IMPRESSÕES FINAIS #02 | Temporada de Outono (2016)

Embora tenhamos visto comentários de algumas pessoas dizendo que essa temporada de outono estava fraquíssima e que não havia nada de muito interessante para assistir, nós seremos obrigados a discordar. É claro que rolaram umas decepções (como acontece em toda temporada de animes) aqui e ali, mas a maioria dos títulos até que se saiu bem ou pelo menos medianamente no geral. 

Entre as obras que escolhemos acompanhar, não teve nenhuma que passou aquele sentimento de "nossa, mas por que ainda estou vendo essa porcaria?", o que já é um avanço se formos comparar com as temporadas anteriores. 

Portanto, trazemos com essa postagem as nossas impressões finais da temporada de outono e esperamos que vocês gostem! Como sempre, sintam-se livres para concordar ou discordar dos pontos de vista apresentados aqui e comentem também quais foram os acertos e os erros da última anime season de 2016.

3-gatsu no Lion [Gab]


A Chica Umino é a minha mangaká favorita e eu estava muito ansiosa para a estreia de 3-gatsu no Lion, entretanto, quando soube que o estúdio encarregado era o Shaft (Monogatari Series, Madoka Magica, Arakawa Under the Bridge), fiquei com um pé atrás, pois não achava que o seu estilo tão autoral ornaria com um mangá tão focado no cotidiano e no sentimento das pessoas. Felizmente, eu estava enganada.

O estúdio vem fazendo uma adaptação fiel do mangá, usando de forma estratégica o seu estilo artístico  nos momentos metafóricos, o que dá uma efeito ainda mais poderoso nos momentos mais intensos da história. Obviamente, a Shaft não acertou em tudo. A escolha da divisão em capítulos (como faz com a série Monogatari) fragmenta a história e compromete a unidade temática. Também houve problema com alguns diálogos explicativos que são desnecessários e empobrecem a sutileza da série, sem falar na própria roteirização de algumas cenas, como a partida de Shogi do episódio 10, que ficou bastante confusa.

Apesar desses problemas, a Shaft acertou em cheio quando utilizou da sutileza e da arte, em especial nos episódios focados no passado do Rei e nos episódios 3 e 10, que terminaram com explosões emotivas dos personagens. Embora fossem cenas bem “altas/explosivas”, com pico de emoções, elas trabalharam muito bem no subtexto da relação entre os personagens. Por sinal, esses dois episódios funcionam muito bem porque eles maximizam o contraste entre os personagens. No episódio 3, vemos duas pessoas totalmente diferentes, o Rei e a Hina, lidarem com o luto e no episódio 10, vemos o Rei explodir em relação a culpa de jogar com uma pessoa tão diferente dele, em idade, em experiência de vida e em necessidade de sobrevivência. Aliás, de uma maneira geral, 3-gatsu no Lion trabalha os temas do luto, da depressão, da família, da rivalidade, do afeto e do peso da vitória através da comparação entre os personagens.

Por exemplo, há o contraste entre a família disfuncional do Rei e as irmãs, Hina, Momo e Akari; entre a adolescência alegre da Hina e a necessidade de crescer do Rei; o tema do luto; o tema da paixão pelo esporte e da rivalidade-amizade entre o Rei e Nikaido e os jogadores mais velhos que o Rei enfrenta e o jogo de poder entre o Rei e a Kyoko, que permeado por uma tensão sexual, aborda sentimentos como amor, ódio, culpa e raiva. A construção narrativa de 3-gatsu no Lion é fundamentada na comparação entre personagens e, por isso, consegue desenvolvê-los muito bem. Todos os personagens são humanos, críveis, sejam eles amáveis, como as três irmãs, ou odiosos, como a Kyoko. Todos são indispensáveis para a construção da trama e para o crescimento emocional do protagonista.

3-gatsu no Lion é uma história sobre a construção do afeto entre as pessoas, acima de tudo, e eu estou muito feliz de finalmente poder ver essa história, tão afetiva para mim, animada. Que venha a segunda parte de um dos melhores animes do ano!

9.0/10


All Out!! [Mari]


Não diria que essas são as minhas impressões finais de All Out!! considerando que apenas o primeiro cour chegou ao fim e, após as festividades da próxima semana, ainda teremos mais 13 episódios pela frente (o que poderia gerar mudanças de pensamento). Entretanto, achei interessante avaliar essa primeira metade enquanto ela ainda está fresca na minha mente.

