Vamos problematizar? | Shoujo-Ai/Yuri: hipersexualização, padrões heteronormativos, estereótipos e outras questões

Antes de iniciarmos o assunto do post propriamente dito, queremos agradecer por todo o apoio que o blog recebeu até aqui. Ficamos realmente felizes com a repercussão do primeiro post, mesmo que nem todos os comentários tenham sido positivos, pois conseguimos atingir o nosso objetivo, que era o de levantar uma discussão sobre a romantização de relacionamentos abusivos. Obrigada a todos que participaram da nossa primeira problematização! Tendo dito isso, vamos em frente. Convidamos vocês para uma nova exposição de ideias.

Hoje vamos falar sobre os gêneros Shoujo-Ai/Yuri e alguns problemas que encontramos neles. Por algum motivo, parece que esses gêneros tendem a fazer bem menos sucesso do que o Shounen-Ai e o Yaoi, e consequentemente há menos debate acerca das questões que precisam ser problematizadas. Embora já tenhamos visto blogs e páginas problematizarem assuntos pertinentes nos gêneros de Shounen-Ai/Yaoi, a mesma coisa não aconteceu quando se trata da relação amorosa entre duas personagens femininas. Por essa razão, esse será o nosso primeiro tema referente à comunidade LGBT, elaborado pelas autoras Mari e Ana. 

Vamos começar com uma diferença básica. O termo shoujo-ai, literalmente "menina - amor", assim como o Yuri, refere-se a histórias que descrevem relações românticas entre personagens femininas. Há elementos, no entanto, que diferem os dois gêneros: o shoujo-ai foca no relacionamento existente entre as personagens e geralmente não contém nenhum tipo de material explícito (as relações românticas podem, inclusive, excluir a parte do sexo), enquanto o termo Yuri é utilizado para se referir a histórias em que há o sexo propriamente dito. 

Por outro lado, apesar de haver essas diferenças, no Ocidente o termo Yuri vem sendo utilizado para referir-se a qualquer história que apresente uma relação romântica entre duas personagens, tanto pelos fãs quanto pelos distribuidores dos títulos desses gêneros por aqui. Por esse motivo, daqui em diante também vamos nos referir a eles como uma coisa só.

Temos realmente muita coisa para falar no que concerne o gênero Yuri. Para que vocês não se percam no artigo, caso não estejam familiarizados com os termos utilizados, aqui está uma lista de definições que pode ser útil:

Hipersexualização: acontece quando mostram os corpos femininos com o objetivo de chamar a atenção de quem vai consumir o material e/ou para tentar agradar um público específico (nesse caso, homens héteros). Vemos isso quando fazem personagens com roupas excessivamente curtas que muitas vezes nem fazem sentido, colocam-nas em posições não naturais que mostrem alguma parte atraente do corpo (geralmente seios e bunda), enfim, quando usam o corpo da mulher para vender algo (o conceito vem lado a lado com a objetificação do corpo da mulher).

Fetichização: não é nenhuma novidade de que relações entre duas mulheres são consideradas como fetiche para muitos homens héteros. Isso fica bem nítido nos mangás e animes Yuri que foram feitos por homens para atender aos fetiches de outros homens.

Heteronormatividade: aqui, refere-se aos papéis de gênero (quem vai ser o homem e quem vai ser a mulher da relação).

Estereótipo: um conjunto de características presumidamente partilhadas por todos os membros de uma categoria social.

A base da nossa problematização será a representatividade/visibilidade da comunidade LGBT no mundo dos animes e mangás. Neste caso específico, das mulheres lésbicas, bis, pans e todas as outras que se relacionem com outras mulheres. 

Para começar, vamos falar sobre o público alvo do Yuri. Quem procura animes e mangás Yuri para acompanhar, geralmente possui um desses perfis: 1) é homem que procura satisfazer seus fetiches; 2) é mulher que se relaciona com outras mulheres e procura encontrar sua representatividade expressa no material que consome. É claro que além desses dois grupos de pessoas há aqueles que apenas procuram uma boa história, ou estão se aventurando no gênero por curiosidade, ou simplesmente admiram a beleza da relação entre duas mulheres. Estes últimos, no entanto, não serão objeto de discussão nesse momento. Queremos falar sobre representatividade.

