Recomendação | Fate/Zero: testemunhe o desenrolar de uma batalha épica pela sobrevivência que pode selar o destino da humanidade

Acredito que muitas pessoas já devem conhecer a franquia de Fate, mas é bem provável que tenham ficado um pouco perdidas em um primeiro momento, perguntando-se por onde deveriam começar, afinal, há vários lançamentos que foram feitos em anos diferentes. A questão é a seguinte: com exceção de Fate/Zero, que foi adaptado de uma Light Novel escrita por Gen Urobuchi, todos os outros animes adaptam uma rota da Visual Novel. Portanto, é possível assistir à franquia em ordem de lançamento ou em ordem cronológica, conforme na tabela abaixo:


Particularmente, eu recomendo que assistam em ordem cronológica, mas não aconselho que assistam Fate/Stay Night (2006) e nem o filme. O primeiro porque vocês vão reparar na queda gritante de qualidade quando passarem de Fate/Zero para Fate/Stay Night (2006), tendo em vista que foram feitos por estúdios e em épocas diferentes, além de ser praticamente um harém e possuir uma carga bem alta de elementos ecchi; o segundo porque o remake de 2014-2015 conta a história muito melhor do que o filme, então assisti-lo acabaria sendo perda de tempo. Claro, esta é só uma dica minha, a decisão ainda fica a critério de vocês.

Bem, tendo deixado isso claro, vamos ao que interessa. Estou aqui para dizer por que eu acho que Fate/Zero é uma obra tão incrível e merece que vocês deem uma chance a ela. Comecemos pela ficha técnica:

Fate/Zero
Gênero: Ação, Fantasia, Sobrenatural, Suspense
Episódios: 13 (primeira temporada) + 12 (segunda temporada)
Estúdio: ufotable (Kara no Kyoukai, God Eater)
Diretor: Aoki Ei (Ga-Rei:Zero, Kara no Kyoukai)

Sinopse: Com a promessa de realizar qualquer desejo, o Cálice Sagrado desencadeou três guerras no passado, todas cruéis e violentas demais para sequer deixarem um vencedor. Apesar disso, a família Einzbern, bastante rica, está confiante de que a Quarta Guerra pelo Cálice Sagrado será diferente; afinal, estão com um recipiente do Cálice Sagrado ao seu alcance. Por essa razão somente, o tão odiado "Magus Killer", Kiritsugu Emiya, é contratado pelos Einzberns, utilizando como vínculo o casamento dele com Irisviel, a filha única.

Kiritsugu agora está no centro de um jogo de sobrevivência, enfrentando outros seis participantes, cada um armado com um Servo, e impulsionados por desejos e ideais únicos. Acompanhado pela própria Serva, Saber, o mercenário notável logo vê em Kirei Kotomine o seu maior oponente, um sacerdote que busca a salvação do vazio existente dentro de si na sua perseguição a Kiritsugu.

Baseado na Light Novel escrita por Gen Urobuchi, Fate/Zero descreve os eventos da Quarta Guerra do Cálice Sagrado - 10 anos antes de Fate/Satay Night. Testemunhe uma batalha real onde ninguém possui a garantia de que irá sobreviver.

Pela ficha técnica já é possível prever que algo grande nos aguarda. Primeiro porque esta adaptação vem de um estúdio reconhecido por produzir animações de altíssima qualidade; segundo porque foi baseada em uma Light Novel escrita por Gen Urobuchi, o responsável pela composição de obras que obtiveram bastante sucesso, como a primeira temporada de Psycho-Pass e também Madoka Magica

Quem conhece o Urobuchi, carinhosamente apelidado pelos fãs de Butcher (açougueiro, em inglês), já imagina o que vem pela frente, certo? Isso mesmo: sofrimento. Fate/Zero, ao contrário de Fate/Stay Night, não está aqui para nos contar uma história bonita, e acho que é isso que torna a obra tão incrível ao meu ver.

O protagonista Kiritsugu, dublado pelo talentosíssimo Koyama Rikiya (Ging de Hunter x Hunter (2011), Samon de Zetsuen no Tempest), é um anti-herói. Ele procura ao máximo agir com eficiência, sempre utilizando a lógica de sacrificar uma minoria para salvar a maioria. Uma de suas frases famosas diz o seguinte: "Mesmo que eu tenha que carregar todos os males desse mundo, não importa. Se isso puder salvar o mundo, então aceitarei com prazer". É óbvio que essa visão dele pode ser questionada, mas esse é um dos pontos que a obra se propõe a explorar.

O cast também está cheio de nomes que são destaque na indústria, como por exemplo: Ohara Sayaka (Erza de Fairy Tail), Seki Tomokazu (Kogami de Psycho-Pass), Seto Asami (Chihaya de Chihayafuru), Hayami Show (Aizen de Bleach) e Namikawa Daisuke (Jellal de Fairy Tail).