Bem, devo admitir que All Out!! atingiu minhas expectativas. Embora seja um anime genérico no sentido de seguir a estrutura comumente utilizada pelos animes de esporte, ele teve uma boa execução e conseguiu me manter entretida ao longo desse cour. Arrisco a dizer, inclusive, que All Out!! como anime de esporte vem fazendo um trabalho melhor do que Yuri!!! on Ice, por exemplo.

Vejam bem: o Gion é um completo novato no que diz respeito ao rugby e, portanto, nós (espectadores) aprendemos sobre o esporte à medida que ele aprende também. Esse método já foi utilizado em outras obras do gênero (Baby Steps, Yowamushi Pedal) e, apesar de haver críticos que o classifiquem como uma "escrita preguiçosa", ele é eficaz. O método funciona porque tanto quem já tem conhecimento prévio sobre o esporte em questão quanto quem é novato (assim como o Gion) pode curtir a série, afinal, não dá para tirar o máximo da experiência que um esporte oferece quando você não entende o que está acontecendo ou qual é o objetivo do jogo (e foi por essa razão que citei Yuri!!! on Ice ali em cima: nessa outra obra há fanservice demais e explicação de menos, o que pode acabar arruinando ou comprometendo em partes a experiência de quem escolheu acompanhar esse anime PELO ESPORTE). All Out!! é competente nesse sentido e, particularmente, não tenho grandes problemas com essa abordagem desde que a obra consiga me manter interessada no desenrolar da trama.

O primeiro episódio de All Out!! não teve nada de muito marcante, mas houve sim uma melhora progressiva no decorrer dos episódios de sua primeira metade. Tivemos desenvolvimento de conflitos internos e externos (com destaque para a relutância de Iwashimizu em relação a retomada do rugby e a forma com a qual ele a superou); um novo técnico foi apresentado à escola de Gion, frisando a necessidade de ter um regime de treinamento apropriado (não adianta fortalecer somente o físico se as habilidades de jogo são terríveis, assim como não adianta se matar de treinar e não dar tempo para o corpo descansar, o que faz com que todo o trabalho árduo exercido pelo atleta se torne improdutivo); explora-se a questão do rugby ser um esporte coletivo e, como consequência, ser um bom jogador levando em consideração apenas as habilidades individuais não é o suficiente se você não souber trabalhar em equipe.

Eu diria que o começo de All Out!! foi bastante introdutório. A obra nos apresentou aos personagens, ao esporte e tudo mais, porém não havia um objetivo preestabelecido antes disso. Na minha opinião, essa primeira metade serviu para firmar a proposta de All Out!!, que seria: ver onde esse time conseguirá chegar agora que eles têm um técnico de verdade e fome de vitória, e como eles superarão as dificuldades individuais e coletivas que serão encontradas ao longo dessa caminhada.

Em termos técnicos, não tenho do que reclamar. É claro que poderíamos apontar o fato de que a animação caiu de qualidade em alguns momentos no decorrer da série, mas isso é normal quando se trata de uma obra em andamento e esses pontos provavelmente serão consertados nos BDs, ou seja, não é nada que chegue a atrapalhar a experiência de assistir o anime.

8.5/10


Drifters [Mari]


Devo começar dizendo que até o terceiro episódio de Drifters eu ainda não havia compreendido inteiramente o que diabos estava acontecendo naquele mundo. Entretanto, passados os momentos introdutórios e de batalhas constantes, finalmente descobrimos qual era a proposta de Drifters. Ao que tudo indica, figuras históricas de diferentes períodos são selecionadas por duas forças opositoras para travar uma guerra na qual o futuro da humanidade está em jogo.

De um lado, Murasaki escolhe os Drifters (guerreiros que exerceram papéis notáveis ao longo da história); do outro, Easy escolhe os Ends (pessoas que devido ao tratamento que foram submetidas durante seu tempo na Terra passaram a nutrir um ódio profundo contra a humanidade, o que faz com que elas queiram acabar com tudo e exterminá-la). Os exemplos mais conhecidos seriam Nobunaga Oda (um senhor da guerra que conquistou a maior parte do Japão no período Sengoku) e Hannibal Barca (um comandante militar cartaginês e estrategista popularmente creditado como um dos comandantes mais talentosos da história) pelos Drifters e Jeanne d'Arc (a heroína da Guerra dos Cem Anos entre França e Inglaterra que enlouqueceu depois de ter sido queimada viva) e Anastasia Nikolaevna Romanova (a filha mais nova do último czar russo Nicolau II, a qual teve sua família morta por um pelotão de fuzilamento bolchevique quando tinha 17 anos).

