PRIMEIRAS IMPRESSÕES #03: Temporada de Inverno (2017)

Ano novo, vida nova... Não, pera, isso aqui não é um textão de Facebook. Muito bem, senhoras e senhores, 2017 já bateu na nossa porta, entrando com tudo e trazendo consigo uma nova temporada de animes! Para ser sincera, com exceção de algumas poucas obras, não me parece que teremos histórias muito interessantes para acompanhar nesses próximos três meses. Apesar disso, selecionamos uma certa quantidade (algumas por motivos nem tão nobres assim) para compartilharmos as nossas primeiras impressões com vocês. Esperamos que gostem!

ACCA: 13-ku Kansatsu-ka [Ana]


Alguém falou em tretas? No reino de Dowa, cujo território curiosamente tem a forma de um pássaro e o cigarro é um artigo de luxo, a ACCA foi criada como uma entidade para beneficiar a vida dos habitantes dos 13 distritos que a compõe, com serviços como polícia, bombeiros e atendimento médico.

O departamento de inspeção, no qual o nosso protagonista Otus faz parte, foi criado em um momento de instabilidade política, e agora, mesmo com divergências entre os 5 diretores, foi julgado que ele não seria mais necessário. Até que Otus descobre um caso de corrupção, e fica decidido que não será mais fechado e serão feitas vistorias em cada uma das filiais presentes nos distritos de 6 em 6 meses.

Algumas pessoas julgaram o anime como chato, já que ele tem bastante diálogo. Eu, por outro lado, o achei bem interessante. Acho que nos serve para refletir sobre algumas decisões de cunho político, como por exemplo: Por que um dos diretores seria a favor de fechar o departamento que fiscaliza as ações da própria entidade? E também o fato de que cada distrito tem sua autonomia e características próprias e é exatamente isso que mantém a paz na nação.

Além disso, temos personagens interessantes, como o próprio protagonista que não hesita em fumar seu cigarro, mesmo sendo julgado por isso; dois dos diretores que são a favor do departamento de inspeção, pois ele "expõe o que se esconde nas sombras"; e, ainda, a superintendente Mauve que é um mulherão da porra.

Na parte técnica, não tenho nada a reclamar - a animação está bem consistente, com um character design legal e eu particularmente gostei bastante da música de abertura, "Shadow and Truth" do ONE III NOTES.

★★★★

Ao no Exorcist: Kyoto Fujouou-hen [Mari]

Nem acredito que ganhamos uma nova temporada de Ao no Exorcist depois de tantos anos! É realmente ótimo ver todos esses personagens queridos sendo animados de novo, dessa vez na esperança de termos uma adaptação fiel ao mangá. Essa obra tem um lugarzinho especial no meu coração por ter sido uma das primeiras que assisti, por isso fiquei incrivelmente animada para ver a continuação dela.

Bem, para ser sincera, eu não me lembro de muita coisa que aconteceu na S1 (embora metade dela tenha sido filler); vou precisar relembrar enquanto assisto aos próximos episódios mesmo. Em termos de estreia, no entanto, o primeiro episódio foi ótimo. A animação está linda, o elenco de dubladores retornou (exceto o do Shirou), conseguiram seguir um bom ritmo e já nos jogaram de cara dentro da história, sem perderem muito tempo com recapitulação.

Já saiu a confirmação de que essa temporada terá apenas 12 episódios, adaptando o arco do Rei Impuro de Kyoto. Esses primeiros 20 minutos da série nos situaram em relação a isso, além de nos apresentarem alguns conflitos entre os personagens - como os colegas do Rin vão lidar com o fato de ele ser filho de Satã, o complexo de inferioridade do Yukio, e o próprio objetivo do Rin.

Estou tomando cuidado para não criar muitas expectativas e acabar me decepcionando, mas essa estreia definitivamente guardou o meu lugar no hype train. A única reclamação que eu teria a fazer é em relação à trilha sonora, a qual não me pareceu tão boa quanto a da S1 (talvez seja porque o Sawano Hiroyuki está trabalhando com um kouhai). Apesar disso, ainda é muito cedo pra dizer e pode ser que ela tenha mais destaque nos próximos episódios. Ah, e a abertura ficou linda! 

