Esclarecimento | Explicando como funcionam e qual o objetivo das problematizações do blog

Devido à repercussão da nossa primeira postagem sobre a romantização de relacionamentos abusivos em animes, decidi fazer este post para esclarecer melhor algumas coisas, explicar como que funcionam as nossas problematizações e qual é o objetivo delas.

Em primeiro lugar, gostaria que vocês, nossos leitores, compreendessem que não estamos aqui para falar bem ou mal de anime x ou y. Nosso objetivo não é menosprezar a série favorita de ninguém - nós apenas queremos apontar os problemas que tal série apresenta e por que eles devem ser discutidos. Vocês ainda podem gostar de uma série problemática (isso fica a critério de vocês), desde que consigam perceber que o fato de vocês gostarem dela não a isenta de críticas. É importante que vocês consigam ver o que tem de bom, o que tem de ruim, o que é certo e o que é errado. Não se sintam ofendidos pelas críticas - procurem entendê-las, enxergá-las, aprender de onde vem a sua origem e em qual contexto estamos falando. Vocês só têm a crescer fazendo isso. 

Bem, vamos lá. Assim como expliquei no post anterior, problematizar os nossos gostos é importante porque é só tendo percepção daquilo que estamos vendo, assistindo ou ouvindo, e as implicações que tais coisas têm, que vamos ser capazes de ver suas influências em nossa vida. Sim, queiram as pessoas ou não, nós reproduzimos certos comportamentos da ficção na vida real. Na verdade, a ficção e a realidade não estão tão distantes assim. Basta ler o post em questão, ou então acompanhar as nossas próximas postagens que vocês conseguirão perceber como que ambas estão atreladas e todo comportamento ou ideia perpetuada tem uma origem na vida real.

Dizer que "é ficção" para passar pano em situações de relacionamento abusivo, estupro romantizado, pedofilia, numa tentativa de justificar por que tais coisas são ok, não é um argumento válido. Quem não consegue ver que algo é errado na ficção, não vai conseguir ver quando for errado na vida real também. Se você que está lendo isso consegue diferenciar uma coisa da outra, que ótimo! Mas há pessoas - sobretudo crianças e adolescentes que ainda precisam construir, desenvolver, lapidar o seu senso crítico - que não conseguem, e é preciso que nós mostremos a eles o caminho para chegar até lá.


Nós tentamos ser o mais imparcial possível. Não interessa se eu, Mari, gosto de Magi, por exemplo. Quando chegar o momento de criticar a minha série preferida, eu vou criticar, afinal de contas, assim como qualquer outra obra, Magi não está isenta de problemas (há fanservice que objetifica o corpo das mulheres, há beijo forçado, entre outras coisas). Nada disso me faz gostar menos de Magi. Continua sendo uma das minhas séries preferidas. Mas eu enxergo os problemas, vou discuti-los, e não vou reproduzi-los no meu cotidiano. E assim são com os nossos outros autores também, que vocês conhecerão em breve.

Queremos que vocês entendam que não é preciso fechar os olhos para as coisas problemáticas só porque elas fazem parte de algo que vocês gostam. Vocês podem muito bem fazer as duas coisas: enxergá-las e ainda assim gostar do que gostam. Nenhuma obra é feita só de erros ou acertos.

Se uma analogia for deixar mais claro, imagine que um amigo de vocês cometeu algum tipo de delito e vocês viram. Quando perguntados sobre isso, vocês vão falar a verdade, agindo com ética, ou vão acobertá-lo, mesmo que ele tenha cometido um delito, só porque é amigo de vocês? 

Tem gente que falaria, tem gente que não falaria e seria igualmente culpado. Eu não me consideraria menos amiga da pessoa por fazer o que é certo. Se eu não falasse, no entanto, poderia até ajudá-lo, mas estaria compactuando com algo errado. Quem se cala diante de opressões toma o lado do opressor. Não vamos nos silenciar. Por esse motivo, vamos manter a imparcialidade na questão de gostos e apontar o que está errado.


Nosso objetivo com as problematizações é promover o debate sobre assuntos pertinentes. É inegável que vivemos em uma sociedade patriarcal, cheia de estereótipos, que com suas "normas" oprime boa parte da população. Queremos mostrar às pessoas que as coisas têm vários lados, que a visão que elas têm sobre algo não é a única e pode não ser tão boa assim. Queremos promover a reflexão. Queremos ajudar as pessoas a crescerem. Queremos, aos poucos, mudar o ambiente problemático em que vivemos. E para isso nós precisamos de pessoas que estejam abertas ao diálogo, a rever seus conceitos, a analisar criticamente o que está ao seu redor.

Embora a nossa página tenha começado com um viés feminista, não vamos tratar apenas de questões feministas. Procuraremos abranger outros seguimentos possíveis. Falaremos sobre a comunidade LGBT e sua visibilidade/representatividade no mundo dos animes. Falaremos sobre os problemas existentes nos mais diversos gêneros de obras. Falaremos sobre tudo o que sentirmos que estamos preparados para falar. Nossa equipe é composta por principalmente mulheres, consequentemente, a maior parte das postagens provavelmente terá algo sobre feminismo.

Mas não se enganem. Todos são bem-vindos aqui, isto é, todos que estão dispostos a se desconstruir e crescer com a gente. Não precisam concordar com tudo o que dizemos. Na verdade, discordem! É com argumentos contrários bem fundamentados que fazemos uma discussão render.

Vamos crescer juntos, sempre mantendo o respeito pelo próximo.


É isso. Estamos sempre à disposição para responder às dúvidas, conversar e aprender também com vocês. Sintam-se à vontade para comentar nesse post caso tenham alguma dúvida sobre o blog ou a nossa metodologia, faremos o possível para responder.

A página sobre a nossa equipe ainda está em construção, mas se quiserem dar uma olhadinha lá para conhecer melhor quem vos escreve, sintam-se livres para fazer isso.

Agradeço pela atenção.