Assistindo a esse anime, sou frequentemente lembrada do Estado de Natureza de Thomas Hobbes, definido como um "estado de guerra de todos contra todos". Drifters está aqui para nos mostrar que a guerra sempre esteve presente na história da humanidade - não importa aonde a gente vá, encontraremos conflitos. Mudam-se os países, os meios de guerrear e as razões, mas o conflito permanece. É interessante observar como não importa o quanto os seres humanos evoluam em termos de ideias e pensamentos, no momento que houver conflito de interesses, haverá guerra. Seria a guerra inevitável?

Enfim, minha experiência com Drifters foi positiva, mas também tenho reclamações a fazer. Primeiro, o humor não funcionou comigo na maioria das vezes - a transição dos momentos sérios para os humorísticos não tinha um bom timing; e segundo, o fanservice (que supostamente deveria ser engraçado, eu acho?) com a Olmine foi extremamente irritante de assistir. O Nobunaga ficava pegando nos peitos dela o tempo todo sem consentimento algum e ela estava claramente desconfortável com aqueles toques - o nome disso é ASSÉDIO SEXUAL e não é engraçado.

P.S. Ainda não há data de estreia, mas a segunda temporada de Drifters já foi confirmada!

7.5/10


Fune wo Amu [Gab]


Fune wo Amu é o anime que todo mundo deveria estar assistindo, mas ninguém está. Ele é o underdog da temporada, infelizmente, pois, com certeza, é um dos melhores animes do ano. Desde que eu soube que passaria no bloco NoitominA e seria uma adaptação de um romance (e não uma Light Novel), já fiquei interessada. Sabia apenas a premissa: um grupo de pessoas trabalhando na construção de um dicionário. Minhas expectativas estavam altas e Fune wo Amu conseguiu superá-las com seus personagens carismáticos e o seu respeito pela língua.

Mesmo tendo apenas 11 episódios, Fune wo Amu pode ser dividido em dois arcos. Para mim, o primeiro arco é sobre o amor - o amor romântico, o amor entre amigos, o amor pelo trabalho, o amor próprio, mas acima de tudo, o amor pela língua. A metáfora do dicionário como um navio que ajuda as pessoas a se conectarem e atravessarem a imensidão  do oceano (que é língua) é uma metáfora de amor.  Fazer um dicionário é como aprender a amar alguém, construindo e acompanhando as mudanças todos os dias. Tudo isso é feito de uma forma bastante meiga, principalmente o paralelo entre o romance do Majime e da Kaguya e o trabalho na editora.

O segundo arco tem como temática o ciclo da vida e ele se passa 13 anos após a primeira parte. Começamos com a chegada de uma nova funcionária, mais jovem, que foi transferida e o seu processo de adaptação no novo trabalho. A chegada dela muda a dinâmica no local e foi bastante interessante ver como ela passa a se interessar pelo projeto e contribuir com termos mais novos. Em contraponto, acompanhamos o envelhecimento do Matsumoto-sensei, o mentor do projeto, até a sua morte. O que eu mais gosto de Fune wo Amu é como ele reconhece a língua como algo vivo, em constante mudança. E, o Matsumoto-sensei, antes de falecer, passa adiante o seu papel para o Majime, afirmando que um dicionário sempre precisa ser reeditado e que o trabalho com a língua nunca termina. E, dessa forma, The Great Passage vai continuar sendo feito por gerações.

O final de Fune wo Amu não foi surpreendente. Matsumoto-sensei era uma death flag ambulante nos últimos 5 episódios e eu sabia que, para causar um efeito melodramático, ele teria que morrer sem ver o dicionário terminado. Entretanto, a construção narrativa não foi apelativa, ao contrário, foi bastante singela e saímos do anime com a sensação de que não importava se ele viu ou não o dicionário, já que o trabalho com a língua nunca termina. Fune wo Amu brilha por sua história e seus personagens, qualquer um que gostou de Shouwa Rakugo ou Sakamichi no Apollon irá se deliciar com esse anime.