A banda UVERworld, também responsável pela primeira abertura da S1 e que já fez temas para outros animes como Bleach e D. Gray-man, nunca decepciona. Clique aqui para conferir "Itteki no Eikyou (一滴の影響)", a nova composição deles para Ao no Exorcist!

★★★★★

Chain Chronicle: Haecceitas no Hikari [Mari]


Fiquei sabendo da existência de Chain Chronicle (antes de montar o guia da temporada) por causa da nano, uma das minhas cantoras favoritas que ficou responsável pelo tema de abertura do anime com a música "MY LIBERATION". Eu gosto de obras com guerras e fantasia, então decidi dar uma olhada nessa aqui.

Bem, o primeiro episódio foi bem confuso, pelo menos pra mim (já que não joguei o jogo no qual a história é baseada). Pelo pouco que deu pra entender, o continente está sendo tomado pelo Exército Negro, o qual é comandado pelo Rei Negro, que simplesmente quer destruir tudo ao pintar o mundo de preto. Uma aliança foi formada entre vários países com o objetivo de derrotá-lo, mas a missão, liderada pelo protagonista Yuri, fracassou. Além disso, o Rei Negro também estava atrás de um espírito e de um livro chamado de "Chain Chronicle", ambos na possessão de sua filha, que não concorda com as ações dele. Ainda não sabemos por que o Rei Negro é assim ou pra que servem esses artefatos.

Sinceramente, não consegui entender muita coisa do enredo nesse primeiro momento, mas espero que as coisas sejam esclarecidas nos episódios seguintes. Embora o protagonista seja bem genérico, o resto dos personagens tem um character design muito bonito (especialmente a Phoena).

De acordo com comentários de quem assistiu o filme, o anime não apresenta nada novo e aparentemente tem uma qualidade inferior, então talvez seja mais interessante assisti-lo do que acompanhar a série semanalmente.

★★★

Fuuka [Ana]


Vindo logo de cara com 2 episódios, Fuuka já apresentou o que pretende nos mostrar: drama adolescente. Apesar de alguns pontos clichês, como as características dos protagonistas - um garoto que fica no celular o tempo todo e não tem realmente uma personalidade marcante; a garota "estranha" que prefere não ter celular e ouvir músicas em CDs; ou o possível triângulo amoroso entre Fuuka, Yuu e Koyuki, não chega a ser ruim.

Um dos pontos interessantes é, especialmente, a personalidade de Fuuka e seu envolvimento com a música, sua paixão pela cantora Koyuki, e o fato de que mesmo possuindo habilidades para o atletismo, ela prefere fazer algo que realmente gosta - diferentemente do que todos esperavam que ela fizesse, que era seguir os passos de seu pai. Além disso, um dos personagens declaradamente diz que "não tem interesse em garotas" e apesar da reação um pouco exagerada do protagonista, ainda é um ponto positivo.

Entretanto, o destaque vai para a seiyuu Hayami Saori interpretando as músicas da Koyuki, sem contar que a personagem é linda e a interpretação dela como um todo combinou muito bem. Sinceramente falando esse é um dos pontos que me fazem querer continuar assistindo.

Infelizmente o anime conta com umas cenas de fanservice desnecessárias. Em alguns minutos de episódios já recebemos um pantsu shot. Espero realmente que esse não seja um artifício muito utilizado nos próximos episódios, já que a história pode muito bem se desenvolver sem isso a partir daqui. Resumindo, não é algo realmente muito original, mas se for bem desenvolvido pode nos oferecer ao menos um bom entretenimento.

★★★

Kuzu no Honkai [Ana]


E lá vamos nós para o drama adolescente. Trazendo dois alunos do ensino médio de 17 anos, Kuzu no Honkai aparentemente explorará de maneira considerável o emocional desses dois, que resolvem se envolver, embora não estejam romanticamente interessados um no outro. Esse fato não seria tão problemático se não houvesse o fator bônus: Tanto ela, Hanabi Yasuraoka, quanto ele, Mugi Awaya, têm um amor não correspondido por seus professores, que em ambos os casos estão presentes em suas vidas desde a infância; e que, além disso, aparentam ter um interesse um no outro. Assim, Mugi propõe a Hanabi que eles façam um pacto para que sejam os substitutos em uma relação.

