Recomendação | Akatsuki no Yona: mais do que um shoujo sobre uma princesa cercada de caras bonitos


Akatsuki no Yona é o tipo de shoujo que serve para calar a boca de quem acredita que essa demografia serve apenas para desenvolver romances colegiais (incluindo a minha). Assim, não que eu acredite nisso exatamente, mas sempre tive muitas críticas com relação aos animes shoujo que assisti (e aqui gostaria de pontuar que meu conhecimento é pouco, pois só vi o que temos de mais popular) justamente por ser cheio de estereótipos, passar a impressão de ser tudo a mesma coisa (ambiente escolar, protagonista bobinha, a procura pelo cara perfeito etc) e na maioria esmagadora das vezes preocupando-se apenas em desenvolver um romance. Akatsuki no Yona despertou meu interessante por ser exatamente o contrário de tudo isso (embora possa não parecer em um primeiro momento). Vem comigo que eu explico.

Não sei como funciona com vocês, mas eu tenho o hábito de acompanhar os animes que estão sendo lançados por temporada. Tenho feito isso desde 2012 e, por essa razão, sempre procuro charts que informem sobre os animes que serão lançados na temporada seguinte algum tempo antes da atual terminar para que eu possa escolher os títulos que vou querer seguir. Akatsuki no Yona foi lançado em 2014, portanto fez parte desse meu ritual.

À primeira vista, não temos nada de muito inovador. É uma princesa cercada de caras bonitos, ou seja, tudo o que um público formado por garotas adolescentes gostaria de ver. No entanto, engana-se quem pensa que a obra é somente isso ou busca agradar apenas esse público específico (parece até um harém reverso pela capa, mas juro pra vocês que não é). Para entender o porquê, comecemos pela ficha técnica.

Akatsuki no Yona
Gênero: Ação, Aventura, Comédia, Fantasia, Romance
Episódios: 24
Estúdio: Studio Pierrot
Material: Mangá
Diretor: Yoneda Kazuhiro

Sinopse: A princesa Yona vive uma vida de luxo e conforto, completamente protegida dos problemas do aparentemente pacífico Reino de Kouka. No entanto, o assassinato repentino do rei e a traição de seu amado primo Soo-won coloca a vida de Yona em um perigo mortal. Forçada a fugir com Son Hak, que é seu amigo de infância e também seu segurança, a princesa ingênua logo descobre que Kouka não é o lugar que ela tinha idealizado em sua mente. A pobreza, a miséria e a corrupção rolando soltas faziam com que recuperar o trono não fosse nada mais do que um pensamento fantasioso considerando o presente estado do reino.

Baseado no mangá de mesmo nome de Mizuho Kusanagi, Akatsuki no Yona conta a história do amadurecimento da Princesa Yona através de suas aventuras em que ela encara as duras realidades de seu reino. Com apenas uma lenda misteriosa para guiá-la, Yona precisa descobrir um jeito de restaurar o reino de Kouka e recuperar sua glória anterior enquanto é incansavelmente perseguida pelas forças do novo Rei de Kouka.


Tecnicamente falando eu não teria muito a acrescentar, pois não possuo muito conhecimento sobre o Yoneda Kazuhiro como diretor. Pelo que pude conferir, o trabalho dele com Akatsuki no Yona foi mais uma aposta do que qualquer outra coisa. Quanto ao estúdio Pierrot, ele é um dos grandes da indústria, conhecido principalmente pelos seus trabalhos com Naruto, Bleach e Tokyo Ghoul, e tem sua parcela de pessoas que gostam e outras que odeiam. Apesar disso, gostaria de destacar que a arte dirigida por Tamura Seiki e Watanabe Michie é muito bonita, assim como o character design feito por Kusumoto Yuuko, e a trilha sonora de Kunihiko Ryo também é bastante agradável. 

O cast traz alguns nomes que valem a pena ser destacados. Entre eles, temos: Suwabe Junichi (Archer de Fate, Aomine de Kuroko no Basket), Saito Chiwa (Senjougahara de Bakemonogatari, Riko de Kuroko no Basket), Okamoto Nobuhiko (Obi de Akagami no Shirayuki-hime, Karma de Ansatsu Kyoushitsu), Sakurai Takahiro (Suzaku de Code Geass, Kanda de D. Gray Man) e Kayano Ai (Inori de Guilty Crown, Mashiro de Sakurasou no Pet na Kanojo).