9.0/10


Gi(a)rlish Number [Mari]


Provavelmente minha maior decepção da temporada. Eu sinceramente nem planejava dar uma chance a esse anime quando montei o guia, mas mudei de ideia quando vi uma galera elogiando o primeiro episódio. De fato, a estreia foi realmente boa e eu gostei demais da visão irônica sobre a indústria dos animes que Gi(a)rlish Number nos trouxe. Entretanto, não sei dizer bem o que aconteceu, mas a obra não conseguiu manter o mesmo nível da estreia nos episódios seguintes.

O cinismo e o egocentrismo da protagonista que em um primeiro momento foram um ponto interessante acabaram sendo transformados em algo difícil de se aturar (sabem, é aquele negócio, a diferença entre o remédio e o veneno é a dose). Chitose ficou forçosamente mais arrogante com o passar dos episódios e ainda que ela tenha recebido um reality check em um certo momento da obra, sinto que desperdiçaram a oportunidade de fazer uma crítica inteligente à indústria em troca de um humor que não estava realmente funcionando. Apesar disso, ainda tivemos alguns pontos interessantes de aproximação de Gi(a)rlish Number com a realidade.

Além das críticas pesadas à indústria das light novels (a qual o autor da obra faz parte e suponho que conheça melhor), também tivemos uma demonstração de como as pessoas podem ser cruéis na internet (prestem atenção nos comentários relacionados à Chitose no que seria uma versão do NND). Teve gente mandando a menina se matar porque não era uma boa seiyuu e esse tipo de pessoa infelizmente existe no mundo real também. Fora o fato de que em determinada altura do anime se falou sobre custos de produção e lucro, o que é fundamental ter conhecimento sobre para que as pessoas entendam por que o anime preferido delas não teve uma segunda temporada, por exemplo.

A ideia de Gi(a)rlish Number não era ruim, mas foi mal executada e faltou competência na hora de criar personagens capazes de cativar os espectadores. É difícil ficar investido em uma obra quando você sente que todos os personagens são uns babacas e tem mais é que se ferrar mesmo, não gerando nenhum tipo de crítica inteligente (ainda que cada personagem tenha recebido uma pequena quantidade de screentime para o desenvolvimento de conflitos pessoais).

6.0/10


Haikyuu!! 3RD SEASON [Mari]


Devo confessar que fiquei um pouco preocupada quando a staff do anime confirmou que a adaptação do jogo entre a Karasuno e a Shiratorizawa teria apenas 10 episódios, considerando que esse confronto durou algumas dezenas de capítulos do mangá e, além dessa questão, era preciso arranjar uma forma de encaixar os flashbacks em meio a adrenalina do jogo. Apesar disso, a equipe do Production I.G demonstrou toda sua competência nessa adaptação ao pegar o essencial da obra e encaixá-lo nesses 10 episódios sem que a narrativa se perdesse em meio a pressa, ainda que alguns sets tenham sido mais rápidos do que outros. Mitsunaka Susumu, também diretor das outras duas temporadas de Haikyuu!!, e Kishimoto Taku, o responsável pelos roteiros, não nos decepcionaram.

Nessa terceira temporada, além de acompanharmos um jogo de tirar o fôlego, tivemos a oportunidade de conhecer mais sobre os personagens de ambos os times, assim como testemunhar o crescimento deles. Eu diria que o desenvolvimento do Tsukishima em particular foi um dos melhores. Ele não só melhorou como atleta, mas também aprendeu a amar o vôlei. Ele, o cara quieto e sempre calmo, VIBROU ao marcar um ponto de bloqueio (e sim, eu vibrei com ele também!); e, mais do que isso, no episódio em que ele se machuca, a dor e o desespero de reconhecer a importância da vitória naquela partida que tomaram conta dele demonstraram o quanto o Tsukishima cresceu. Além disso, o Kageyama, o cara do qual todo mundo espera precisão, aprendeu do jeito difícil que o corpo dele também possui um limite e inevitavelmente o cansaço o atingirá; ainda assim, ele descobre que não está sozinho (coisa que já vinha trabalhando) e que, mesmo que ele erre, esse não será o fim, pois ele tem colegas de time com os quais pode contar. Suga, o senpai que sempre preza pela segurança, percebe que não haverá vitória sem tomar riscos e mostra que ele também pode aprender coisas novas para ajudar o time. O desenvolvimento desses três personagens foram definitivamente os pontos altos dessa temporada pra mim, deixando o jogo de lado.