Algo que me surpreendeu um pouco (apesar de constar no PV) foi que em poucos minutos os personagens já estavam se agarrando, e quando eu digo isso, é literalmente. Aqueles beijinhos sem graça em que as pessoas mal encostam os lábios? Pode esquecer! Em Kuzu no Honkai os personagens realmente trocam saliva com vontade, e até avançam mais um pouco, e apesar de decidirem não ter relações sexuais no momento, diria que o envolvimento dos dois foi bastante sexual.

Eu realmente não sei quais consequências derivadas disso o anime pretende tratar. Aparentemente podemos esperar por dor e sofrimento, só não se sabe se isso será ao ponto de nos comover junto ou de nos fazer passar raiva. Particularmente estou esperando pela aparição da personagem de cabelos vermelhos, Sanae Ebato, e do seu envolvimento com a protagonista.

Por fim, a estética do anime está muito bonita, uma animação muito boa e até diferente em alguns momentos em que resolvem mostrar dois pontos de uma mesma cena, como se fossem quadrinhos animados, sem falar da paleta de cores. Resumindo, foi um primeiro episódio interessante, resta-nos acompanhar para saber onde isso vai dar.

★★★

Schoolgirl Strikers: Animation Channel [Mari]


Se eu falar pra vocês que só escolhi ver esse anime por causa da Sawashiro Miyuki vocês acreditam? Então... Foi por isso (a propósito, ela dubla a Io-chin). A Sawashiro é a minha seiyuu preferida e nesses anos mais recentes não tenho tido muitas oportunidades de acompanhá-la semanalmente, por isso que quando soube que ela estaria no cast principal desse anime, decidi dar uma chance a ele.

Bem, deixando meu motivo pra assisti-lo de lado, o primeiro episódio de Schoolgirl Strikers foi bastante mediano. O enredo não tem nada de novo: a história introduz uma escola cuja função é encontrar possíveis candidatas à posição de "Strikers", meninas que trabalham em grupos de cinco para uma organização chamada "Fifth Force" com o objetivo de eliminar "O'blis", criaturas vindas de uma quinta dimensão que apresentam perigo à humanidade (embora não saibamos exatamente qual) e as quais pessoas comuns não conseguem identificar, pois não enxergam as distorções de tempo e espaço. Sinceramente, é bem mais do mesmo - não é uma porcaria, mas também não faria questão de continuar assistindo se não fosse pela Sawashiro.

A animação é mediana também, algumas cenas ficaram bem feias (o que é estranho pra um primeiro episódio, ainda mais sendo do estúdio J.C.Staff), e nem dois minutos tinham se passado direito quando eles decidiram jogar cenas de fanservice na nossa cara. Bem, o anime é baseado em um jogo, então é melhor que não tenhamos expectativas muito grandes mesmo. Eu sinto muitas vibes de Gunslinger Stratos com isso aqui, mas levando em conta a péssima experiência que eu tive com essa outra obra, não devo continuar assistindo Schoolgirl Strikers se não conseguirem fazer com que eu me interesse de verdade pela história nos próximos dois episódios.

★★

Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu 2nd Season [Gab]


Quando eu assisto anime, sempre tenho a sensação de que estou vendo uma série de estereótipos, principalmente, em relação aos personagens que, muitas vezes, não parecem pessoas, não possuem dilemas críveis, as suas reações são forçadas e não conseguem ir além dos tropes. Dessa forma, quando eu encontro animes que os personagens parecem pessoas (e, principalmente, adultos que agem como adultos) fico extremamente feliz. Dois ótimos exemplos disso são Fune wo Amu, da temporada passada, e  Sakamichi no Apollon do Shinichiro Watanabe. Ambos são excelentes, entretanto, Shouwa Geroku Rakugo Shinjuuu é o meu favorito.

