Tradução | Sete animes que disfarçam abuso sexual como "romance"


Estupro, assédio e outras formas de abuso sexual são gestos de amor maravilhosos. Pelo menos de acordo com esses animes...

Atenção: este artigo possui altas doses de sarcasmo.

Animes de "romance" que na realidade são sobre abuso sexual
 
Um garoto relutantemente se apaixona por sua stalker abusiva: o romance de Mirai Nikki. Pelo menos esse está ciente de que a coisa é disfuncional...

Síndrome de Estocolmo é o nome dado ao fenômeno de se apaixonar pelo seu sequestrador ou abusador. O que isso tem a ver com animes de romance? Infelizmente, bastante coisa. Personagens em certos animes de romance e ecchis são assediados, abusados e maltratados... tudo sob o disfarce de ser algo "romântico".

É claro, o que atrai telespectadores para alguns desses animes (especialmente ecchis) é o próprio fato de haver uma hierarquia clara de poder sexual. Cenas envolvendo jogos de poder podem ser excitantes, nós sabemos.

Entretanto, alguns animes levam essa ideia ao extremo e ainda arrancam suspiros dos telespectadores, atingidos pelo amor. Quantas vezes um personagem descobre que gosta de algo depois de ter sido forçado a experimentá-lo? Quantas vezes um personagem se apaixona por alguém que age repetidamente de forma inapropriada em relação a ele? Isso não é romance - é abuso sexual. E esses personagens não estão apaixonados: eles estão sofrendo da Síndrome de Estocolmo.

Antes de vocês nos chamarem de policiais da justiça social, por favor, percebam que acreditamos que a habilidade que os animes possuem de explorar literalmente qualquer tópico, não importando o quão tabu ele possa ser, é fantástica. E é claro, muitos desses animes brincam com fantasias e fetiches, e não há problema algum com isso. Alguns animes são feitos com isso em mente e não estamos com ódio gratuito aqui.

Estamos apenas apontando o que deveria ser óbvio: ser romântico em relação a alguém e assediá-lo sexualmente não são a mesma coisa. Os animes abaixo não parecem entender a diferença.
Himegoto
É "trap"? Quem se importa? Toque mesmo assim!
Como já era de se esperar, Himegoto não possui muito romance, mas tem todas as armadilhas de um harém. Perceberam o que eu fiz ali? Armadilhas? Porque há "traps" em Himegoto. Muitas, muitas "traps". A ideia por trás desse anime curto é de que um garoto, Hime, é forçado a se vestir como uma garota. No entanto, ele possui uma ótima aparência como garoto, e por isso muitas pessoas começam a pensar que ele realmente é uma garota. Portanto, naturalmente, tentam assediá-lo e tocá-lo. Ao descobrirem que ele é "trap", há geralmente um momento de confusão, logo seguido por "ah, por que não? Garoto ou garota, ele ainda é fofo".

Há uma grande quantidade de cenas de abuso e quase estupro, as quais deixam Hime genuinamente desesperado. Os amigos dele acham isso hilário e até mesmo vão na mesma onda. Finalmente, o anime chega a uma resolução em que as amigas de Hime percebem que talvez não seja legal assediar meninos vestidos de meninas e salvam seu amigo de ser estuprado (abusar garotas, no entanto, provavelmente não tem problema algum). É de aquecer o coração.
Amnesia
Ela não se lembra de você? Excelente. Explore-a o quanto quiser.
Apenas imagine: você (uma garota) acorda num belo dia e descobre que não se lembra de nada. Então, um por um, vários caras bonitos se revezam para namorar você, tentando te lembrar sobre sua vida e ocasionalmente te prender em uma jaula. Não há dúvida alguma de que o anime explora algumas fantasias, mas praticamente todos os personagens masculinos possuem algum tipo de plano perverso para a protagonista sem nome, e sequer se importam se ela deseja o mesmo. Os homens se revezam para dar beijos forçados nela, segurá-la contra sua vontade, entre várias outras formas de contato não-consensual. Desmaio.
Junjou Romantica
Ele quer, só não sabe disso ainda.
Em nenhum outro lugar esse tema é mais prontamente visível do que no Yaoi e no Yuri. Muitos personagens que não estão cientes de sua sexualidade precisam ser... coagidos para que se deem conta dela. Isso leva a vários momentos inapropriados e muitos personagens são forçados a ficar em situações que na verdade eles não queriam estar. Quer dizer, até que eles estejam nelas - que é quando percebem que aquilo é o que eles queriam o tempo todo, é claro.