Outra coisa legal que o Furudate, autor de Haikyuu!!, nos apresentou foram os backgrounds dos jogadores da Shiratorizawa. Não, eles não são monstros - nem o Ushijima com a sua força absurda ou o Tendou com as suas caretas peculiares e até mesmo assustadoras. Eles são garotos, são humanos, e cada um deles possui uma razão para estar ali. E o que todos esses jogadores têm em comum? O amor pelo vôlei. Furudate realmente faz um trabalho maravilhoso quanto a passar todas as emoções que o vôlei pode nos fazer sentir e, sendo esse o objetivo dele, mostrar o quão divertido o vôlei pode ser, eu diria que a obra dele é um grande sucesso.

Eu poderia ficar horas e horas aqui falando sobre como Haikyuu!! é definitivamente uma das melhores obras que eu já tive a oportunidade de acompanhar desde o primeiro episódio, o quão badass o Nishinoya é ou o quanto eu amo esses personagens como se fossem meus filhos, mas vou poupar vocês disso e apenas deixar aqui minha nota. Sem culpa e completamente merecida (ainda que vocês possam suspeitar por eu ter estado no HYPE TRAIN desde o início):

10/10


Hibike! Euphonium 2nd Season [Gabriel]


E mais uma vez a Kyoto Animation mostra que não está muito a fim de acabar com o queerbaiting nas suas animações. Hibike! Euphonium 2 é mais um dos vários exemplos que temos por aí; todo mundo esperava um final original para o anime, estávamos ansiosos para ver se a Kumiko e a Reina iam acabar juntas, mas... Não foi o que aconteceu nessa temporada.

O anime insistiu em focar nos sentimentos da Reina pelo Taki, tanto que ela acabou se confessando para ele no penúltimo episódio durante a entrega dos prêmios e mais uma vez quando ele foi falar com elas sobre a premiação. Focar nisso é problemático - o professor já é um homem adulto e que foi casado uma vez, hoje ele é viúvo e a Reina é apenas uma estudante do primeiro ano do ensino médio. Isso é muito errado!

Também temos o fato da interação entre a Kumiko e Reina ter sido quase apagada na segunda metade do anime. Parece que todo aquele desenvolvimento das duas na primeira temporada foi apagado, se foi. Em contrapartida, no entanto, a obra desenvolveu muito bem os conflitos que foram apresentados no decorrer da história, como os que envolveram a Mizore, a Nozomi e a Asuka. E também tem o arco que conhecemos muito mais da nossa vice-presidente favorita, a Asuka. Durante esse arco, foi mostrado que, por mais alegre e empolgada que uma pessoa seja, ela também tem problemas para enfrentar, nem tudo são flores. A gente entendeu por que a Asuka entrou na orquestra e por que ela queria de qualquer forma ir para o Nacional.

Uma das coisas que me incomodou um pouco foi a forma com que a relação entre a Kumiko e a sua irmã, Makiko, se resolveu. Não pareceu ser algo que a Kumiko faria, já que ela é uma pessoa mais introvertida.
Não podemos esquecer de falar que a Sapphire e a Hazuki foram bastante apagadas nessa temporada. Não que tenham aparecido pouco, mas apareciam mais nas cenas do metro e ensaio, não foram muito exploradas, coisa que me deixou chateado. No geral, foi uma temporada um tanto decepcionante se formos comparar a primeira, infelizmente a animação não manteve a qualidade que teve na primeira temporada e também caímos no bait da KyoAni.

7.0/10


Mahou Shoujo Ikusei Keikaku [Mari]


Eu nem consigo chamar Mahou Shoujo Ikusei Keikaku de decepção porque não tinha grandes expectativas para começo de conversa, mas... Poxa, realmente poderia ter sido melhor. Todas as personagens interessantes morreram precocemente e, às vezes, tais mortes aconteciam de forma aleatória, pois tudo caminhava em um ritmo tão rápido que sequer tínhamos tempo para nos comovermos ou lamentarmos.