Representatividade é algo que importa. Crescemos em um mundo preenchido por padrões de beleza, regras de como se deve agir, portar, quem e como devemos ser, entre tantas coisas que tentam limitar aquilo que somos. Esse problema incomoda especialmente quem é LGBT. Por viver em uma sociedade que perpetua um preconceito gigantesco com aqueles que se relacionam com pessoas do mesmo gênero e se distinguem da famosa concepção heteronormativa, o que se tem que aturar não é fácil. Tentam nos mudar, falam que é fase, não querem que tenhamos os mesmos direitos e brigam por isso, destilam ódio e não respeitam as diferenças, enfim. É um ambiente caótico. Em meio a isso tudo, consciente ou inconscientemente, procuramos por algum tipo de representatividade. Queremos sentir que somos pessoas como qualquer outra e que merecemos ter o mesmo respeito, merecemos ter voz, merecemos ser vistos e aceitos por quem somos. E um dos lugares que essa representatividade pode ser encontrada é na ficção. No entanto, a mera existência do gênero Yuri não significa, necessariamente, tê-la. Por quê? A resposta é o nosso primeiro ponto de problematização.


Poster de Valkyrie Drive: Mermaid
EDIÇÃO: Essa parte na verdade diz respeito à hipersexualização e fetichização referente às relações entre mulheres, mas não necessariamente faz parte do que consideramos o verdadeiro Yuri (relação romântica entre duas personagens, que falaremos posteriormente). "Yuri" aqui foi utilizado em termos gerais, citando obras que possuíam mulheres em relacionamento lésbico no geral. Deslize nosso.

Dentro do gênero Yuri, encontramos muitas, mas realmente muitas histórias em que as personagens não representam de forma alguma quem somos. A começar pela hipersexualização do corpo feminino e a consequente fetichização da relação entre duas mulheres, por exemplo, não nos faz justiça nenhuma encontrar personagens que têm os seios ou a bunda anormalmente grandes porque esse é um fetiche de muitos homens, preenchendo os quadros com tais curvas, e adicionando páginas e páginas de um sexo que sequer se assemelha com o que é realmente. Muitos mangás feitos por homens são assim, obviamente buscam atingir um público masculino, e estes não nos representam. Não se cumpre com o objetivo principal: desenvolver uma relação romântica entre duas personagens femininas, aquilo que queremos ler, que queremos conseguir encontrar algum tipo de identificação. Não é preciso ir muito longe para constatar isso: qualquer site de mangá (que permita conteúdo adulto) serve. Também pudemos fazer essa constatação no ano passado, com o lançamento do anime Valkyrie Drive: Mermaid. Se tivéssemos que resumir sobre o que esse anime trata, seria basicamente uma desculpa qualquer para ficar mostrando seios (incluindo mamilos), bundas, cenas de "sexo" (quase) explícito entre duas personagens o tempo todo. As personagens não têm profundidade nenhuma (mas também não poderíamos esperar muito de um ecchi), as relações entre elas são superficiais, o plot (que plot?) não cativa de jeito nenhum, e de bônus ainda tem algumas cenas nojentas. É o típico anime feito de homens para homens que apenas busca causar reações de excitação (?) no telespectador (e vender!).

Não queremos que as nossas relações sejam aceitas somente quando servem para alimentar os fetiches de homens. Queremos nos sentir representadas pelo que somos: mulheres que amam mulheres. Portanto, queremos ver a construção de um sentimento romântico e a aceitação de que há, sim, amor entre duas mulheres, e ele tem tanto valor quanto o amor que há entre um homem e uma mulher. Não estamos aqui para ser mero fetiche de ninguém.

Apesar disso, não temos controle sobre os fetiches alheios, e nem queremos negar a forma de expressão que as pessoas encontraram nos mangás (afinal, tem gosto pra tudo, embora não concordemos com muitas coisas, incluindo essa), então não nos leve a mal se você for um homem que goste das coisas supracitadas, mas problematize seus gostos também. Enfim, tendo deixado isso claro, vamos adiante. Pelas razões que pontuamos aqui, quando se está procurando por histórias que realmente vão nos fazer sentir representadas (ou pelo menos não vão nos tratar como mero fetiche), é uma decisão sábia dar preferência às obras que foram escritas por mulheres. 