Agora me digam: um estúdio reconhecido pelo seu trabalho de qualidade, um ótimo escritor por trás da adaptação e um cast cheio de dubladores talentosos... Tinha como dar errado? Não, não tinha. Isso que nem mencionei que temos Kajiura Yuki (Erased, Kara no Kyoukai) responsável pela trilha sonora, além de LiSA, Aoi Eir e Kalafina em seus respectivos temas de abertura/encerramento.

Contudo, Fate/Zero não é apenas uma ótima adaptação porque teve uma equipe de peso trabalhando nela, e agora vou explicar o porquê.

A construção dos personagens e o desenvolvimento das relações entre eles. Eu juro pra vocês que não tem um personagem que seja desperdiçado nessa história. Há uma razão para todos eles estarem ali; todos são movidos por motivações próprias (mesmo que algumas sejam bem esdrúxulas). Tem personagens que foram feitos para nos conquistar, outros que foram feitos para odiarmos, e ainda há aqueles que foram feitos para nos deixar com o sentimento de mixed feelings. Às vezes fica até difícil traçar uma linha entre o certo e o errado, afinal, como vamos julgar as motivações alheias?  

Os conflitos (sobretudo os internos). Cada personagem explorado pode nos levar a uma reflexão diferente: Kiritsugu, Kirei, Saber, Irisviel. Não posso discuti-las aqui pois seria inevitável o fazê-lo sem dar spoilers, mas acredito que vocês vão entender o que estou querendo dizer quando assistirem.

A representação das personagens femininas. Eu sou apaixonada por praticamente todas as personagens femininas de Fate/Zero. Posso discordar de uma visão aqui e ali, mas não tenho como não amar o fato de que elas são mostradas como seres fortes, independentes, guerreiras, que sabem o que querem (inclusive, um dos reis mais famosos da História é representado como uma mulher nesse anime). Mesmo que precisem ter suas respectivas ligações com o protagonista, para o desenvolvimento do mesmo e o andar da história, elas não são a típica princesa que precisa ser salva o tempo todo.

Os elementos históricos. Os Espíritos Heroicos de Fate/Zero são baseados em verdadeiras lendas históricas. Alguns são mais óbvios de percebermos a referência, outros nem tanto, mas é algo que certamente se destaca. Para quem tiver interesse, aqui tem um artigo do MyAnimeList (em inglês) que explica as origens históricas de cada um, mas fica o alerta: tem spoiler. Aconselho que leiam depois de terminarem o anime.

A forma que a guerra é apresentada. Todo o conjunto dos visuais impecáveis, da trilha sonora que te faz sentir aquele arrepio, das cenas de luta, do drama, da tragédia, da pitada de romance... Os conflitos internos e externos, a busca pelo poder, o destino da humanidade que pode cair nas mãos de apenas um dos sete participantes e a incerteza do futuro. Fate/Zero é realmente excelente em sua execução e em levar adiante aquilo que se propôs a fazer.

A primeira temporada tem um desenvolvimento mais lento do que a segunda. Ela se preocupa mais em situar o telespectador e apresentar os personagens. Não se iludam e pensem que logo que começarem o anime já vão ver as tretas acontecendo; primeiro é preciso construir o cenário de guerra. A segunda temporada, no entanto, já é mais focada nos conflitos, na ação e na busca pela resolução da guerra, além de nos apresentar o passado do Kiritsugu. Separadamente, as notas que eu daria são 9/10 e 10/10 (talvez até um pouquinho exagerado, mas considerando o quanto o anime me conquistou, acho que merece).

Gostaria, ainda, de destacar que o desenvolvimento entre o trio Kiritsugu-Saber-Irisviel é particularmente interessante. Kiritsugu e Saber não conseguem chegar a um acordo com suas visões de mundo e Irisviel tem que intermediar. Enquanto Kiritsugu está 100% focado em derrotar seu principal oponente (Kirei) e conseguir o Cálice Sagrado, a relação entre Saber e Irisviel recebe um tratamento especial. No âmbito do romance, é até possível enxergarmos mais do que uma simples ligação de Mestre-Servo. Mas, obviamente, isso é algo que fica nas entrelinhas e há quem discorde veemente dessa posição, afinal, Irisviel amava Kiritsugu (apesar dos pesares, que vocês também vão entender depois).

Enfim, acho que é isso. Espero que tenha conseguido dar motivos o suficiente para que vocês deem uma chance a essa obra maravilhosa, porque além de ser uma das minhas favoritas, ela realmente merece. Gostaria muito de ouvir as opiniões de vocês! Tanto de quem já assistiu como de quem ainda está planejando assistir.