--- SPOILERS: LEIA POR SUA CONTA E RISCO ---


As personagens com as quais eu realmente me importava eram o Souta/La Pucelle (principalmente pela questão de quebrar estereótipos de gênero, mencionados na postagem de primeiras impressões da temporada), a Winterprison (como não se apaixonar por essa mulher?) e a Sister Nana (mais por formar um casal lésbico canon com a Winterprison do que pela personagem em si); além disso, passei a gostar da Kano (minha filha) no decorrer dos episódios e não me sentia incomodada pela Top Speed. Com exceção da Kano, todas essas personagens morreram e eu nem tive tempo de ficar triste. É claro que em um jogo de sobrevivência seria sábio da minha parte não me apegar a personagem alguma, mas mesmo que eu tenha me apegado, várias dessas mortes não foram bem executadas (ainda que tenham sido brutais).

Fora a má execução de MahouIku, eu também não achava que as antagonistas eram convincentes. Quero dizer, a Cranberry era interessante à própria maneira, mas a Swim Swim era completamente sem sal. A morte da Cranberry foi simplesmente ridícula, aconteceu do NADA, e eu esperava que ela pelo menos tivesse uma batalha digna com a Winterprison ou talvez com a Kano antes de morrer; já a Swim Swim não tinha nem personalidade própria, tudo era "o que a Ruler faria se estivesse nessa situação?", e eu me sinto ofendida que uma personagem dessa tenha tirado a vida de tantas outras e chegado até o final.

Por fim, a protagonista é provavelmente a pior coisa de MahouIku. Em 12 episódios, ela não fez absolutamente nada para contribuir com a progressão do plot. Nada, nadinha, nadica de nada. Viva ou morta, não fazia a menor diferença. *sigh*

5.0/10


Nanbaka [Ana]


A única coisa que eu posso afirmar sobre Nanbaka é que ele foi um anime bastante… colorido. Essa estética realmente chama a atenção e combina com o desenrolar meio doido da obra.

Eu acreditava que seria um anime em que eu deveria desligar completamente o cérebro e rir, no entanto, não foi bem assim. Além da comédia, no decorrer dos episódios, aspectos mais sérios nos foram apresentados, o que era totalmente inesperado. Esses aspectos tratavam dos conflitos pessoais e psicológicos de cada um dos detentos. De uma maneira interessante pudemos ver um pouco de seus backgrounds e assim entender por que agem de determinada maneira. Além disso, a obra também nos mostrou que apesar dos crimes cometidos pelos detentos e suas características peculiares, eles têm emoções, ambições e sentimentos como qualquer pessoa. Dessa forma o sentimento de amizade entre os detentos da prisão Nanba é explorado contrabalanceando com o clima de humor geral do anime.

Além dos quatro principais, temos outros personagens interessantes como o Musashi e os próprios guardas da prisão, e obviamente não posso esquecer de mencionar a Momoko Hyakushiki, diretora da prisão, responsável por diversos momentos engraçados devido a sua paixão secreta pelo Hajime, em que sua maneira de demonstrar contrasta completamente com a sua postura séria diante de todos.

Já foi confirmado que Nanbaka terá uma segunda temporada que começa em janeiro. Entretanto, ela não irá ao ar na televisão japonesa, mas sim será transmitida semanalmente através de serviços de streaming no Japão.

7.0/10


Natsume Yuujinchou Go [Mari]


Ah, Natsume Yuujinchou Go foi uma bagunça, pelo menos em termos de equipe. Inicialmente a adaptação tinha sido programada para ter 13 episódios (assim como aconteceu com as outras quatro temporadas da obra), mas no meio do caminho, alguém da produção fez caca e em uma semana não tivemos episódio indo ao ar, o que mais tarde conflitou com outros horários - como vocês podem ver, o anime acabou no episódio 11, mais cedo do que o previsto, e os outros dois episódios serão disponibilizados nos BDs.

A qualidade geral da obra foi mantida, mas infelizmente a quinta temporada não conseguiu me cativar tanto quanto as anteriores. Primeiro porque eu estava esperando que finalmente falassem mais sobre a Reiko (o que não aconteceu); segundo porque alguns episódios foram focados em personagens secundários com os quais eu não me importo (Matoba, Nitori); e terceiro porque os youkais que apareceram em Go não me pareceram ser interessantes - sequer consigo lembrar de uma história comovente - e acompanhando as outras temporadas eu não me senti assim. Devo, no entanto, dar os parabéns aos responsáveis pelo episódio 10 de Natsume Yuujinchou Go, o qual teve foco na família do Natsume, Touko e Shigeru, e foi de longe uma das melhores coisas que eu assisti esse ano.

Estou um pouco decepcionada, confesso, mas a experiência não chegou a ser ruim. Por esse motivo, do 10 que dei à temporada anterior, diminuirei dois pontos para a nota de Go.