Um nome famoso da indústria, por exemplo, é a Morinaga Milk (autora de Girl Friends). Girl Friends é provavelmente o ponto de partida para qualquer um que está começando a se aventurar pelo gênero Yuri, sendo o mangá com a maior popularidade, embora particularmente eu (Mari), não ache que essa obra seja o masterpiece que muita gente diz. A história desenvolve a relação entre duas personagens que eram melhores amigas e acabaram se apaixonando uma pela outra. É fofo e acredito que se encaixe mais no conceito de shoujo-ai por não conter cenas de sexo explícito.

Recentemente (e com isso quero dizer nos últimos dois anos) também começamos a ouvir falar bastante sobre Saburo Uta (autora de Citrus), que possui traços maravilhosos, embora infelizmente a escrita deixe a desejar (pelo meu ponto de vista). Saburo Uta trabalha com um pseudo-incesto, isto é, duas personagens que tornaram-se irmãs apenas no papel (não há relação sanguínea), e o mangá tenta desenvolver uma relação entre essas duas personagens que recém se tornaram irmãs.

As duas mangakás, no entanto, apesar de terem obtido bastante sucesso, se prendem ao estereótipo de adolescentes que estão no ensino médio (ponto que vamos explorar posteriormente), e por isso não é algo que represente a diversidade que encontramos dentro da comunidade LGBT.

Para quem procura histórias com personagens adultas, Amano Shuninta (autora de Philosophia, The Feelings We All Must Endure e vários oneshots) talvez seja uma boa pedida. Mas só talvez, porque as histórias dela realmente não são pra todo mundo. A única exceção à regra que me vem à mente nesse momento seria o Higashiyama Shou (autor de Prism e Stretch). Infelizmente Prism foi cancelado pois o autor foi acusado de tracing e Stretch não é exatamente Yuri porque a relação entre as duas personagens fica no subtext, mas ainda assim são leituras que valeriam a pena dar uma chance para quem se sentir interessado pelas sinopses.


Outro ponto que incomoda bastante no gênero são os padrões heteronormativos que estão em todo lugar. Perguntar "quem é o homem e quem é a mulher da relação?" é uma coisa muito chata e extremamente irritante pelo mero fato de que não há um homem na relação. São duas mulheres e ponto. Às vezes parece que é difícil para a nossa sociedade heteronormativa aceitar que dá pra viver feliz sem um homem (principalmente aqueles que acham que possuem o famoso 'pinto de ouro'). Não basta ter que ficar ouvindo que estamos vivendo uma fase, que só não encontramos o homem certo ainda, temos que ouvir esse tipo de coisa, afinal, o mundo gira em torno dos homens. E aí o que acontece nos animes e mangás da vida? Estabelecem esses papéis de gênero. Mesmo que a relação seja composta por duas mulheres, é visível quem é pra ser o suposto 'homem' da relação. No momento consigo pensar na Amane e na Hikari de Strawberry Panic!. Esses papéis de gênero não precisam existir.

Além dos papéis de gênero, não vou conseguir me lembrar de títulos específicos agora, mas nesses anos todos de Yuri que tenho nas costas, encontrei algumas histórias que seguiam mais ou menos a seguinte ideia: as duas personagens estão no ensino médio, desenvolvem algum tipo de relação, depois que essa fase escolar termina, simplesmente desistem de ficar juntas para encontrarem um homem e se casarem com ele. É claro que aqui poderíamos falar sobre a questão cultural, os casamentos arranjados, e não é um problema recorrente no Brasil atual, mas ainda assim mostra como o Yuri carrega os padrões heteronormativos em sua história. A pior parte disso tudo é que eles passam a ideia de que o que aconteceu naqueles anos de ensino médio não foi algo "de verdade", ou seja, reforçam o famoso "é só uma fase".


E finalmente chegamos num dos maiores problemas do gênero quando se diz respeito à representatividade. Qualquer pessoa que já tenha alguma experiência com Yuri sabe que depois de um tempo torna-se cansativo encontrar sempre o mesmo tipo de história: contexto escolar, adolescentes que ainda não se descobriram como meninas que gostam de meninas, o maior escândalo porque "meu Deus, eu gosto de meninas!" e aquele estado de negação até aceitação.