A própria sinopse já dá um tapa na cara de quem estava subestimando o anime por ser um shoujo. A intenção pode ter sido "fisgar" um público específico com a história de uma princesa rodeada por caras bonitos, mas o pacote completo também nos traz lutas, conflitos, questões políticas, guerras e muito mais. É isso que torna Akatsuki no Yona tão interessante.

Não vou negar que em um primeiro momento eu fui obrigada a revirar os olhos com a Yona. Ela era exatamente o tipo de protagonista que eu tanto critico: a menina fofinha (nesse caso, uma princesa) que precisa ser protegida ou salva por um ou mais caras, sendo incapaz de fazer qualquer coisa por conta própria. Essa dependência feminina em figuras masculinas é algo que me tira do sério. Entretanto, foi precisamente essa primeira impressão terrível que eu tive da Yona que fez com que eu me surpreendesse tanto ao longo do anime. 

O desenvolvimento da personagem é incrível. Ela deixa de ser a princesa ingênua que não sabe nada sobre verdadeiros problemas do mundo e se torna uma guerreira que está disposta a tomar de volta o seu reino de modo que consiga entender as necessidades de seu povo, do que acontece a sua volta, de como o mundo funciona, na busca pelo bem comum. Yona começa a se politizar, percebendo que seu pai era um gestor ruim, por exemplo, mesmo que ele não quisesse violência. E a melhor parte é: ela não quer depender completamente de outras pessoas para cumprir seus objetivos! Embora precise de ajuda, ela não vai deixar de sujar suas mãos. Esse é definitivamente o ponto mais alto da obra.

No geral, os personagens de Akatsuki no Yona nos conquistam de formas diferentes. Cada um deles nos propicia algum tipo de reflexão. Por exemplo, Jae-ha nos faz pensar sobre o destino e a questão de obediência a autoridades; Shin-ah sobre como podemos ser excluídos quando somos diferentes ou as dificuldades que enfrentamos quando não temos controle total sobre nós mesmos; Yun sobre as injustiças que temos que enfrentar ao longo de nossas vidas, e aí por diante.

Acredito que a obra acerta em cheio, também, quando insere outras personagens femininas que interagem com a Yona e contribuem para que ela cresça de alguma forma.

Embora tenhamos um certo desenvolvimento romântico entre a Yona e o Hak, esse não é o foco principal do anime. Acredito que o equilíbrio que há entre as cenas de tensão, as questões políticas, os conflitos internos e externos envolvendo os personagens e as cenas de comédia, de romance e os ambientes mais leves é algo que torna Akatsuki no Yona tão gostoso de assistir.

O mundo certamente não é um mar de rosas e Yona teve que descobrir isso da pior forma possível. Agora ela terá que arcar com suas responsabilidades e batalhar para conquistar seus objetivos, bem longe da sua zona de conforto e da bolha ideológica que vivia.

Faz tempo que eu concluí o anime (quase dois anos, como vocês podem ver), então não vou conseguir me lembrar de falhas muito específicas. Mas tem algo que me incomodou e eu gostaria de mencionar, que foi o final aberto. Geralmente começamos a assistir um anime esperando que sua história receba algum tipo de conclusão no final, mas na maioria das vezes não é bem isso que acontece. O problema está no fato dos materiais comumente estarem em andamento, portanto não há muito que possamos fazer, a não ser torcer por uma segunda temporada. Não é uma falha da obra em si, mas fica aqui a consideração para que vocês não acabem se decepcionando também.

Eu ainda não li o mangá porque estava esperando o anúncio de uma segunda temporada, mas como dois anos praticamente já se passaram e o máximo que recebemos foram alguns OVAs, acho que vou começar a acompanhá-lo. Pelo que já me falaram, o mangá é tão bom quanto se não melhor do que o anime.

Pelo anime não possuir um fechamento real, fico com a nota 8/10. Apesar disso, a obra definitivamente merece uma chance de quem estiver interessado em ver um shoujo relativamente fora do padrão.