P.S. A sexta temporada de Natsume Yuujinchou já está confirmada para estrear em 2017.

8.0/10


Shuumatsu no Izetta [Gabriel]


"O que é aquilo? Um pássaro? Um avião?"
"Não, é uma garota montada em um rifle!!!!!"


Pois é, em Shuumatsu no Izetta tivemos uma garota mágica montada em um rifle voador, enfrentando exércitos e fazendo o coração da princesa Finé bater mais forte. Para mim, Izetta foi uma das melhores estreias do ano - o primeiro episódio foi realmente maravilhoso  -, mas não vou me estender nesse parágrafo porque tudo que eu gostaria de dizer sobre ele já consta nas primeiras impressões da temporada de outono (clique aqui).

O anime teve um ritmo um tanto inconsistente. A estreia foi muito boa, porém a partir do quarto episódio pudemos ver dedo do Yoshino Hiroyuki em algumas cenas de fanservice beeem desnecessárias (a do primeiro episódio foi perdoável, mas o resto...).

Pelo meio do anime tivemos alguns arcos que serviram para descobrir até onde ia o potencial da Izetta e também mostrar um pouco do que a Germânia queria fazer para destruir Elystadt. Não digo que foi ruim, porém não foi tão empolgante quanto as batalhas da parte inicial ou até mesmo da reta final (os dois últimos episódios, mais precisamente) da obra, nos quais algumas batalhas foram capazes de me deixar com o coração na mão. Quando a Izetta perdeu uma das lutas por conta da Sophie, por exemplo, eu fiquei com muito medo do que poderia acontecer com todo o reino de Elystadt - mas, felizmente, no fim tudo se resolveu.

Não posso esquecer de falar das personagens femininas do anime. Temos a princesa Finé que é simplesmente maravilhosa; fez o que pôde tomando conta do Reino de Elystadt, já que ela recebeu o comando no meio da guerra. Também tem a Bianca, que se não me falha a memória, é comandante de uma equipe secreta formada somente por mulheres para cuidar da princesa e realizar algumas missões. E, é claro, temos a Izetta, que em momento algum tira da cabeça que quer ajudar a princesa e sempre dá o seu melhor para vencer as batalhas.

Enfim, é isso que tenho para falar de Shuumatsu no Izetta. Foi um anime com altos e baixos, mas que não deixou de ser divertido. É uma história interessante de se assistir (principalmente se você se interessar por guerras).

8.0/10


Udon no Kuni no Kiniro Kemari [Mari]


Como alguém que gosta muito de animes que passam essa atmosfera healing e que prefere acompanhar obras com protagonistas adultos, certamente sou suspeita a falar, mas Udon no Kuni definitivamente está entre os melhores animes da temporada pra mim. É realmente difícil escolher, entretanto, se descartarmos as continuações, Udon no Kuni, 3-gatsu no Lion e Fune wo Amu dividem o pódio.

Do primeiro ao último episódio a obra conseguiu me manter entretida e interessada nos conflitos internos e externos dos personagens. Souta finalmente compreendendo as lições que seu pai queria passar pra ele, a questão de ter que escolher entre permanecer em Tóquio, abrir mão de Poco e continuar com o trabalho estável que teve durante anos em um ambiente onde todos o enxergavam com bons olhos, ou retornar a sua cidade natal no interior do Japão e levar uma vida tranquila com Poco e seus amigos de infância; o fato de ter que encarar o verdadeiro problema de descobrir o que era realmente importante pra ele. Ainda que Souta tivesse uma vida estável, ele precisava "se encontrar".

Todo mundo passa por um momento assim na vida, o qual também era compartilhado por seu melhor amigo, Nakajima, enfrentando problemas familiares. Todos os personagens de Udon no Kuni contribuem para o crescimento dos protagonistas de alguma forma e eles mesmos possuem camadas, o que, na minha opinião, é algo muito gratificante de se acompanhar.

Poco é a coisinha mais fofa do mundo! Se eu pudesse, pegaria ele pra cuidar também. Os momentos de conflitos e comédia são bem equilibrados e a experiência de acompanhar o desenrolar de Udon no Kuni foi incrivelmente boa. Recomendo a obra para qualquer pessoa que curta o gênero.