Esse tipo de história descrita acima só piora em animes como Strawberry Panic!, por exemplo, que está num contexto onde a escola é só para meninas e parece que todas elas são lésbicas, o que é totalmente irreal. Será que é muito difícil construir uma história em que é possível haver um casal de mulheres em que as pessoas não tratem como se isso fosse algo de outro mundo ao mesmo tempo em que elas não estejam em um ambiente fantasioso? Novamente, sabemos que aqui entra uma questão cultural, mas o ponto continua sendo válido.

Aliás, falando em ser irreal, Sakura Trick é pior ainda nesse sentido. As personagens são alunas do ensino médio, porém agem como crianças da pré-escola. Num primeiro momento pode parecer algo muito bonitinho, porém o anime vai passando e as personagens não possuem desenvolvimento romântico algum. A única coisa que acontece é: as meninas se beijam. Elas se beijam muito. Acreditamos que por isso o anime deve ter chamado a atenção das pessoas, no entanto, a não profundidade da relação das personagens veicula uma imagem de que em uma relação entre duas garotas não se tem nada sério. Já existe muita deslegitimação de relações entre duas mulheres, que não é algo "de verdade" ou real, é apenas algo legal, um passatempo, uma fase, e animes assim, apenas reforçam isso.

Strawberry Panic!, que pode ser considerado um dos clássicos Yuri, tem vários problemas. Eu (Ana) tenho hoje 23 anos, assisti a obra quando tinha 16, e além de ser a obra que me introduziu ao universo Yuri (e que talvez tenha feito com que eu percebesse certas coisas sobre mim), foi a segunda que eu assisti no geral. A eu de hoje reconhece os problemas, alguns já citados anteriormente, que na época não me eram tão relevantes, devido a um desenvolvimento de senso crítico. A obra é estereotipada (colégio interno feminino), tem heteronormatividade, tem cena de abuso (que vi muitos fãs na época acharem a personagem - Yaya - legal devido àquilo, ou seja, a romantização não ocorre apenas entre casais de homem e mulher, mas também no mundo Yuri). Apesar do desenvolvimento lento, na época achei o anime bonitinho; atualmente, apesar de eu ter um certo carinho, devido ao que ela significou pra mim, eu não recomendaria, pois não representa relacionamentos entre duas mulheres em muitos pontos.

Resumindo: no gênero perpetua-se muito o estereótipo do ensino médio. Encontrar uma história que fuja disso exige um pouco mais de paciência e esforço. Fora esse estereótipo e aquele que já citamos, de mangás feitos de homens para homens, ainda podemos encontrar a questão da heteronormatividade que dita a aparência das personagens: uma tem um look mais masculino e a outra é bem feminina. Acreditamos que já passamos da época de nos desprendermos desses estereótipos, não é mesmo? Afinal, é perfeitamente possível ter um casal de duas meninas que ambas tenham a aparência mais masculina ou mais feminina, da forma que se sentem melhor. Ninguém precisa procurar por um 'homem' ou 'mulher' da relação. Além disso, ninguém merece a representação de duas personagens cujo objetivo é apenas parecer ser algo fofo e agradável aos olhos, não tendo profundidade nenhuma na relação, e novamente não levando a sério o amor real entre duas mulheres.

Portanto, embora garotas de ensino médio possam até se sentirem representadas por obras que seguem os estereótipos que apresentamos e discutimos, esse não é o único público existente. Eu (Ana) não assisti nem li muitas por esse motivo, mas se puder deixar uma aqui que talvez mostre um pouco de representatividade fora desse padrão adolescente e escolar, seria Octave de Akiyama Haru (obrigada, Mari) que embora tenha alguns problemas também, mostra personagens jovens adultas, como é descobrir que gosta de uma mulher já sendo um pouco mais velha, reação dos pais e pessoas ao redor, entre outras circunstâncias que podem ocorrer em relações mais adultas.