É isso que acontece quando Misaki Takahashi, um estudante do ensino médio, se encontra em um romance enrolado com o mais velho Akihiko Usami. Praticamente todas as interações entre os dois gritam relacionamento disfuncional. Akihiko repetidamente faz coisas com Misaki contra a vontade dele, às vezes enquanto o outro está literalmente implorando para que ele pare. Quer você ache isso intrigante ou não, um romance ele não é.
Okane ga Nai (No Money!)
Este não é o olhar de quem está confortavelmente apaixonado.
Um exemplo bem extremo de exploração em Yaoi pode ser encontrado em Okane ga Nai. É mais um que prega "estupro é ruim, menos quando é bom". Um jovem é vendido para um homem mais velho para pagar suas dívidas. Em meio a todo o controle e interação física forçada entre os dois, eles desenvolvem um laço e se apaixonam um pelo outro. É basicamente "Síndrome de Estocolmo - O Anime". Apesar disso, ouve-se muito o quão doce e gentil o homem mais velho é e o quão tocante é o relacionamento entre eles. Porque todos nós sabemos que de acordo com a cultura popular, consentimento não é preto e branco - são vários tons de cinza.
Kannazuki no Miko
Parecem fofas até você descobrir por que estão juntas
Kannazuki no Miko é uma história maravilhosa sobre duas garotas que se apaixonam uma pela outra. Ela mostra como uma encontra conforto na outra e formam um laço tão forte que nem mesmo a morte pode separá-las. É uma pena que comece com uma cena não-consensual onde uma se força sobre a outra. Não há nada mais forte do que o laço de se apaixonar pela sua estupradora, né? Não se preocupem, ela é estuprada pelo seu próprio bem. Ufa, essa passou perto.

Rosario to Vampire
Elas só estão planejando suas próximas explorações românticas.
Vamos dar um passinho para trás e analisar o romance por um ângulo diferente: o ângulo do harém. Animes de harém podem ser bem divertidos, especialmente quando mostram os relacionamentos entre o protagonista e suas garotas se aprofundando. Alguns protagonistas de harém não fazem a menor ideia que possuem admiradoras, outros dão a elas as boas-vindas ao seu pequeno círculo de amor. Mas alguns participam contra a sua vontade. Este último é utilizado para arrancar risadas: que cara em sã consciência não gostaria de ter uma garota se jogando em cima dele contra sua vontade, não é mesmo?

Um exemplo clássico disso é Rosario to Vampire, que tem um grupo de garotas sobrenaturais tentando ganhar o coração do protagonista ao agarrá-lo, se esfregando e usando magia nele (não necessariamente nessa ordem). O protagonista tenta se defender em favor da "best girl", que nós supomos que se trate de romance (afinal de contas, os animes anteriores dessa lista já nos ensinaram o quão difícil é resistir à pessoa que abusou sexualmente de você).
Diabolik Lovers
Pare. Bonecas não se debatem.
E por fim, é claro, há o harém reverso. Diabolik Lovers continua o tema iniciado em Amnesia ao colocar uma garota bonitinha sem personalidade no meio de selvagens. Os bonitões portanto usam a garota como se fosse uma boneca, abusando física e verbalmente dela de novo e de novo até que ela finalmente decide se defender - não, pera. Ela simplesmente aceita. Porque é isso que as garotas devem fazer em relacionamentos saudáveis, não é?
Nota: não concordamos com o termo "trap" e o consideramos ofensivo, mas a utilização dele se fez necessária na tradução desse artigo (por isso está entre aspas, caso contrário estaria apenas em itálico).