9.5/10


Yuri!!! on Ice [Ana]


Yuri!!! on Ice foi uma montanha russa pra mim. Começou num pico, caiu e se levantou novamente, porém não muito. O hype que atingiu a grande maioria das pessoas passou um pouco longe de mim.

O primeiro episódio me deixou empolgada e curiosa para ver mais do esporte, no entanto, os episódios seguintes acabaram por não condizer com a expectativa. Muita coisa fica subentendida, por exemplo, como funcionam as competições, como é atribuída a pontuação aos competidores, partes mais técnicas do esporte. Talvez eu estivesse esperando demais, já que até em outros animes de esporte é necessário que se assista vários episódios para entender como as coisas funcionam, só que ao final de YOI essas questões ainda não foram bem executadas.

O anime pra mim tinha um grande potencial, trazendo personagens adultos, fugindo do comum clube escolar do esporte - cenário da grande maioria dos animes do gênero - e, além disso, nos trouxe a patinação no gelo, algo que até então não vi ser explorado em animes (embora exista um anime antigo sobre isso, de longe YOI é o primeiro com tamanha visibilidade), mas de repente me decepcionei com o fanservice e queerbaiting jogados na minha cara, e as questões que levantei anteriormente não correndo como eu esperava.

Podemos dizer que até metade do anime, ele se vendeu por isso e não pelo que tinha se proposto a fazer. Sabíamos que existia uma rivalidade entre os dois Yuri, mas eu não estava sentindo ela ser bem executada. Sabíamos que o Yuri Katsuki tinha grandes aspectos psicológicos a serem trabalhados já que um de seus pontos fracos é a falta de autoconfiança, mas ainda assim parecia mais importante focar numa possível relação com o Viktor. E então, em vez de o anime parecer ser de esporte com nuances de romance, ele estava sendo um anime de romance e por acaso os envolvidos eram patinadores.

Eu fiquei com grandes dúvidas sobre a intenção de fazer os personagens se beijarem ou trocarem alianças, se foi realmente de representatividade ou apenas para atrair o público. É triste pensar que uma relação é estabelecida apenas para vender, que ela é fetichizada pelas pessoas pelo simples fato de se tratar do amor entre dois homens. Entretanto, após algumas declarações da autora, de que os personagens realmente se beijaram e que estavam em um relacionamento é possível ver com outros olhos.

Outro fato interessante é que no episódio que o Viktor aparece com uma coroa de flores e um buquê, ele está fazendo uma homenagem ao patinador Jonny G. Weir que sofreu vários ataques homofóbicos. Uma pena que essa referência/homenagem não seja algo tão explícito para o público em geral, mas considerando que uma grande quantidade de patinadores estava acompanhando o anime, esperamos que ao menos ele contribua para diminuir a homofobia na patinação artística.

Mesmo que muito da relação entre Viktor e Yuri tenha ficado no subtexto, ela foi bem construída e é realmente interessante a naturalidade em que é tratada - sendo o Japão reconhecidamente conservador - e mesmo caindo na comédia às vezes, acredito que a intenção não foi de transformar a relação/sexualidade dos personagens em piada ou reforçar estereótipos (apesar de no começo remeter um pouco a isso com a quantidade de fanservice).

Entretanto, o que fez a série subir um pouco mais no meu conceito foi a introdução dos outros competidores, das ambições, backgrounds e construção das cenas de apresentação de cada um. Isso fez com que nós simpatizássemos, criássemos antipatia ou até mesmo um misto de sentimentos por cada um deles. Foi mostrado que não importa quantas vezes aquela pessoa já subiu ao pódio e em qual colocação, ou se mesmo nunca subiu, todos têm pontos fortes e fracos que podem ser decisivos durante a apresentação.

Um bônus vai para o fato do anime nos apresentar personagens femininas interessantes como a Sara e a Mila, mas é uma pena não termos nenhuma apresentação de patinação feminina no anime.

E finalmente, mais duas coisinhas que foram meio desagradáveis. A primeira, a animação. Acho que o estúdio não tinha orçamento o suficiente para que as cenas de patinação ficassem realmente bonitas. Os personagens aparecem muitas vezes desfigurados e ocorre perda de detalhes nesses momentos em que provavelmente exigiam mais. A outra, gordofobia. Deve-se haver algum motivo para que patinadores estejam em forma, mas é realmente irritante e ofensivo o personagem ficar sendo chamado de leitão e porco porque engordou uns quilos, façam-me um favor, melhorem.

7.5/10