Por fim, o que queremos dizer com tudo isso. Nossa crítica é que faltam animes que representem essa parte da comunidade LGBT como de fato é. De todos os animes Yuri que já assistimos, não encontramos nenhum que nos deixou realmente satisfeitas. De vez em quando encontramos algumas coisas legais, como em Psycho-Pass, por exemplo. Embora o anime não seja Yuri, há um casal formado por uma personagem bissexual e uma personagem lésbica: Karanomori Shion e Kunizuka Yayoi. As duas são adultas, ninguém se importa com o fato de elas namorarem, a relação delas é tratada simplesmente como algo normal (que, de fato, é). Falta esse tipo de coisa na indústria dos animes Yuri. Quando falamos em mangás, já está um pouco melhor, mas ainda podemos melhorar.

Sabemos que o Japão é um país conservador e que a visibilidade LGBT é algo ainda mais difícil de ser encontrado lá, mas se nós não temos o poder de mudar a cultura ou a indústria deles, nós pelo menos queremos mudar a forma com que tais obras são vistas por aqui. Quem sabe com um incentivo da nossa parte, uma procura por histórias diferenciadas, não conseguimos inspirar mangakás a fugirem dos estereótipos aos quais estão presos há tanto tempo?


Um ponto que gostaríamos destacar, que é uma boa notícia para os fãs de Yuri, é que apesar de o gênero possuir todos os problemas que discutimos neste artigo e ter muitas coisas a serem melhoradas, ele tem recebido mais visibilidade internacionalmente.

No momento temos dois manhwas (histórias em quadrinhos coreanas) fazendo bastante sucesso: Fluttering Feelings e What Does The Fox Say?. Fluttering Feelings é uma história com um ótimo desenvolvimento de personagens, porém caminha lentamente em direção à rota do Yuri propriamente dito. What Does The Fox Say? já procura atingir um público mais adulto, tendo relações complicadas, bastante sexo, traição, álcool, entre outras coisas. Ambas as histórias fogem do estereótipo de adolescentes do ensino médio e passam-se em contextos totalmente diferentes (é possível que a questão cultural esteja envolvida aqui também).

Além desses dois manhwas, quem também vem ganhando visibilidade é a Ratana Satis, uma autora tailandesa. Os traços dela são maravilhosos, apesar de ela ainda ter muito o que trabalhar no que diz respeito a construir uma história. A obra que mais fez sucesso chama Lily Love.

Os três títulos são obras que valem a pena dar uma olhada (lembrando de respeitar a faixa etária indicada para cada uma... para não dizerem que estamos induzindo menores a consumirem conteúdo adulto, lol!), para quem procura um conteúdo diferenciado daquele que estamos acostumados a encontrar nesse gênero.

Ao final dessa exposição gigantesca, podemos concluir que no que diz respeito à visibilidade da comunidade LGBT, o Japão (e nós também) ainda temos muito a trabalhar. Apesar disso, as coisas já vem melhorando com o tempo, pelo menos no cenário internacional, e esperamos que mais autores possam nos dar cada vez mais representatividade e que possamos finalmente nos encontrarmos, nos vermos em algum lugar e sentirmos que também fazemos parte desse mundo, afinal, merecemos ser ouvidas, e somos dignas do mesmo respeito e dignidade. 

Para fechar a postagem, gostaríamos de acrescentar que boa parte dela foi escrita com base naquilo que nós, como mulheres que fazem parte da comunidade LGBT, vivenciamos. Essa é a nossa visão dos fatos, mas vocês estão livres para terem a própria. Depois de tudo isso, o que queremos é promover um debate. O que vocês pensam sobre a representatividade dos LGBTs no mundo dos animes? Concordam ou discordam com as problematizações que apontamos aqui? Conhecem obras que fujam desses estereótipos que citamos? Quem é LGBT, se sente representado por alguma obra específica? Comentem! Queremos saber o que vocês pensam sobre tudo isso. 

PS. Esperamos do fundo do coração que essa postagem tenha ficado coesa. Como é difícil escrever um único texto com dois sujeitos! Hahaha!

SHOJO-ai. Anime News Network: Encyclopedia. Disponível em: <http://www.animenewsnetwork.com/encyclopedia/lexicon.php?id=48>. Acesso em: 03 mai. 2016.

SOUZA, Regina Célia de. Atitude, preconceito e estereótipo. Disponível em: <http://brasilescola.uol.com.br/psicologia/atitude-preconceito-estereotipo.htm>. Acesso em: 03 mai. 2016.