A primeira temporada do anime narrou, de forma metalinguística, um conflito ideológico e humano entre dois artistas, além de abordar a história da arte de contar histórias durante o século XX com tanta maestria que essa segunda temporada é, para mim, o anime mais esperado do ano. E eu devo dizer que esse primeiro episódio não decepcionou – pelo contrário, só me lembrou o quanto eu sentia falta de assistir a série.

O episódio começa com Yotaro, agora assumindo o nome do Sukeroku, apresentando um Rakugo para nós, os espectadores, relembrando os acontecimentos da temporada anterior e nos colocando a par do que aconteceu nos últimos 10 anos. A estratégia de quebrar a quarta parede foi bastante inteligente, pois, ao falar diretamente com o espectador, nos traz novamente para a atmosfera da história e ainda nos relembra que a trajetória de Yakumo para se tornar Mestre também foi metalinguística, afinal, a primeira temporada foi o Rakugo da história de vida dele. A direção também foi um ponto forte desse primeiro episódio – ela está mais dinâmica, justamente para aproximar-se da personalidade do novo protagonista. A escolha foi acertada e, nesse novo estilo, somos apresentados aos principais conflitos da trama: transformar Yakumo e Konatsu em uma família, e a sobrevivência de uma arte da tradição oral em um mundo tecnológico, mantendo a tradição, ao mesmo tempo, se adaptando ao novo. Yotaro vai tentar juntar a missão dos dois artistas: Yakumo e Sukeroku.

No final do episódio, Yakumo, agora bastante envelhecido, revela o seu desejo de levar o Rakugo para o túmulo com sua morte. Agora, sabendo o fato que marcará o final da história, nos resta acompanhar se Yotaro conseguirá impedir que isso aconteça. Devo dizer que esse episódio foi uma ótima abertura para a segunda temporada: o universo e a trama foram estabelecidos e as motivações dos personagens foram apresentadas. Terminei querendo ver mais e já querendo reassistir a temporada anterior. Também é preciso falar como a trilha sonora desse anime é competente e arrojada. Os primeiros 5 minutos foram embalados num jazz maravilhoso e a abertura da Megumi Hayashibara resume, de forma alegórica, os conflitos da história. Bem vindo Shouwa Rakugo, estávamos com saudade.

★★★★★

Yowamushi Pedal: New Generation [Mari]


Nem acredito que meus filhos finalmente estão de volta! Embora o primeiro episódio de Yowamushi Pedal: New Generation tenha servido apenas como um link entre a segunda e a terceira temporada e algumas cenas tenham sido recicladas do filme, já podemos ficar ansiosos para ver de que modo os conflitos e conquistas dessa nova geração da Sohoku se desenvolverão! Qual será a nova cara da Sohoku do capitão Teshima, vice-capitão Aoyagi e ace Imaizumi? Como o grupo lidará com a saída do pessoal do terceiro ano? De que forma o Onoda ficará mais forte? Quem são os novos personagens? Uma ride cheia de emoções acabou de começar.

Tecnicamente falando, não vi nada de muito diferente; acredito que o padrão de qualidade das temporadas anteriores deva ser mantido. A única coisa que senti falta em Yowamushi Pedal: New Generation foi a contribuição da banda ROOKiEZ is PUNK’D quanto aos temas de abertura e encerramento, já que eles haviam participado em ambas as temporadas anteriores. Apesar disso, caso o anime venha a ter dois cours ou mais, ainda é possível que a banda faça alguma contribuição.

Nada de muito intenso por enquanto, embora os personagens tenham recebido novas bicicletas ou trocado algumas peças para que consigam competir melhor, já que os três ainda têm um longo caminho a percorrer. Uma única vitória não é garantia de que eles permanecerão no topo pra sempre - e a corrida contra os secundaristas deixou isso mais do que claro para Imaizumi, Naruko e Onoda. Resta a eles transformarem o gosto amargo e a frustração da derrota em força para que subam ainda mais de nível. Essa nova jornada certamente será divertida de acompanhar.

★★★★