tenta entender o que está acontecendo. Outra personagem aparece posteriormente também.

Re:Creators basicamente se trata de um anime meio doido que a gente não sabe bem o que está acontecendo, mas o primeiro episódio até que foi interessante. A animação está bem bonita e a trilha sonora se destaca. O protagonista não aparenta ser muito interessante, então a atratividade fica por conta dos outros personagens como a Celestia.

No geral, foi uma boa estreia. Resta-nos esperar pelas explicações de como essa conexão entre os personagens e o mundo real é possível, qual a relação de Souta a isso, e quais outros personagens estarão envolvidos na história.

★★★★

Sakura Quest [Gab]


Essa temporada está muito fraca. O auge dela são os shonens de batalha. Nesse meio, ter dois animes da P.A. Works é quase um alívio, mas infelizmente, Sakura Quest é muito previsível para ter uma estreia de impacto. Seguimos a história de Koharu Yoshino, uma recém formada à procura de emprego em Tóquio, que recebe um ultimato (cortar a mesada) dos pais para voltar para o interior caso não receba nenhuma proposta positiva.

Ver o dilema da protagonista em relação ao emprego, sendo jovem, recém formada, em uma sociedade competitiva e exploradora, é bastante interessante. Essa parte é competente e nos remete imediatamente a discussões que já foram feitas na melhor obra do estúdio, Shirobako. Entretanto, essa parte é muito pequena na estrutura do primeiro episódio e, logo em seguida, por uma leitura errada de contrato, Koharu vai parar novamente parar no interior e o seu trabalho agora é tentar revitalizar uma cidade que, por “coincidência”, era a mesma da sua memória querida de infância. Essa segunda parte no interior teve um humor não funcional, apresentação de personagens pouco críveis e uma dinâmica bem desarrumada. E  parece que essa segunda parte irá ditar o tom da série, que será muito mais sobre valorizar a vida no interior, um tema bastante recorrente em obras como Gin no Saji e Barakamon, e até outras obras da própria P.A. Works, como Hanasaku Inoha, Nagi no Asukara e Uchouten Kazoku.

A minha impressão final é que a P.A. Works está jogando na safe zone, tendo como estratégia capturar o público de Shirobako, mas usando a temática recorrente das suas obras. Para mim foi uma estreia medíocre, mas numa temporada mais medíocre ainda, Sakura Quest é uma das poucas coisas que vale continuar assistindo.

★★★

Shingeki no Kyojin 2 [Ana]


Depois de tanto tempo de espera, finalmente pude ver a continuação dessa obra (que gosto muito) animada. Confesso que minha memória não está muito boa, por isso mesmo que eu já tenha lido o mangá, vai ser muito bom poder relembrar das coisas que aconteceram. O primeiro episódio nos mostrou uma qualidade excelente - por exemplo, em muitas cenas é possível ver uma riqueza de detalhes, principalmente no olhar dos personagens - que eu espero que seja mantida no decorrer da série. Além disso, acredito também que a obra se manterá bastante fiel ao original.

Nesse episódio especificamente, temos a aparição de um titã com o corpo cheio de pelos, semelhante a um hominídeo primitivo, e que além do seu aspecto peculiar, falou com um humano, uma característica que até então não sabíamos que era possível de um titã ter. Essa aparição deixa um grande ponto de interrogação no ar já que nada é explicado sobre o tal titã e qual é a relação de suas características com  os outros titãs. Fora isso, tivemos a notícia de que a Muralha Rose havia sido invadida, trazendo a tensão recorrente do anime quando há titãs avançando.

Foi uma boa estreia, partindo de onde havia parado na temporada anterior, sobre as muralhas serem compostas de titãs.  A abertura está bem legal, mas embora a música seja do Linked Horizon, ainda prefiro as anteriores.

★★★★

Zero kara Hajimeru Mahou no Sho [Mari]


Adaptações de Light Novels costumam me deixar com um pezinho atrás porque normalmente estamos acostumados a ver "mais no mesmo" vindo dessa plataforma, mas no caso de Zero kara Hajimeru Mahou no Sho, devo admitir que não estou arrependida de ter dado uma chance à estreia - como um anime de fantasia, o primeiro episódio da mais nova adaptação do estúdio White Fox (Steins;Gate, Re:Zero kara Hajimeru Isekai Seikatsu) foi bastante sólido.

Começamos o anime com a introdução dos protagonistas: Zero, a bruxa que está à procura de um livro perigoso que lhe fora roubado, posteriormente revelando que quem o escreveu foi ela mesma - daí o nome "O Grimório de Zero", cujo poder de um único capítulo seria suficiente para destruir o mundo; e o Mercenário (ainda não sabemos o seu verdadeiro nome) - uma besta, caçado por bruxas e desprezado pelos humanos, que tem o desejo de voltar a ser humano um dia. Os dois se encontram em meio a uma fuga do Mercenário e decidem formar um pacto, sob o qual Zero jura torná-lo humano novamente assim que a missão dele como guarda-costas dela terminar.

Naturalmente, Zero e o Mercenário deveriam ser inimigos - ela, odiada por todos simplesmente por ser uma bruxa (inclusive pelo Mercenário); e ele, uma besta que está constantemente sendo caçada por usuários de magia que querem receber uma grande recompensa pela cabeça dele. Apesar disso, Zero não dá a mínima para essa rivalidade "natural" que deveria existir entre os dois e ele eventualmente decide que se juntar a ela poderia não ser tão ruim assim. Portanto, aqui já temos um ponto alto da obra: a união entre diferentes espécies com um objetivo comum (o qual beneficiará ambas as partes assim que for atingido). Fora isso, Zero kara Hajimeru Mahou no Sho também mistura tons de humor em meio às cenas de interação entre os personagens, de modo equilibrado e que funciona, ainda que esse não seja o foco da obra.

Não temos nada de revolucionário até o momento e definitivamente não sei quanto será possível desenvolver dentro dos já confirmados 12 episódios, mas com certeza acompanharei até o final para saber no que isso vai dar.

★★★★